Colombianos votam no segundo turno das eleições presidenciais: um outsider conservador contra um progressista

Violência no país –e diferentes abordagens dos 2 candidatos sobre este problema– dividem eleitores

Colombianos votam no segundo turno das eleições presidenciais: um outsider conservador contra um progressista
Esta combinação de fotos mostra os candidatos presidenciais Abelardo de la Espriella, à esquerda, em 6 de maio de 2026, e Ivan Cepeda em 31 de maio de 2026, em Bogotá, Colômbia. (Foto AP)
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*Por Regina Garcia Cano e Astrid Suárez

O fato principal

Eleitores divididos na Colômbia escolhem o próximo presidente do país em um 2º turno neste domingo (21.jun.2026), que coloca um progressista contra um conservador de fora do sistema, com ambos os candidatos explorando o temor de um novo conflito interno no país.

A escolha é entre o empresário e advogado Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda, deputado e herdeiro do movimento político do presidente cessante Gustavo Petro, o 1º líder de esquerda da nação. Os 2 derrotaram outros 9 concorrentes na votação de 1º turno, dia 31 de maio.

Campanha aborda a violência no país

Ambos apresentam estratégias que, segundo eles, impedirão que o país sul-americano sofra com a violência implacável e incessante, como carros-bomba, sequestros, desaparecimentos e deslocamentos forçados que os colombianos vivenciaram nas décadas anteriores.

De la Espriella propõe uma abordagem repressiva que lhe rendeu o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump.

Cepeda promete dar continuidade aos esforços de Petro, incluindo tentativas de estabelecer diálogo com diversos grupos armados ilegais, embora esses esforços tenham fracassado em grande parte.

Os 2 candidatos também oferecem soluções diferentes para o sistema de saúde precário do país, a dívida pública crescente e a corrupção enraizada.

“Neste momento, o que me preocupa é a polarização que existe entre nós: há 2 lados muito extremos, e a violência é preocupante”, disse John Manrique, advogado na capital, Bogotá, enquanto passeava com seu cachorro.
“O que eu espero é que as pessoas aceitem quem venceu”, acrescentou. “Vamos aceitar, independentemente do lado, e tentar chegar a um consenso social… Não vamos sair para brigar.”

Histórico no 1º turno

Apoiadores do candidato presidencial da coligação Pacto Histórico, Iván Cepeda, participam de um comício de campanha em Bogotá, Colômbia, no sábado, 13 de junho de 2026 / Imagem: AP/Fernando Vergara

No 1º turno, Cepeda obteve 41% dos votos, enquanto de la Espriella conquistou 44%, segundo os resultados oficiais. Petro, sem apresentar provas, lançou dúvidas sobre os resultados depois que Cepeda, que liderava as pesquisas de intenção de voto antes da votação de maio, não venceu no 1º turno e ficou atrás de de la Espriella.

Petro reiterou suas alegações no domingo (21.jun):

“Precisamos proteger o voto, sem dúvida”, disse ele pouco antes da abertura das urnas.

Seu movimento fornecerá detalhes sobre “todas as contas e fundos que foram movimentados do exterior”, acrescentou Petro. Os agentes, que ele não identificou, “tentaram escravizar o povo da Colômbia, tirando-lhes a liberdade de decidir”.

Mais de 41 milhões de pessoas estão aptas a votar. As urnas permanecerão abertas até as 16h, horário local.

Luta entre grupos assola o país

A eleição ocorre 10 anos depois da Colômbia ter assinado um pacto de paz histórico com as guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que oferecia esperança de romper o ciclo vicioso de conflitos entre grupos rebeldes e o governo.

Mas a violência ressurgiu com força, principalmente porque a maioria dos grupos rebeldes abandonou a luta ideológica em busca dos benefícios financeiros do narcotráfico.

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No ano passado, 2025, as autoridades registraram 14.780 homicídios, o maior número desde pelo menos 2015, impulsionado por confrontos entre grupos armados ilegais. Entre os mortos estava o candidato presidencial conservador Miguel Uribe. As extorsões também dispararam, atingindo 13.417 casos em 2025, mais que o dobro do número registrado em 2015.

De la Espriella, um novato na política apelidado de “O Tigre”, prometeu perseguir criminosos com rigor e construir 10 megaprisões, emulando as políticas do presidente salvadorenho Nayib Bukele, que reduziram as taxas de homicídio, mas alimentaram acusações de violações dos direitos humanos.

Cepeda quer dar continuidade ao controverso plano de Petro para alcançar a “paz total” por meio da negociação de pactos com guerrilheiros e gangues criminosas. A estratégia, amplamente criticada e iniciada por Petro em 2022, só conseguiu, na quinta-feira (18.jun), que o 1º grupo armado (com cerca de 100 membros) entregasse suas armas e iniciasse um processo de reassentamento que levará à sua reintegração à vida civil. Os grupos ilegais da Colômbia têm mais de 27.000 membros.

Yamile Guevara, professora aposentada de Bogotá, afirmou que os planos de Petro precisam de mais tempo para surtir efeito, já que não se pode esperar que ele promova mudanças duradouras em um conflito que já dura 6 décadas. Ela também criticou o que descreveu como a desconfiança perene dos eleitores em relação à esquerda colombiana, devido à sua longa associação com grupos rebeldes.

“A esquerda sempre foi vista de forma negativa; foi dura e muitas pessoas morreram”, disse Guevara, apoiadora de Cepeda. “Então, fica a dúvida: o que há de errado com pessoas que se esqueceram da História… como podem não pensar cuidadosamente em qual candidato vão eleger?”

A campanha para o 2º turno foi marcada por um aumento nos ataques verbais entre os candidatos, bem como por acusações de fraude, compra de votos e intimidação.

Cepeda apresentou uma queixa à Procuradoria-Geral da República da Colômbia e ao Tribunal Penal Internacional contra de la Espriella, acusando-o de ter ligações com grupos paramilitares. De la Espriella negou a acusação.

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