Mianmar rejeita apelo da ASEAN para libertar Aung San Suu Kyi e questiona a necessidade de um enviado

Ex-chefe do Exército, Min Aung Hlaing tomou o poder em 2021

Mianmar rejeita apelo da ASEAN para libertar Aung San Suu Kyi e questiona a necessidade de um enviado
O presidente de Mianmar, Min Aung Hlaing, conversa com jornalistas ao sair após proferir um discurso no Parlamento da União em Naypyitaw, Mianmar, na sexta-feira, 31 de julho de 2026. (Foto AP/Aung Shine Oo)
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O governo de Mianmar, apoiado pelos militares, rejeitou o novo apelo da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) pela libertação incondicional da ex-líder detida Aung San Suu Kyi e descartou a necessidade de um enviado especial da organização para Mianmar, segundo o Ministério das Relações Exteriores.

O presidente Min Aung Hlaing, ex-chefe do Exército que tomou o poder em 2021 do governo civil de Suu Kyi, tem tentado obter legitimidade política desde a tomada do poder e retomar as relações com a ASEAN.

A ASEAN elaborou um plano de paz para o país do Sudeste Asiático em abril de 2021 para encerrar as hostilidades e iniciar o diálogo entre as partes em conflito, com a mediação de um enviado especial. Desde então, Min Aung Hlaing tem sido impedido de participar de reuniões de alto nível por não cumprir o plano.

Em um aparente esforço para acalmar as críticas, o governo permitiu que um representante do Comitê Internacional da Cruz Vermelha visitasse Suu Kyi, de 81 anos, na semana passada — o 1º contato conhecido com uma organização humanitária internacional independente externa desde sua detenção, há cinco anos.

O presidente de Mianmar, Min Aung Hlaing, discursa durante o Fórum Empresarial Tailândia-Mianmar em Bangkok, Tailândia, na quinta-feira, 6 de agosto de 2026. (Foto AP/Wason Wanichakorn)

Suu Kyi cumpre pena em prisão domiciliar em um local não revelado na capital, Naypyitaw, sob acusações que seus apoiadores e grupos de direitos humanos classificam como politicamente motivadas.

As Filipinas, que atualmente presidem a ASEAN, saudaram a reunião na sexta-feira como um passo em direção ao diálogo e à reconciliação, ao mesmo tempo em que pediram maior acesso aos detentos políticos e reiteraram a solicitação pela libertação "completa e incondicional" de Suu Kyi.

Um comunicado do Ministério das Relações Exteriores de Mianmar, divulgado no final do sábado, criticou o apelo.

"Embora o governo tenha reduzido suas penas com base em considerações humanitárias, a questão de uma libertação total e incondicional só será realizada em conformidade com a lei", afirmou o texto.
Este é um mapa de localização de Mianmar, com sua capital, Naypyidaw. (Foto da AP)

O comunicado também informou que o governo continuará trabalhando com a atual enviada especial da ASEAN, a ministra das Relações Exteriores das Filipinas, Maria Theresa Lazaro, mas não vê necessidade de manter essa abordagem quando Cingapura assumir a função, em 1º de janeiro de 2027.

“Atualmente, o governo — que surgiu de eleições democráticas multipartidárias que refletiram a vontade genuína do povo — assumiu a responsabilidade pelo Estado”, dizia o comunicado.

Em um discurso proferido mais de três meses após tomar posse como presidente na sequência das eleições, Min Aung Hlaing rejeitou o plano de paz da ASEAN, afirmando que alguns Estados-membros discriminaram Mianmar e que o país responderia a cada caso individualmente.

Críticos classificaram as eleições, realizadas em dezembro e janeiro, como uma farsa destinada a consolidar o controle dos militares sobre o poder, ao mesmo tempo em que, aparentemente, restaurava-se o governo civil.

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Associated Press
Associated Press

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