Ataque israelense mata organizador de exibição da Copa do Mundo em Gaza pouco antes do início da partida entre Egito e Argentina

Ao todo, 4 pessoas morreram no ataque, incluindo 2 meninos (um de 8 e outro de 10 anos)

Ataque israelense mata organizador de exibição da Copa do Mundo em Gaza pouco antes do início da partida entre Egito e Argentina
Palestinos carregam o corpo de Mohamed al-Wahidi, diretor de relações públicas do Comitê Egípcio em Gaza, morto em um ataque militar israelense, durante seu funeral na Cidade de Gaza, na quarta-feira, 8 de julho de 2026 / Imagem: AP/Yousef Al Zanoun
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*Por Wafaa Shurafa, Samy Magdy e Julia Frankel

O fato principal

Um ataque israelense em Gaza, pouco antes do início da partida da Copa do Mundo entre o Egito e a Argentina, matou um importante funcionário de ajuda humanitária palestino que ajudava a organizar exibições públicas do jogo em todo o território, segundo autoridades de saúde locais.

A explosão transformou o que deveria ser um momento de celebração — a transmissão ao vivo de uma possível vitória surpreendente de um time árabe sobre a Argentina — em um lembrete de como os ataques israelenses quase diários em Gaza continuam matando civis, apesar da trégua alcançada em outubro.

A bomba atingiu um carro no bairro de Sabra, na Cidade de Gaza, ao anoitecer de terça-feira 7.jul.2026), matando Mohamed al-Wahidi — funcionário do Comitê Egípcio em Gaza — e 2 meninos que passavam pelo local: Hamza al-Deri, de 10 anos, e seu irmão Fari, de 8 anos. O motorista do carro, Ahmed Daghmush, de 33 anos, também morreu. As informações são do Dr. Mohamed Abu Selmiya, diretor do Hospital Shifa, para onde os 4 corpos foram levados.

As forças armadas de Israel afirmaram que al-Wahidi, que ajudava a organizar as exibições dos jogos de futebol, não era o alvo do ataque. Disseram que a ação visava um militante do Hamas e que estavam verificando se Daghmush era o alvo pretendido.

Daghmush era taxista e não havia relatos de que ele tivesse ligação com qualquer grupo militante, disse Abu Selmiya.

Um ataque israelense havia atingido a mesma rua meia hora antes, sem causar vítimas.

O comitê para o qual al-Wahidi trabalhava é o braço de assistência humanitária do governo egípcio, responsável por fornecer alimentos, abrigos e outros tipos de ajuda aos palestinos em Gaza. O comitê organizou a iniciativa de instalar telas em várias partes de Gaza para a exibição das partidas de futebol.

Gaza tem conexão com o Egito

Muitos integrantes da diáspora palestina vivem do outro lado da fronteira, no Egito, país que desempenhou um papel fundamental na mediação do cessar-fogo entre Israel e Hamas.

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Todas as fronteiras de Gaza são com Israel, exceto Rafah, que se conecta com o Egito. A passagem foi bloqueada durante meses pelas forças israelenses, impedindo a entrada de suprimentos básicos de ajuda humanitária.

A torcida da seleção do Egito em Gaza só cresceu desde o início do torneio, uma vez que o técnico Hossam Hassan tem chamado a atenção para a situação difícil do povo palestino, tanto em entrevistas coletivas quanto em campo.

Hassan dedicou a vitória de sua equipe sobre a Austrália, na sexta-feira (3.jul), tanto aos egípcios quanto aos palestinos, e chegou a exibir uma bandeira da Palestina no gramado.

Palestinos assistem à transmissão ao vivo da partida de futebol da Copa do Mundo entre Egito e Irã em uma tela em Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza, no sábado, 27 de junho de 2026 / Imagem: AP/Abdel Kareem Hana

Em uma entrevista coletiva na segunda-feira (6), antes da partida contra a Argentina, Hassan pediu ao mundo que faça mais pelo povo palestino.

“Peço encarecidamente a vocês, a todos os assessores de imprensa e a todos os atletas do mundo — independentemente de suas identidades — que talvez possamos transmitir uma mensagem coletiva como esta: deixem o povo palestino em paz, deixem-no existir, deixem-no viver sua própria vida”, disse ele.

As forças armadas de Israel afirmam que seus ataques têm como alvo militantes e lamentam os danos causados ​​a civis. Mas mataram ao menos 1.084 pessoas, incluindo 258 crianças, desde que a trégua entrou em vigor em outubro de 2026. Neste mesmo período, 5 soldados israelenses morreram.

O número de mortos palestinos na guerra entre Israel e o Hamas chega a 73.110, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. O ministério não distingue entre civis e militantes, mas afirma que mulheres e crianças representam cerca de metade das mortes.


*Magdy reportou do Cairo e Frankel, de Jerusalém.

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