Partidos de oposição da Índia realizam novo protesto contra o chefe do órgão eleitoral

Esta é mais uma manifestação de descontentamento contra o governo do primeiro-ministro Narendra Modi

Partidos de oposição da Índia realizam novo protesto contra o chefe do órgão eleitoral
Rahul Gandhi, líder do partido de oposição Congresso — visto à direita, no 1º veículo, ao lado de outros líderes oposicionistas —, acena para apoiadores durante um protesto convocado por seu partido e seus aliados contra a revisão dos registros eleitorais, em Nova Délhi, no domingo, 1º de novembro de 2026 / Imagem: AP/Vipin

*Por Rishi Lekhi

O fato principal

Partidos de oposição da Índia renovaram, neste domingo, as exigências pela renúncia do chefe do órgão eleitoral do país, realizando novos protestos — mais uma manifestação de descontentamento público contra o governo do primeiro-ministro Narendra Modi.

O protesto, convocado pelo bloco de oposição INDIA, reuniu dezenas de milhares de manifestantes. Alguns carregavam instrumentos musicais e agitavam diversas bandeiras, enquanto entoavam palavras de ordem contra as políticas do governo central.

Vários partidos da aliança — formada em 2023 com o objetivo de tirar Modi do poder — mobilizaram seus integrantes de diferentes estados para o ato, que ocorre semanas após uma repressão policial contra manifestantes em Nova Délhi.

Um cartaz com o retrato de Gyanesh Kumar, chefe do órgão eleitoral da Índia, é exibido durante um protesto organizado pelo partido Congresso e seus aliados contra a revisão dos registros eleitorais, em Nova Délhi, na Índia, no domingo, 1º de novembro de 2026 / Imagem: AP/Manish Swarup

Liderados por Rahul Gandhi, principal nome do partido de oposição Congresso, e com o apoio do movimento juvenil “Barata” (Cockroach), os manifestantes defenderam a preservação da democracia indiana e exigiram a renúncia do Comissário-Chefe Eleitoral, Gyanesh Kumar, devido a uma controversa revisão dos registros de eleitores.

Os manifestantes reuniram-se em Ramlila Maidan, uma ampla praça pública em Nova Délhi, depois que a polícia, no mês passado, retirou Jantar Mantar da lista de locais oficialmente autorizados para manifestações. O histórico observatório serviu, por muito tempo, como o principal ponto de protestos na capital.

As autoridades mobilizaram milhares de policiais e soldados paramilitares e implementaram um amplo esquema de vigilância, utilizando mais de 200 câmeras de circuito fechado (CFTV), drones e câmeras corporais no local do evento e ao longo do trajeto do protesto, informaram autoridades.

Por que isso importa?

A revisão em curso das listas de eleitores resultou na remoção de mais de 130 milhões de nomes desde o ano passado. Críticos afirmam que a medida é motivada por razões políticas, ameaça privar milhões de outras pessoas de seus direitos eleitorais e tem afetado desproporcionalmente minorias, especialmente os muçulmanos.

Rahul Gandhi, líder do partido de oposição Congresso, aparece ao centro, em um veículo com outros líderes da oposição, saudando apoiadores durante um protesto convocado por seu partido e seus aliados contra a revisão dos registros eleitorais, em Nova Délhi, na Índia, no domingo, 1º de novembro de 2026 / Imagem: AP/Prabhat Mehrotra

A Comissão Eleitoral e o governo de Modi negam as alegações, afirmando que a revisão visa apenas eliminar registros duplicados ou de pessoas inelegíveis.

A organização Human Rights Watch declarou, na quinta-feira, que as acusações relacionadas à revisão das listas eleitorais levantam “sérias questões sobre a lisura das futuras eleições na Índia”.

“As autoridades deveriam encerrar imediatamente o processo de revisão das listas eleitorais, que tem privado as populações mais marginalizadas da Índia de seu direito ao voto e do acesso a outros serviços governamentais”, afirmou Elaine Pearson, diretora da organização para a Ásia, em um comunicado.

Há semanas, a exigência pela renúncia de Kumar tornou-se uma bandeira para partidos de oposição e apoiadores do movimento “Barata” (Cockroach), que buscam desafiar o partido nacionalista hindu de Modi, o Bharatiya Janata Party (BJP).

Partidos de oposição, com destaque para o Congresso, alegam que o BJP — atualmente no poder — tem promovido uma manipulação sistêmica do processo eleitoral, acusando a legenda de “vote chori”, ou seja, roubo de votos.

Modi não comentou publicamente os protestos. Alguns líderes de seu partido classificaram os manifestantes como “anarquistas” e sugeriram, sem apresentar provas, que eles seriam apoiados por potências estrangeiras.

Em julho, protestos liderados pelo movimento juvenil “Barata” forçaram a renúncia do ministro da Educação de Modi — um revés raro para o líder, que está no poder há mais de 12 anos. O movimento surgiu durante o verão, inicialmente como uma campanha satírica online, após o presidente da Suprema Corte da Índia comparar jovens desempregados a parasitas.

Suresh Sharma, um manifestante do estado de Haryana, no norte do país, afirmou que o sistema nacional precisa de reformas, uma vez que a democracia estaria sendo sufocada.

Segundo Sharma, o processo de revisão das listas eleitorais deve ser cancelado. Ele acrescentou:

“Exigimos que o Comissário-Chefe Eleitoral, Gyanesh Kumar, renuncie e seja preso.”

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Associated Press
Associated Press

Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

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