Búlgaros votam em segundo turno presidencial marcado por ameaças à segurança regional
Se vencer, a presidente em exercício será a 1ª mulher eleita para o cargo no país
Os búlgaros votaram neste domingo (1.nov) em um 2º turno presidencial marcado por ameaças à segurança regional e preocupações econômicas internas.
A presidente em exercício, Iliana Yotova — que, se vencer, se tornará a 1ª mulher eleita presidente da Bulgária —, enfrenta o candidato da oposição e ex-primeiro-ministro interino, Andrey Gyurov.
Yotova superou Gyurov por uma margem estreita de 2,8 pontos percentuais no 1º turno, realizado em 25 de outubro, que registrou uma participação historicamente baixa: apenas 23% dos eleitores aptos compareceram às urnas, segundo autoridades eleitorais.
As seções eleitorais abriram às 7h para mais uma disputa altamente polarizada, na qual os candidatos buscam atrair eleitores com visões políticas distintas.
Os primeiros resultados de pesquisas de boca de urna são esperados após o encerramento da votação, às 20h do horário local, e os resultados oficiais devem ser anunciados na segunda-feira (2.nov).
A votação ocorre em um cenário de crescentes dificuldades econômicas e aumento dos ataques com drones contra embarcações no Mar Negro, que deixaram vários marinheiros mortos ou desaparecidos.
Yotova concorre como candidata independente. Na qualidade de vice-presidente, ela assumiu automaticamente a Presidência interina no início deste ano, quando o então chefe de Estado, Rumen Radev, renunciou ao cargo para liderar seu partido rumo à vitória nas eleições gerais.
O pleito representa o primeiro grande teste para o partido "Bulgária Progressista" — liderado por Radev e alinhado a Moscou —, que declarou apoio a Yotova.
Espera-se que Yotova dê continuidade à política de Radev de manter a Bulgária em sua trajetória europeia, ao mesmo tempo em que defende o estreitamento das relações com a Rússia e a suspensão de sanções.
Tanto Yotova quanto Radev defenderam uma solução diplomática para encerrar a guerra na Ucrânia, mas mantiveram uma postura evasiva sobre um possível envolvimento russo nos ataques com drones na região do Mar Negro.
Durante um debate televisivo entre os dois candidatos à presidência, realizado esta semana, Yotova defendeu um acordo que envolva tanto a Ucrânia quanto a Rússia, afirmando que "a paz só pode ser alcançada por meio de negociações". Ela também propôs uma reunião de segurança envolvendo todos os seis países do Mar Negro, com o objetivo de assinar uma moratória sobre as hostilidades.
Observadores afirmam que uma vitória de Yotova manteria a presidência nas mãos da maioria governista. Segundo eles, tal concentração de poder poderia impedir a manutenção efetiva de mecanismos de freios e contrapesos sobre as decisões políticas tomadas pelas instituições.
O adversário de Yotova é o economista Gyurov, ex-vice-governador do banco central e primeiro-ministro interino que esteve à frente do país no início de 2026. Ele conta com o apoio da oposição reformista e pró-Ocidente.
Gyurov tem manifestado, de forma consistente, um apoio firme à Ucrânia; durante seu período como primeiro-ministro, chegou a assinar um acordo de cooperação em segurança com Kiev.
Gyurov declarou que deseja que a Bulgária seja uma aliada confiável da Otan (Aliança do Tratado do Atlântico Norte), capaz de defender seus interesses por meio de uma diplomacia robusta e uma postura firme.
Gyurov criticou o governo por sua relutância em apontar a Rússia como a agressora na guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Ele defendeu a necessidade de identificar a ameaça e assegurar a participação da Bulgária nas decisões da União Europeia desde a etapa inicial.
“Quando você não tem uma posição e não está à mesa, na verdade, você acaba fazendo parte do cardápio”, afirmou ele.
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Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.
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