Lula inicia processo de reciprocidade contra tarifas dos EUA

Iniciativa ocorre em contexto eleitoral. Governo brasileiro acusa os EUA de tentar interferir no pleito.

Lula inicia processo de reciprocidade contra tarifas dos EUA
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante um encontro com integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) que marcou o 30º aniversário do grupo, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, Brasil, no sábado, 8 de agosto de 2026. (Foto AP/Andre Penner)
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*Por Mauricio Savarese

O fato principal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (15.ago.2026) que seu governo acionou um mecanismo da lei de reciprocidade econômica contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Declarou que o Brasil deve ser respeitado.

Contexto

Em julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, impôs tarifas sobre centenas de produtos brasileiros de exportação, com alíquotas chegando a 37,5% em alguns itens.

A administração Trump acusou o Brasil de práticas comerciais desleais. Lula negou as acusações – ele diz que o presidente norte-americano age por questões políticas antes das eleições de outubro.

Lula busca a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ideologicamente mais alinhado ao governo Trump. O congressista se reuniu com autoridades norte-americanas, incluindo o próprio Trump, em Washington, semanas antes da proposta de impor tarifas mais altas sobre produtos brasileiros.

"Ontem, invocamos a lei de reciprocidade para mostrar que não somos alguém com quem se brinca", disse Lula em entrevista a podcasters brasileiros. "Nós nos respeitamos. Estou muito tranquilo quanto ao que pode acontecer e preparado para debater a defesa do Brasil em qualquer lugar do mundo."

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou, em comunicado na noite de quinta-feira, que está solicitando consultas diplomáticas com seus homólogos norte-americanos sobre a questão, como sinal da intenção de Lula de "privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais".

O início dos trâmites não significa necessariamente que o Brasil retaliará as tarifas americanas.

"Não quero nenhuma briga com os Estados Unidos", disse Lula na sexta-feira. "Infelizmente, eles estão espalhando inverdades."

Embaixadora brasileira tem visto revogado

No início deste mês de agosto, o Departamento de Estado dos EUA revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, em retaliação à recusa do Brasil, no mês passado, em conceder vistos a 2 diplomatas norte-americanos que pretendiam visitar o país antes das eleições de outubro.

O governo dos EUA também acusou o Brasil de protelar a aprovação do indicado de Trump para o cargo de embaixador em Brasília, enquanto autoridades brasileiras afirmam que os EUA deveriam ter buscado a aprovação do governo antes de submeter a indicação ao Congresso, conforme exige o protocolo diplomático.

Embora o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, tenha revogado o visto da embaixadora brasileira em resposta às ações de Lula — sem, contudo, ordenar sua expulsão —, autoridades dos EUA afirmaram que a administração Trump não deseja que a disputa se agrave.

Essas autoridades, que falaram sob condição de anonimato para discutir deliberações internas da administração, afirmaram em diversas ocasiões que a resposta contida de Rubio foi planejada intencionalmente para dar a Lula tempo e espaço para recuar.

Ao mesmo tempo, elas declararam que os EUA reagirão rapidamente caso o governo Lula decida escalar a situação, e que declarar a embaixadora brasileira persona non grata e expulsá-la dos EUA seria o próximo passo lógico.

Lula disse mais uma vez que Trump o tratou bem, mas alertou que quaisquer governos estrangeiros "que venham aqui interferir na eleição perderão".


*O repórter da Associated Press Matthew Lee contribuiu de Washington.

Autor

Associated Press
Associated Press

Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

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