Parlamento de Israel é dissolvido antes das eleições de outubro de 2026
Dissolução já era esperada e ocorre num momento em que Netanyahu tenta se manter no poder
O fato principal
O Parlamento de Israel foi dissolvido na madrugada de sexta-feira (17.jul.2026), após aprovar diversos projetos de lei nos momentos finais da coalizão governista do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
O Knesset (como é chamado o Parlamento israelense), que deveria entrar em recesso de verão na sexta-feira, não voltará a se reunir antes das eleições marcadas para 27 de outubro de 2026.
Contexto
A dissolução, que já era esperada, ocorreu num momento em que Netanyahu luta para se manter no poder antes das próximas eleições, enquanto Israel se aproxima do 3º aniversário do ataque de 7 de outubro de 2023, que desencadeou quase 3 anos de guerra.
Pesquisas israelenses mostram um crescimento expressivo no apoio aos partidos de oposição, liderados pelo ex-primeiro-ministro Naftali Bennett e por um popular ex-chefe militar de centro.
Na última semana, o Knesset aprovou várias leis controversas, enquanto Netanyahu tentava fazer avançar rapidamente alguns de seus projetos prioritários.
No início desta semana, o Knesset aprovou 2 projetos de lei que, na prática, suspendem o alistamento militar de homens ultraortodoxos, numa tentativa de garantir que os partidos ultraortodoxos integrem a coalizão de Netanyahu no próximo governo.
O Knesset também aprovou recentemente vários projetos relacionados às tentativas de Netanyahu de reformar o Judiciário, incluindo o aumento do controle governamental sobre as emissoras de rádio e TV e o enfraquecimento do papel do Procurador-Geral. A procuradora-geral, Gali Baharav-Miara, opôs-se à reforma e tem sido alvo frequente de críticas de Netanyahu e da direita israelense.
"Estamos concluindo um mandato de 4 anos; aprovamos 9 orçamentos e centenas de projetos de lei. Agradeço a confiança que depositaram em mim, graças à qual conseguimos, juntos, manter um mandato de 4 anos", disse o presidente do Knesset, Amir Ohana, ao anunciar a dissolução.
Concluir um mandato completo de 4 anos é algo raro na história de Israel.
A última vez que o governo de Israel cumpriu um mandato completo, sem interrupção para eleições antecipadas, foi em 1988. Não há limite de mandatos em Israel, e Netanyahu governou por mais tempo do que qualquer outro primeiro-ministro na história do país, mas é raro até mesmo para ele concluir um mandato integral de 4 anos.
Entre 2019 e 2022, os israelenses foram às urnas 5 vezes. Israel realiza eleições, em média, a cada 2,4 anos, ocupando a 2ª pior posição na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em termos de intervalo entre eleições, um indicador de instabilidade política, segundo o Instituto de Democracia de Israel.