Governo do Mali relata ataques rebeldes contra cidades do norte

Um morador disse à Associated Press que o exército do país faz buscas pelos rebeldes de porta em porta

Governo do Mali relata ataques rebeldes contra cidades do norte
Vista aérea de Bamako, Mali, 25 de abril de 2026 / Imagem: AP

*Por Wilson McMakin

O exército do Mali informou neste sábado (4.jul.2026) que várias cidades do norte, incluindo Gao e Sévaré, foram alvo de rebeldes. O comunicado foi divulgado no momento em que um grupo rebelde anunciava uma nova ofensiva para tomar uma cidade do norte.

Mohamed Elmaouloud Ramadane, porta-voz da Frente de Libertação de Azawad (FLA), afirmou em uma publicação no Facebook que a cidade de Anefis estava sendo atacada pelos separatistas.

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A Frente de Libertação de Azawad (FLA) é uma aliança político-militar separatista dominada pelos tuaregues no norte do Mali, formada após o colapso de acordos de paz anteriores. O grupo retomou a luta armada pelo controle e independência da região de Azawad, frequentemente operando em coalizão com grupos extremistas locais.
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Os tuaregues são um povo nômade de origem berbere que habita o deserto do Saara há séculos, espalhados pelo Mali, Níger, Argélia, Líbia e Burkina Faso. Eles possuem uma cultura distinta e são historicamente conhecidos como os "homens azuis do deserto" devido ao uso de turbantes tingidos com índigo que mancham a pele.
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Portanto, a FLA (Frente de Libertação de Azawad) é uma das principais forças rebeldes que lutam para derrubar o controle do governo militar do Mali na região norte do país. O grupo atua em oposição direta à junta militar que governa o Mali (atualmente apoiada por mercenários russos do antigo Grupo Wagner, hoje chamados de Africa Corps).

Por outro lado, Mohamed Cissé, morador de Gao, disse à Associated Press que o Exército do Mali está realizando buscas de porta em porta pelos agressores rebeldes que ainda permanecem na cidade.

"Por enquanto, a calma retornou. Mas soube que os agressores ainda estão em uma parte da cidade, então permaneço dentro de casa com a família", disse Ousmane Maiga, outro morador.

Em um comunicado posterior, o Exército do Mali afirmou que "a situação está totalmente sob controle". Acrescentou que, em Sévaré, "20 terroristas em motocicletas e veículos equipados foram neutralizados".

No entanto, Rawani Ahmed Bouya, membro da FLA e chefe do Escritório Nacional da diáspora de Azawad, disse à AP que Anefis estava sob controle da FLA e que os combates estavam quase no fim. Sua afirmação não pode ser verificada de forma independente.

No final de abril, um ataque coordenado pela FLA e pelo JNIM (grupo afiliado regional da Al-Qaeda) matou o ministro da Defesa em sua residência e resultou na tomada de várias cidades estratégicas no norte do país.

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A JNIM (Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin) é uma coalizão de grupos militantes jihadistas e o ramo oficial da Al-Qaeda na região do Sahel, na África Ocidental. Formada em 2017, atua principalmente no Mali, Burkina Faso e Níger, sendo considerada uma das organizações terroristas mais ativas e letais do mundo.

Ibrahim Yahaya Ibrahim, vice-diretor de projetos do think tank International Crisis Group, disse que, embora os ataques mais recentes não sejam "comparáveis" aos de abril, relatos de ataques na fronteira com Burkina Faso, bem como em outras partes do Mali, podem indicar uma tentativa de desviar a atenção do exército para garantir ganhos mais limitados no norte do país.

Wassim Nasr, pesquisador sênior do Soufan Center, afirmou que o ataque a Anefis foi estratégico, pois qualquer tentativa do Mali de reverter os ganhos territoriais de abril teria como ponto de partida justamente Anefis.

O Mali já enfrentou insurgências de militantes ligados à Al-Qaeda e ao grupo Estado Islâmico, bem como uma rebelião separatista no norte do país. Os separatistas lutam há anos pela criação de um Estado independente no norte do Mali.

Assim como o Mali, os países vizinhos Níger e Burkina Faso também vêm combatendo grupos afiliados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico.

Após golpes militares, as juntas governamentais desses 3 países deixaram de contar com aliados ocidentais e buscaram a ajuda da Rússia para combater militantes islâmicos.

No entanto, a situação de segurança se agravou, com um número recorde de ataques de militantes. Forças governamentais também foram acusadas de matar civis suspeitos de colaborar com os militantes.


*Reportagem de Wilson McMakin, de Dakar, Senegal.

Autor

Associated Press
Associated Press

Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

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