Zimbábue altera lei eleitoral para manter presidente no poder

Assembleia Nacional aprovou o adiamento por 2 anos da eleição prevista para 2028

Zimbábue altera lei eleitoral para manter presidente no poder
O presidente do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, participa da cúpula União Africana-União Europeia em Luanda, Angola, em 24 de novembro de 2025 / Imagem: AP Photo/Thibault Camus, File
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*Por Farai Mutsaka

O fato principal

Os parlamentares do Zimbábue votaram nesta quinta-feira (18.jun.2026) a favor de mudanças constitucionais que adiam as eleições e estendem o mandato do presidente do país, de 83 anos, de 5 para 7 anos.

A votação mantém no poder um dos líderes mais velhos do mundo, num continente que já abriga alguns dos governantes mais idosos do planeta, apesar de sua jovem população.

A Assembleia Nacional do Zimbábue aprovou, por ampla maioria, emendas constitucionais que adiariam as eleições previstas para 2028 para 2030 e estenderiam o mandato do presidente Emmerson Mnangagwa por 2 anos.

A legislação, que também propõe a mudança do sistema eleitoral presidencial, passando do voto popular direto para a seleção pelos parlamentares, precisa ser aprovada pelo Senado, onde também se espera que seja aprovada.

Mnangagwa já está entre os líderes mais idosos do mundo. Ele chegou ao poder em 2017, após a deposição, pelos militares, do falecido Robert Mugabe, que, aos 93 anos, era então o chefe de Estado mais velho do mundo.

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Em novembro de 2017, Mugabe foi alvo de uma intervenção militar e de forte pressão política. Esse movimento o forçou a renunciar ao cargo após 37 anos no poder. Após deixar a presidência, sua saúde deteriorou rapidamente. Passou seus últimos meses internado em Singapura, tratando um câncer. Ele faleceu no dia 6 de setembro de 2019, aos 95 anos, quase 2 anos após ser deposto.

Líderes mais idosos estão na África

Uma análise recente do Pew Research Center mostrou que 16 dos 186 líderes nacionais do mundo são mais velhos do que o presidente dos EUA, Donald Trump, que completou 80 anos na semana passada.

Sete dos 10 líderes mais velhos estão na África, segundo a análise, embora a mediana da idade no continente seja de 20 anos (e mais de 60% da população africana tenha menos de 30 anos, de acordo com as Nações Unidas).

“A população da África está ficando mais jovem, mas a idade média dos presidentes está aumentando e os mandatos estão se tornando mais longos”, disse Blessing Vava, pesquisadora de democracia e governança.
“O Zimbábue não é uma exceção. É a norma continental”, acrescentou Vava, que também é diretora da Coalizão para a Democracia e a Responsabilidade da África Austral, com sede em Joanesburgo.
“O Zimbábue é apenas um dado em uma história muito mais ampla de erosão constitucional em prol da sobrevivência política.”

Paul Biya, de Camarões, é o chefe de Estado mais velho do mundo, com 93 anos. Ele está no poder desde 1982, em um país em que cerca de 70% da população tem menos de 35 anos. Biya assumiu o cargo 1 ano depois de Ronald Reagan se tornar presidente dos EUA, e os Estados Unidos tiveram 7 presidentes desde Reagan.

Teodoro Obiang Nguema Mbasogo está no poder há 47 anos na vizinha Guiné Equatorial. Aos 84 anos, continua sendo o governante há mais tempo no poder na África e até nomeou seu filho como vice-presidente.

Na Costa do Marfim, Alassane Ouattara, de 84 anos, tomou posse para um 4º mandato em dezembro de 2025, após vencer uma eleição marcada por baixa participação e agitação social.

No ano passado, 2025, o Malawi elegeu Peter Mutharika, agora com 85 anos, reconduzindo-o ao cargo após sua presidência entre 2014 e 2020.

Já em Uganda, Yoweri Museveni, de 81 anos, aliado dos EUA em questões de segurança regional e alvo de acusações de autoritarismo por parte de seus críticos, tomou posse para um 7º mandato consecutivo em maio, estendendo seu governo por 4 décadas.

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Assim como Mnangagwa, Museveni, Ouattara, Biya e Obiang alteraram ou removeram restrições constitucionais para prolongar seus mandatos.

De acordo com o Centro Africano de Estudos Estratégicos, a duração dos mandatos de liderança no continente africano, composto por 54 países, é marcada por fortes contrastes.

Cerca de 20 países africanos mantêm ativamente os limites de mandato, afirma o think tank, enquanto outros os aboliram ou contornaram, ou estão sob regimes militares que suspenderam o Estado de Direito, permitindo que líderes de longa data permaneçam no poder.

Outros países africanos têm líderes jovens

Ao mesmo tempo, alguns países da África também observam o surgimento de uma nova geração de líderes mais jovens nos últimos anos.

Bassirou Diomaye Faye tornou-se um dos líderes eleitos mais jovens do continente ao vencer as eleições de 2024 no Senegal, aos 44 anos. O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, de 49 anos, está no cargo desde 2018.

Outros chegaram ao poder por meio de golpes militares. Mahamat Idriss Déby, de 42 anos, assumiu o poder no Chade após a morte de seu pai, Idriss Déby, em combate contra rebeldes em 2021, antes de vencer as eleições em 2024.

Em Burkina Faso, o capitão do exército Ibrahim Traoré tomou o poder em um golpe de Estado em 2022 e, aos 38 anos, é o governante mais jovem da África.

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Golpes militares também levaram líderes mais jovens ao poder no Mali e na Guiné.

Ainda assim, analistas afirmam que grande parte do continente permanece dominada por uma elite política envelhecida, o que limita as oportunidades para que as gerações mais jovens assumam o poder democraticamente.

“Então você tem jovens de 25 anos compondo a maioria da população de um país, mas são os de 75 anos que decidem o candidato ou o governo”, disse Vava, o analista. “Os jovens são mobilizados para obter votos, não para buscar o poder.”

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