Turquia assume liderança da COP31 com promessa de transformar compromissos climáticos em resultados concretos

Evento também terá protagonismo da Austrália nas negociações; formato inédito faz nações dividirem papéis

Turquia assume liderança da COP31 com promessa de transformar compromissos climáticos em resultados concretos
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, discursa durante a cerimônia de abertura do Fórum de Diplomacia de Antalya, em Antalya, sul da Turquia, na sexta-feira, 17 de abril de 2026 / Imagem: AP/Riza Ozel
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O fato principal

A presidência da COP31, que será realizada na Turquia, indicou na última terça-feira (13.abr.2026) que vai tentar reposicionar as negociações climáticas globais em torno de resultados práticos e mensuráveis, após anos de avanços considerados insuficientes.

Em carta oficial, o presidente-designado da conferência, Murat Kurum, afirmou que os impactos da crise climática estão se intensificando e que será necessário fortalecer a cooperação multilateral para responder à altura desse cenário.

“Os impactos das mudanças climáticas estão se aprofundando, e a necessidade de cooperação multilateral é maior do que nunca”, declarou.

A Turquia se apresenta como uma ponte entre diferentes regiões e interesses geopolíticos, propondo uma conferência mais inclusiva e orientada a soluções.

“Pretendemos reunir as expectativas das Partes em torno de um terreno comum para construir um mundo mais seguro e uma economia global mais estável para a humanidade.”

Um dos pontos centrais da proposta é a criação de um novo modelo de cooperação entre Turquia e Austrália na condução da COP, sinalizando uma mudança em relação aos formatos anteriores.

“A COP31 será realizada por meio de um novo modelo de cooperação desenvolvido entre Turquia e Austrália, marcando uma mudança em relação às COPs anteriores.”
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A Turquia será a anfitriã física e presidirá formalmente a COP31 em Antália, cuidando da organização e da logística, enquanto a Austrália atuará como "Presidente de Negociações", liderando as conversas técnicas, o processo de negociação e a redação dos documentos finais (cover decision), assumindo um papel protagonista na substância do evento. Este modelo, firmado durante a COP30, supera um longo impasse sobre quem sediaria o evento.
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A Austrália organizará uma pré-COP no Pacífico, garantindo que os interesses das nações insulares, altamente vulneráveis, sejam centrais na agenda, preenchendo a parceria original de co-sede que a Austrália desejava. O acordo evitou que a conferência fosse automaticamente transferida para Bonn, na Alemanha. 

A presidência da COP31 também reforçou a continuidade dos avanços da COP30, realizada em Belém, e destaca a articulação com países como Azerbaijão e Brasil.

A estratégia da conferência será guiada por 3 princípios centrais: diálogo, consenso e ação, com ênfase direta na transformação de compromissos políticos em resultados concretos e verificáveis.

Entre as prioridades estão a transição energética, a economia circular, o aumento da resiliência de regiões vulneráveis e o fortalecimento de mecanismos financeiros para a ação climática.

“A ação permitirá que compromissos sejam transformados em resultados concretos, equilibrados e aplicáveis.”

A carta também destaca a intenção de ampliar o engajamento de diferentes setores, incluindo sociedade civil, setor privado e governos locais, com ênfase na participação ativa da juventude como elemento essencial para o avanço das negociações.

“Nenhuma transformação pode ser alcançada sem o engajamento ativo dos jovens.”

Além disso, a presidência da COP31 pretende mobilizar financiamento, tecnologia e parcerias para acelerar a implementação de soluções climáticas, especialmente em regiões vulneráveis, integrando temas como biodiversidade, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável.

“O objetivo da Turquia é mobilizar financiamento, tecnologia e parcerias para apoiar as metas climáticas globais por meio de implementação local e regional.”

Por fim, o documento posiciona a COP31 como um momento político crucial para destravar compromissos mais ambiciosos e reforçar a credibilidade do Acordo de Paris, em um contexto de crescente pressão internacional por resultados.

“Em Antália, o mundo deve transformar palavras em resultados concretos.”

Baixe a carta completa:

Reação do secretário-executivo das Nações Unidas para Mudança Climática

Eis a íntegra do comunicado do secretário-executivo das Nações Unidas para Mudança Climática, em itálico, publicada no LinkedIn:

Saúdo calorosamente a primeira carta do Presidente Designado da COP31 Turquia, Murat Kurum, às Partes e Observadores, com a hashtag #COP31, que ocorrerá em Antalya, de 9 a 20 de novembro.

Nas palavras do Ministro Kurum: “Consideramos nossa responsabilidade compartilhada preservar e fortalecer ainda mais as conquistas alcançadas no âmbito da UNFCCC e do Acordo de Paris. Assim, pretendemos unir as expectativas das Partes em torno de um terreno comum para construir um mundo mais seguro e uma economia global mais estável para a humanidade, à medida que os impactos climáticos se agravam rapidamente.”

Como afirma o Ministro Kurum, a COP31 será uma oportunidade para consolidar as conquistas das COPs recentes, incluindo “o consenso unânime de todos os países na COP30 de que o Acordo de Paris está funcionando, e juntos nos comprometemos a ir mais longe e mais rápido”.

Saúdo a iniciativa do Ministro Kurum em apresentar uma visão comum, juntamente com o Ministro Chris Bowen da Austrália, que preside as negociações da COP31, e a ênfase em "uma abordagem focada na implementação, inclusiva e equilibrada, que transforme compromissos em resultados mensuráveis ​​e práticos".

A pré-COP, que será realizada em Fiji de 5 a 8 de outubro e incluirá um evento de líderes em Tuvalu, contribuirá para refletir diversas perspectivas sobre os desafios e soluções climáticas.

A carta do Ministro Kurum também menciona a Cúpula Mundial de Líderes, que ocorrerá em Antalya nos dias 11 e 12 de novembro.

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Correio Sabiá
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