Trump fala que Irã pode ser destruído em 1 dia e ameaça: 'talvez nesta terça'

Trump fala que Irã pode ser destruído em 1 dia e ameaça: 'talvez nesta terça'
Trump conversa com repórteres durante uma coletiva de imprensa na Sala de Imprensa James Brady, na Casa Branca, na segunda-feira, 6 de abril de 2026, enquanto o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, ouvem / Imagem: AP/Mark Schiefelbein
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Fatos que definiram a semana

Eis abaixo uma lista de acontecimentos dos últimos dias, com análise e contexto.

Trump fala em tomar o Irã inteiro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (6.abr.2026) que pode tomar o Irã inteiro na noite desta terça-feira (7.abr).

"O Irã pode ser tomado em uma noite e talvez seja na terça-feira à noite", disse Trump, no início de um pronunciamento na Casa Branca.

A ocasião (terça-feira) coincide com o fim do prazo que Trump deu ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, fechado desde que a República Islâmica foi atacada em 28 de fevereiro numa operação conjunta entre os EUA e Israel. Ormuz é onde passa cerca de 20% do petróleo exportado no mundo.

Trump declarou que vai atacar até a infraestrutura civil, caso o Irã não reabra o Estreito de Ormuz. Ataques assim configuram crime de guerra. (Para dizer o óbvio: não se deve atacar civis –nem na guerra.)

Acordo de trégua foi rejeitado

Trump confirmou que um acordo de trégua não foi alcançado nas negociações. Os termos foram mediados pelo Paquistão. A esse respeito, Trump dá declarações ambíguas.

💡
Enquanto fala de tomar o Irã inteiro, Trump diz que o governo iraniano vem negociando "de boa fé". Mas também fala que o plano de trégua não é bom o suficiente. E abre a possibilidade até de atacar civis. Não se sabe o que pode sair daí. Inicialmente, o presidente norte-americano disse que a ação militar duraria no máximo de 3 a 4 semanas. A guerra já caminha para o dobro de tempo.

O Irã também rejeitou o acordo. O país diz que prefere um fim definitivo da guerra –e não apenas uma trégua.

Nesta imagem fornecida pelo Sepahnews, o site oficial da Guarda Revolucionária Iraniana, são mostrados destroços no local que a TV estatal iraniana afirmou ser a queda de um avião de transporte americano e de dois helicópteros envolvidos em uma operação de resgate, na província de Isfahan, Irã, em abril de 2026 / Sepahnews via AP

Trump diz que quer tomar petróleo do Irã

Não foi a 1ª vez. Trump voltou a dizer que gostaria de tomar o petróleo iraniano:

"Se eu pudesse escolher, eu tomaria o petróleo (do Irã), mas infelizmente os cidadãos norte-americanos querem que a gente termine a guerra", declarou o norte-americano à imprensa durante um evento de Páscoa na Casa Branca nesta segunda.

Lula confirma Alckmin como vice

O cenário eleitoral vai sendo definido. Lula confirmou Alckmin como candidato a vice-presidente em sua chapa. Mas o que isso quer dizer?

Eis a visão do Sabiá:

Lula vem tentando se fortalecer em São Paulo. A ex-ministra Simone Tebet provavelmente será candidata ao Senado por esse estado. Interessante que Tebet saiu do MDB e do Mato Grosso do Sul, estado pelo qual já foi senadora. É bem conhecida do eleitorado, inclusive por ter se candidatado à Presidência em 2022. É uma aposta para Lula ganhar ao menos uma cadeira na Casa e ter mais palanque no estado com o maior colégio eleitoral do país.

A escolha de Fernando Haddad para disputar o governo do estado contra Tarcísio de Freitas também corrobora essa visão. Haddad é experiente, já foi prefeito da cidade de São Paulo, ministro da Educação e da Fazenda e candidato à Presidência pelo PT em 2018, quando Lula estava preso. Disputou narrativas políticas contra Bolsonaro. Mesmo derrotado naquele pleito, "tem casca".

E Alckmin foi governador do estado em diferentes ocasiões. Tem bom trânsito político com setores em que Lula costuma ter maior dificuldade, como o mercado financeiro da Avenida Faria Lima.

Bolsonaro na prisão domiciliar temporária, por 90 dias

Autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, Bolsonaro está em prisão domiciliar.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, falou que estava pegando mal para o STF manter o Bolsonaro preso. De acordo com ele, a população sabe que o Bolsonaro é honesto.

Aliás, o Valdemar participa nesta segunda-feira (30.mar) de um evento do Lide em São Paulo. O Lide é o grupo de líderes empresariais, administrado pelo ex-governador de São Paulo, João Doria. Detalhes abaixo neste conteúdo.

Eleição indireta para governador no Rio

O (agora ex-)governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), foi condenado à inelegibilidade pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Mas faltou definir como deve ser a escolha do sucessor. Opções:

  1. Eleição indireta, sendo a escolha decidida por eleição entre os deputados estaduais; ou
  2. Eleição direta, sendo a escolha decidida pelos eleitores do estado, que iriam excepcionalmente às urnas –poucos meses antes de ir às urnas para fazer a mesma escolha (afinal, em outubro deste ano, um dos cargos elegíveis é o de governador).

Quem vai definir este assunto é o STF (Supremo Tribunal Federal). A tendência é que a decisão seja por uma eleição indireta. Ou seja, a escolha deve ficar com os deputados estaduais.

