Impactos da guerra no Oriente Médio se espalham no mundo como uma pandemia, diz secretário das Nações Unidas
Ironicamente, diz Stiell, os efeitos da guerra promovem a aceleração da transição energética
O fato principal
O secretário-executivo das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, Simon Stiell, declarou nesta quinta-feira (30.abr.2026) que os impactos sociais e econômicos da guerra no Oriente Médio se espalharam pelo mundo como uma pandemia.
"A crise dos custos dos combustíveis fósseis agora sufoca a economia global, e a estagflação avança", afirmou durante o 1º de uma série de Diálogos de Alto Nível sobre a Transição Energética, em Paris.
Promovido pela Presidência da COP31 e pela AIE (Agência Internacional de Energia), o encontro é uma preparação para a COP31, a ser realizada em novembro em Antalya, na Turquia.
De acordo com Stiell, a guerra no Oriente Médio leva países a buscar outras formas de produzir energia. Consequentemente, acelera a transição energética.
"Dessa tragédia, uma imensa ironia se revela. Aqueles que lutaram para manter o mundo dependente de combustíveis fósseis estão, inadvertidamente, impulsionando o crescimento global das energias renováveis", afirmou.
Leia o discurso completo
Excelências, amigos.
A guerra no Oriente Médio está causando um terrível número de vítimas em toda a região. Civis sofrendo. Vidas destruídas. Economias estagnadas.
E os brutais impactos sociais e econômicos do conflito se espalharam como uma pandemia por todas as nações – à medida que o caos dos custos dos combustíveis fósseis pressiona os orçamentos de famílias, empresas e governos.
A crise dos custos dos combustíveis fósseis agora sufoca a economia global, e a estagflação avança.
Dessa tragédia, uma imensa ironia se revela.
Aqueles que lutaram para manter o mundo dependente de combustíveis fósseis estão, inadvertidamente, impulsionando o crescimento global das energias renováveis.
No ano passado, o investimento em energia limpa estava previsto para ser o dobro do investimento em combustíveis fósseis.
A geração de energia solar aumentou 600 terawatts-hora em relação a 2024, um aumento colossal – embora a transição ainda seja desigual.
E essa última crise dos custos dos combustíveis fósseis tornou a lógica econômica das energias renováveis impossível de ignorar.
As energias renováveis oferecem energia mais segura, barata e limpa, que não pode ser refém de estreitos canais de navegação ou conflitos globais.
Países como a Espanha e o Paquistão, ricos em energias renováveis, foram protegidos de alguns dos piores impactos desta crise do custo dos combustíveis fósseis.
É por isso que tantos governos estão acelerando seus planos de energias renováveis: para restaurar a segurança nacional, a estabilidade econômica, a competitividade, a autonomia política e a soberania básica.
Aqui na França, o financiamento para a eletrificação está dobrando.
E a China, a Índia, a Indonésia, a Coreia do Sul, a Alemanha, o Reino Unido e outros países deixaram claro que avançar com a transição para as energias renováveis é a pedra angular da segurança energética.
Este é um momento crucial.
Devemos aproveitá-lo para acelerar uma mudança verdadeiramente global.
Assim, quando os países se reunirem na COP33 para responder ao segundo balanço global sobre a ação climática, estarão mais próximos de cumprir os compromissos assumidos no primeiro.
Isso significa que os governos devem ter cuidado para não se apegarem aos combustíveis fósseis a longo prazo enquanto lidam com a crise atual. Romper o vínculo entre os preços da eletricidade e os combustíveis fósseis – para que as energias renováveis de baixo custo reduzam as contas.
E intensificar a cooperação internacional para transformar os compromissos globais em resultados reais na economia – mais rapidamente.
Muitos países em desenvolvimento querem adotar energia limpa e resiliência climática. Mas grandes obstáculos, incluindo a falta de financiamento e as crises da dívida, os impedem.
Precisamos fazer o financiamento fluir rapidamente.
Isso inclui cumprir integralmente e dentro do prazo a Nova Meta Coletiva Quantificada para o financiamento climático e tornar o roteiro para US$ 1,3 trilhão uma realidade.
E precisamos liberar todo o potencial da Agenda de Ação – de forma equitativa, tanto no Norte quanto no Sul globais.
Esta parte essencial do Acordo de Paris reúne governos, empresas, investidores e a sociedade civil para transformar compromissos em projetos em toda a economia real.
Mais imediatamente, devemos nos concentrar nas áreas de maior urgência e impacto:
Em redes e armazenamento – mais investimentos são essenciais para nos levar ao próximo nível da transição para energia limpa.
E reduzir drasticamente as emissões de metano – um gás de efeito estufa extremamente potente – proporcionando benefícios climáticos rápidos e, ao mesmo tempo, economizando dinheiro.
Também devemos estar totalmente focados na segurança alimentar – protegendo as colheitas dos impactos climáticos, já que a guerra agrava a escassez de fertilizantes, ameaçando 45 milhões de pessoas com fome aguda este ano.
Coalizões de pessoas dispostas a agir já estão avançando. Só esta semana, governos e a sociedade civil estão se reunindo em Santa Marta para discutir combustíveis fósseis.
Em setores-chave em toda a Agenda de Ação, a COP31 na Turquia proporcionará um palco global para acelerar o processo.
Precisamos aproveitar este momento. Não temos tempo a perder.
Autor
Jornalista e empreendedor. Criador/CEO do Correio Sabiá. Emerging Media Leader (2020) pelo ICFJ. Cobriu a Presidência da República.
Inscreva-se nas newsletters do Correio Sabiá.
Mantenha-se atualizado com nossa coleção selecionada das principais matérias.