Premiê deposta de Bangladesh, Hasina diz que retornará do exílio em dezembro

Hasina foi condenada à morte e fugiu para a Índia desde que foi retirada do comando do país

Premiê deposta de Bangladesh, Hasina diz que retornará do exílio em dezembro
A primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, ao chegar para participar do jantar oferecido pela Rainha durante a Reunião de Chefes de Governo da Commonwealth (CHOGM), no Palácio de Buckingham, em Londres, em 19 de abril de 2018 / Imagem: Daniel Leal-Olivas/Pool Photo via AP, Arquivo

*Por Julhas Alam

A ex-primeira-ministra Sheikh Hasina, deposta em uma revolta popular em 2024, afirmou à Associated Press que mantém o compromisso de retornar a Bangladesh — saindo de seu exílio na Índia — no próximo mês, dezembro de 2026, apesar de ter sido condenada à morte devido à repressão violenta de seu governo contra manifestantes.

Hasina fugiu para a Índia depois que protestos liderados por estudantes a forçaram a deixar o poder, e permanece lá desde então.

Em 2025, um tribunal especial de Bangladesh condenou-a à morte por crimes contra a humanidade, determinando que ela foi a responsável por ordenar a repressão, que resultou em centenas de mortes e milhares de feridos.

As Nações Unidas informaram, em um relatório, que cerca de 1.400 pessoas foram mortas. Hasina nega qualquer irregularidade. Ela também rejeitou o veredito do tribunal e questionou a legitimidade do julgamento.

Bangladesh solicitou, por diversas vezes, a extradição de Hasina, mas a Índia recusou-se a entregá-la. Em agosto, ela já havia anunciado sua intenção de retornar em dezembro.

“Se a morte for o meu destino, prefiro morrer em solo pátrio, entre o meu próprio povo”, disse ela à Associated Press, em resposta a perguntas enviadas por e-mail. “Portanto, voltarei a Bangladesh. Essa decisão não mudou.”

As perguntas foram enviadas a ela na semana passada, e a resposta foi recebida na quarta-feira (4.nov.2026).

Hasina, que ocupou o cargo de primeira-ministra entre 2009 e 2024, não revelou como planeja retornar da Índia. Ela corre o risco de ser presa assim que chegar a Bangladesh.

“Sei que posso ser presa ao retornar. Posso ser encarcerada, torturada ou até mesmo morta. Estou plenamente ciente dessas possibilidades. Mas não posso passar o resto da minha vida observando meu povo sofrer à distância”, disse ela à AP.

Após a destituição de Hasina, o vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Muhammad Yunus, assumiu o comando de uma administração interina, liderando o país pelos 18 meses seguintes.

Em fevereiro, Tarique Rahman, filho da ex-primeira-ministra Khaleda Zia e rival político de longa data de Hasina, chegou ao poder com uma vitória expressiva em eleições realizadas sob a administração de Yunus. O partido de Hasina, a Liga Awami, foi impedido de disputar o pleito.

O retorno planejado de Hasina ocorre em um momento em que seu partido enfrenta um futuro incerto, em meio a uma repressão generalizada. A legenda permanece banida, com seus principais líderes presos ou forçados ao exílio.

Hasina afirmou que pelo menos 20 mil membros de seu partido foram mortos desde agosto de 2024, enquanto milhares foram presos, torturados ou forçados a se esconder. Ela relatou que apoiadores também perderam suas casas, negócios e meios de subsistência devido às suas afiliações políticas.

“Não existe um ambiente político ou democrático normal”, disse ela, acusando as autoridades de suprimirem o partido de forma sistemática.

Diversos grupos de direitos humanos, incluindo a Human Rights Watch, criticaram o governo de Rahman por ataques aos direitos civis e políticos nos últimos meses.

O governo, por sua vez, alega que as prisões estão relacionadas a acusações específicas.

Ao ser questionada se esperava que países como os Estados Unidos e a Índia pressionassem Bangladesh para garantir seu retorno em segurança, Hasina afirmou que não buscou proteção estrangeira.

“Valorizo ​​a amizade e a cooperação com todas as nações. Essa sempre foi a nossa (de Bangladesh) política externa. Mas não preciso da bênção de uma potência estrangeira para retornar ao meu próprio país”, declarou.

Grupos internacionais de direitos humanos e observadores independentes já haviam expressado preocupação com a ascensão de grupos radicais que tentaram reprimir forças liberais durante a administração interina. Grupos minoritários relataram ter sofrido intimidação.

O governo liderado por Yunus negou as alegações. A atual administração enfrenta críticas devido à deterioração da ordem pública no país. Hasina, que adotou uma postura rígida contra grupos radicais durante seus 15 anos no poder, afirmou estar preocupada com a crescente influência de setores linha-dura em Bangladesh.

“O atual cenário político permitiu que elementos extremistas se sentissem mais confiantes”, disse ela.

A assessoria de imprensa do gabinete da primeira-ministra não respondeu a um pedido de comentário feito pela AP.

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Associated Press
Associated Press

Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

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