Após 8 anos, maior evento de unidades de conservação do Brasil volta com foco na implementação
UCBIO reúne pesquisadores e gestores em Curitiba em junho, num momento em que o país precisa transformar compromissos climáticos em ação concreta
O fato principal
Realizada no ano passado em Belém (PA), a COP30 –maior encontro global para discussão das mudanças climáticas– projetou o Brasil como protagonista das negociações globais sobre o clima e a biodiversidade. Agora, o desafio é transformar esse protagonismo em política real. É nesse contexto que vai ocorrer a Conferência Nacional de Unidades de Conservação para Biodiversidade (UCBIO), nos dias 7, 8 e 9 de junho, em Curitiba (PR).
O evento retoma um espaço que estava vazio desde 2018, quando o CBUC (Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação) realizou sua última edição. Em 8 anos de ausência, o cenário mudou consideravelmente: o Brasil ampliou parques nacionais, retomou parte da agenda conservacionista e assumiu papel de destaque nas negociações internacionais sobre biodiversidade e mudanças climáticas, chegando à COP30 com cerca de 30% do território sob algum tipo de proteção.
"Desde a última edição do CBUC, em 2018, o setor ambiental sentia falta de um encontro desse porte voltado exclusivamente para unidades de conservação", afirmou Angela Kuczach, segundo um comunicado enviado à imprensa e recebido pelo Correio Sabiá. Ela é diretora-executiva da Rede Pró-UC, uma das organizações responsáveis pelo evento.
Criar unidades de conservação é apenas o primeiro passo: gerir, fiscalizá-las e financiá-las é onde as dificuldades se acumulam. A UCBIO quer justamente enfrentar esse segundo problema.
"A UCBIO nasce justamente para reunir pessoas que trabalham diretamente com biodiversidade e áreas protegidas em um momento em que essas discussões se tornam cada vez mais urgentes", acrescentou Kuczach.
O evento
Organizado pela Rede Pró-UC e pela Associação Caatinga, o encontro deve receber cerca de 700 participantes por dia, com uma programação de 35 palestrantes nacionais e internacionais. Entre os confirmados estão o ativista Paul Watson, fundador da Sea Shepherd e referência global na defesa do oceano, e o cientista John Terborgh, um dos nomes mais respeitados na ecologia da conservação mundial.
A proposta da conferência vai além do debate sobre a criação de novas áreas protegidas. O foco recai sobre o que vem depois: como garantir que essas áreas funcionem de fato, com gestão eficiente, fiscalização adequada, fontes de financiamento sustentáveis e participação real das comunidades que vivem nesses territórios.
É uma virada de perspectiva relevante, já que reconhece que o número de hectares protegidos no papel diz pouco sobre a efetividade da conservação na prática.
Pós-COP30
O pós-COP30 impõe ao Brasil uma cobrança crescente por resultados concretos. Metas de biodiversidade assumidas internacionalmente, como as do marco Kunming-Montreal, que prevê a proteção de 30% dos oceanos e territórios terrestres até 2030, dependem diretamente da capacidade do país de gerir com qualidade as áreas que já possui, além de avançar na criação de novas.
Por isso, as unidades de conservação desempenham um papel central para a proteção da biodiversidade e para as metas climáticas assumidas pelo país.
Autor
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