Mas essa definição passa longe de ser consenso entre os magistrados. Os ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Alexandre de Moraes já disseram preferir um pleito direto.

E agora?

  • A população do Rio segue sem saber quem será o próximo governador.
  • Castro quer recorrer da decisão para manter planos políticos.

Cronologia:

  • Castro renunciou ao cargo no dia 23 de março para evitar sua cassação de mandato.
  • Mas foi condenado mesmo assim, no dia 25 de março.
  • Desde então, o cenário permanece de incerteza. Quem vai ser o próximo governador do estado?
  • O STF marcou para dia 8 de abril o julgamento que deve decidir como fica a escolha do novo governador: direta ou indireta.
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Embora a palavra "cassado" seja usada com frequência para descrever a situação de Castro, o termo não é preciso para este caso. Isso porque o ex-governador renunciou ao mandato. Ele não chegou a ser cassado (seria, mas não foi). O que ocorreu foi uma condenação à inelegibilidade. Por 8 anos. Por abuso de poder político e econômico na eleição de 2022.

Detalhes da condenação: O TSE identificou irregularidades no uso de recursos da privatização da Cedae. Parte do dinheiro teria sido usada para contratar "folhas de pagamento secretas" na Ceperj e na Uerj, beneficiando sua campanha eleitoral.

Atualmente, o cargo de governador do Rio é ocupado de forma interina pelo desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro).

Ele deve permanecer no cargo por um período curto (inicialmente previsto para 30 dias) até que a Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) realize uma eleição indireta para definir quem concluirá o mandato até o fim de 2026.

A sucessão ocorreu desta forma porque o cargo de vice-governador estava vago (Thiago Pampolha foi exonerado anteriormente e rompeu com o governo) e houve um impasse jurídico sobre a presidência da Alerj.

O então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, já estava afastado do cargo por questões judiciais. No dia 25 de março de 2026, ele ainda teve o seu mandato cassado pelo TSE. Isso deixou a chefia do Legislativo oficialmente vaga.

No dia 26 de março de 2026, a Alerj realizou uma eleição extraordinária que elegeu o deputado Douglas Ruas (PL) como novo presidente.

No entanto, poucas horas depois, o TJRJ anulou a sessão, atendendo ao pedido de partidos da oposição, que alegaram descumprimento de normas do regimento interno e falta de debate.

Atualmente, o cenário aguarda uma definição do STF, que marcou para o dia 8 de abril de 2026 um julgamento para decidir se a eleição para o novo governador-tampão será direta (pelo povo) ou indireta (pela Alerj), além de validar ou não os ritos da Assembleia. 

Presidente do Ibama deixa o cargo

O (agora ex-)presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, deixou o órgão na última quinta-feira (2.abr.2026). Portanto, dentro do prazo para poder concorrer na eleição de 2026, que era 3 de abril.

🗳️
A desincompatibilização eleitoral é uma regra prevista na Constituição que fixa prazos para que um determinado servidor deixe seu cargo, a fim de poder concorrer na eleição. Como a eleição está marcada para 4 de outubro de 2026, o prazo para deixar um cargo no Executivo era 4 de abril do mesmo ano.

Recomendações curadas

Lançamos o documentário da nossa expedição ao topo do Monte Roraima –um dos lugares mais remotos do planeta, com uma formação geológica que data de 2 bilhões de anos. Foram 8 dias de trekking, com um mochilão nas costas, sem nenhum sinal de internet. Assista em nosso canal do YouTube.

O canal Curta lançou um documentário para repensar a situação no Oriente Médio, sob a ótica do conflito que envolve principalmente os Estados Unidos, Israel e o Irã. Assista ao trailer no YouTube deles.

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Em inglês, uma plataforma poderosa que usa IA e geojornalismo para reportar e investigar garimpo na Amazônia, considerando todos os países que têm esse bioma. Vale a pena se inscrever na newsletter e acompanhar os relatórios. É um desdobramento de um projeto que envolveu diferentes organizações.

O que ficar de olho

  • Podemos tanto dizer que há uma possibilidade de trégua na guerra no Oriente Médio quanto de uma destruição completa do Irã, incluindo crimes contra civis. Um cenário muito preocupante e com impactos na geopolítica global (e também com impactos econômicos, dada a relevância da região para a exportação de petróleo –mas sempre ressalvamos que não existe nada mais valioso que a vida humana, e é com isso que este jornal mais se preocupa).
  • A eleição já começou, ao menos na organização interna dos partidos, que vêm definindo quem será candidato a quê. Foi assim com as escolhas de Lula para representar seu campo político em São Paulo e vem sendo assim com outras legendas, que aos poucos anunciam seus pré-candidatos. Lembre-se: o prazo para desincompatibilização de cargos terminou no dia 4 de abril de 2026 –6 meses antes da eleição, com 1º turno marcado para 4 de outubro.
  • Delação do banqueiro Daniel Vorcaro? Este assunto segue no radar, porque, a julgar pelo que o noticiário revelou das relações do empresário, tem potencial de citar autoridades de diferentes Poderes da República, incluindo ministros do STF.

Autor

Maurício de Azevedo Ferro
Maurício de Azevedo Ferro

Jornalista e empreendedor. Criador/CEO do Correio Sabiá. Emerging Media Leader (2020) pelo ICFJ. Cobriu a Presidência da República.

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