Neozelandeses no exterior são incentivados a se inscrever para a eleição, já que nova lei exclui eleitores de última hora
Voto é facultativo na Nova Zelândia, mas a inscrição no cadastro eleitoral é obrigatória para os cidadãos elegíveis que residem no país
A Comissão Eleitoral da Nova Zelândia lançou uma campanha nesta segunda-feira (10.ago.2026) para incentivar os neozelandeses, tanto no país quanto no exterior, a se registrarem para votar ou atualizarem seus dados no sistema, alertando que uma mudança legal antes da eleição de novembro de 2026 exige que os eleitores estejam inscritos com antecedência.
Medidas aprovadas por legisladores do governo em dezembro de 2025 — e fortemente criticadas pela oposição — eliminaram uma regra que permitia aos neozelandeses com 18 anos ou mais se inscreverem no dia da eleição, inclusive ao chegarem ao local de votação para exercer seu direito ao voto.
Agora, os neozelandeses precisam estar registrados e com seus endereços e outros dados atualizados no sistema 13 dias antes do dia da eleição; caso contrário, serão impedidos de votar nos locais de votação.
O prazo final para inscrição este ano é 25 de outubro, antecedendo a eleição de 7 de novembro. A votação pode começar em 26 de outubro no país ou em 21 de outubro para quem estiver no exterior.
O governo de centro-direita do país, que busca um 2º mandato, introduziu esse prazo limite de inscrição como parte de um conjunto de alterações na legislação eleitoral, que também incluiu a proibição do voto de detentos e a autorização para doações políticas anônimas de maior valor.
Prazo de inscrição instituído para agilizar a apuração dos resultados

Os partidos governistas afirmaram que o prazo limite para inscrição foi estabelecido para reduzir o tempo cada vez maior necessário para se chegar a um resultado final após o dia da eleição.
"A experiência anterior mostrou que, devido à possibilidade de inscrição no próprio dia da eleição, acabamos em uma situação em que levamos 3 semanas para contabilizar os votos — o maior tempo que já levamos para isso", disse o primeiro-ministro Christopher Luxon, líder do Partido Nacional, à Radio New Zealand em julho.
Críticos, incluindo partidos de oposição de centro-esquerda, afirmaram que o governo queria restringir os chamados "votos especiais" — votos dados por neozelandeses no exterior ou fora de suas residências, bem como por aqueles que não estavam previamente registrados para votar no dia da eleição e cujos votos são contabilizados posteriormente. Historicamente, esses votos especiais têm favorecido partidos de esquerda.
“Algo que potencialmente priva dezenas de milhares de neozelandeses de seus direitos eleitorais não é o tipo de mudança que um governo isolado deveria fazer”, disse Chris Hipkins, líder do Partido Trabalhista (oposição), a repórteres em julho, quando prometeu reverter as medidas caso se tornasse primeiro-ministro.
A Comissão Eleitoral, órgão independente responsável pela organização das eleições na Nova Zelândia, informou que ainda se esperava o recebimento de cerca de 700 mil votos especiais.
Autoridades previram que, mesmo com o novo prazo de inscrição, a apuração do resultado levaria 20 dias após o encerramento da votação, em vez dos 23 dias que seriam necessários sem esse prazo limite.
Neozelandeses podem votar do exterior se cumprirem o prazo
Um total de 89% das pessoas aptas a votar na Nova Zelândia já haviam se inscrito até o momento, segundo dados da Comissão Eleitoral. O voto é facultativo na Nova Zelândia, mas a inscrição no cadastro eleitoral é obrigatória para os cidadãos elegíveis que residem no país; o descumprimento dessa regra sujeita o cidadão a uma multa de 100 dólares neozelandeses (US$ 59).
Há até 1 milhão de neozelandeses vivendo no exterior, embora não se saiba quantos deles são elegíveis para votar. Os eleitores aptos podem votar do exterior baixando as cédulas no site da comissão, solicitando que outra pessoa as assine e enviando-as online.
O prazo de inscrição de 25 de outubro também se aplica aos eleitores que estão no exterior. Algumas pessoas também poderão votar presencialmente, informaram as autoridades.
“A maioria dos países — muitos países — conta com uma embaixada nossa, onde é possível comparecer e votar”, disse Karl Le Quesne, principal autoridade eleitoral da Nova Zelândia.
Campanha focará no voto dos jovens, que registra adesão mais lenta
Historicamente, os jovens tendem a deixar para fazer sua inscrição eleitoral mais perto do dia da votação, observou Le Quesne.
Uma campanha com início nesta segunda-feira, destinada a incentivar a inscrição antes do prazo final, incluirá anúncios em redes sociais e em plataformas de jogos e streaming para alcançar esse público.
“Ainda há 440 mil pessoas não inscritas, sendo que 200 mil delas têm entre 18 e 25 anos; portanto, esse é o grupo cuja atenção realmente precisamos conquistar”, afirmou Simon Moore, presidente da comissão.
Autor
Jornalista e empreendedor. Criador/CEO do Correio Sabiá. Emerging Media Leader (2020) pelo ICFJ. Cobriu a Presidência da República.
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