Pesquisas eleitorais para presidente sobem 75% em 2022

Pesquisas eleitorais para presidente sobem 75% em 2022

Número de pesquisas eleitorais para presidente sobe de 555 para 975 de 2018 a 2022

Aumento corresponde a mais de 75%, conforme dados do TSE apurados pelo Correio Sabiá
Houve salto no número de pesquisas eleitorais para presidente da República em 2022 / Foto: Freepik
Houve salto no número de pesquisas eleitorais para presidente da República em 2022 / Foto: Freepik

Em 2022, foram registradas 975 pesquisas eleitorais para presidente da República no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O aumento é de 75,67% em relação às 555 pesquisas registradas na eleição geral anterior, de 2018. Os dados fazem parte de um levantamento realizado pelo Correio Sabiá.

Eis a lista completa da quantidade de pesquisas conforme cada cargo em disputa na eleição deste ano, considerando o período do dia 1º de janeiro ao 26 de setembro de 2022, no qual foram registrados 2.522 levantamentos no TSE:

  • 1.511 pesquisas para governador;
  • 1.408 para senador;
  • 975 para presidente;
  • 604 para deputado federal;
  • 579 para deputado estadual;
  • 125 para deputado distrital.

A soma dos valores acima é maior do que o número de pesquisas eleitorais registradas (2.522), porque uma mesma pesquisa pode servir para mais de um cargo. Há pesquisas que avaliam, por exemplo, a intenção de voto do eleitor para senador, governador e presidente ao mesmo tempo.

“A disputa [eleitoral] é muito aguerrida, com engajamento imenso. Portanto, há interesse muito grande pelos institutos de pesquisas e pelos principais órgãos da mídia para tentar compreender. O engajamento do eleitor nessa eleição é muito grande. A gente percebe isso – e isso vem, praticamente, desde o mês de julho, agosto… Isso demanda mais pesquisas, novos institutos, etc.”, afirmou ao Correio Sabiá o coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC-MG, Robson Sávio.

Metodologia: O levantamento do Correio Sabiá considerou o calendário eleitoral divulgado pelo TSE para as eleições de 2022, sendo o dia 1º de janeiro de 2022 a data a partir da qual as instituições de pesquisas ficaram obrigadas a registrar os levantamentos no PesqEle (Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais), com até 5 dias antes da data definida para divulgação.

O dia 26 de setembro de 2022 foi o “último dia para o registro (…) das pesquisas de opinião pública realizadas em data anterior ao dia das eleições, para conhecimento público”, levando-se em consideração o 1º turno (no dia 2 de outubro).

Em 2018, não havia uma data limite para registros de pesquisas eleitorais até o 1º turno da eleição. Por isso, para fazer o levantamento, o Correio Sabiá considerou as pesquisas registradas de 1º de janeiro de 2018 a 5 de outubro de 2018 (2 dias antes do 1º turno da eleição daquele ano, realizado no dia 7 de outubro).

Pesquisas eleitorais foram contestadas por leitores do Correio Sabiá em canal de perguntas

Assobio: este texto abaixo NÃO tem caráter de reportagem. Trata-se de um esclarecimento, com fins de transparência entre o Correio Sabiá e seus leitores, a partir de perguntas feitas por 2 leitores diretamente para esta startup. Por considerarmos um assunto pertinente e por acreditarmos que o Jornalismo deve ser feito em contato direto com a audiência, decidimos nos manifestar desta maneira.

O Correio Sabiá publicou na manhã desta quinta-feira (6.out.2022) em seus 18 grupos de WhatsApp, com cerca de 3,5 mil leitores diários no total, a sua tradicional curadoria de notícias que completa 4 anos no final deste mês. Um dos destaques (o 1º deles) foi a pesquisa Ipec divulgada na quarta-feira (5), que mostrava o ex-presidente luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 55% dos votos válidos, à frente do presidente Jair Bolsonaro (PL), com 45%.

Em seguida, o Correio Sabiá foi questionado por 2 leitores sobre o destaque dado à pesquisa eleitoral, considerando que a última edição da mesma pesquisa apresentou considerável discrepância em relação ao resultado das urnas. Outros levantamentos de outros institutos também mostraram inconsistências.

Os 2 questionamentos dos leitores ocorreram no próprio WhatsApp, sendo que um deles foi também formalizado num canal via Google Forms que o Correio Sabiá abriu exatamente para que os leitores (ou ouvintes, já que temos um podcast diário nas principais plataformas de streaming) possam fazer perguntas para nós.

Por causa dessas perguntas, decidimos: escrever este texto, responder publicamente à pergunta feita e repensar a forma como fazemos nosso Jornalismo (convidamos todas e todos a se juntarem a nós), considerando que:

  1. O objetivo desse canal via Google Forms é aumentar a interação com a audiência e melhorar a qualidade da informação, de acordo com as necessidades de cada um;
  2. Feedbacks são ESSENCIAIS para qualquer startup, como é o caso do Correio Sabiá;
  3. Encorajamos todos os leitores e ouvintes a pensarem em como podemos tornar o Jornalismo melhor e mais participativo.
Movimentação de jornalistas no Centro de Divulgação das Eleições, localizado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) / Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Movimentação de jornalistas no Centro de Divulgação das Eleições, localizado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) / Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

‘Por que divulgar pesquisa eleitoral se a última errou?’

Em resposta ao leitor que formalizou a pergunta via Google Forms, dissemos que:

  1. Precisamos pensar a respeito de como informar sobre pesquisas e que, talvez, na edição desta sexta-feira (7), coloquemos uma nota com a observação de que houve pesquisas que erraram ou que mudemos, a partir de agora, nossa maneira de noticiar;
  2. Observamos que se trata de uma pergunta difícil de responder e delicada, uma vez que provoca reflexão sobre o que noticiar e o que não noticiar –ou como noticiar;
  3. Tanto é delicado que, praticamente, não divulgamos pesquisas eleitorais no Correio Sabiá. Inclusive, já comentamos sobre essa opção por não divulgá-las em podcast e numa curadoria de notícias enviado no WhatsApp;
  4. Neste caso, a opção por divulgar a pesquisa ocorreu em exceção daquilo que temos adotado como padrão durante a eleição por ser a 1ª pesquisa divulgada (de um grande instituto) após o 1º turno. Ou seja, “como está o cenário nesse momento de largada do 2º turno?” Os eleitores, tanto de A quanto de B, costumam querer enxergar esse contexto, fizemos essa suposição. Assim, abrimos exceção;
  5. A decisão de noticiar a pesquisa, portanto, ocorreu depois de um processo de reflexão (que não foi nada rápido) desta startup.

Além disso, como fomos perguntados se considerávamos “desinformação eleitoral” a divulgação de uma pesquisa de um instituto que errou em edição anterior, dissemos que não.

Isso porque se trata de informação vinda de “um instituto registrado e com credibilidade, embora os erros de pesquisas possam ocorrem e tenham, sim, ocorrido. Mas até o momento se trata de uma instituição reconhecida”, conforme respondemos ao leitor.

Por fim, falamos que buscaríamos uma solução para reduzir esse impasse e que ainda não temos uma resposta para isso. Deixamos, no entanto, algumas possibilidades em aberto:

  1. Talvez, não divulgar pesquisas (já era, de certa forma, nossa linha editorial);
  2. Talvez, divulgar um compilado de várias pesquisas para ter uma espécie de “curadoria” de pesquisas, com estatística, mostrando uma média de tudo o que apontam os institutos;
  3. Talvez, divulgar pesquisas mas fazendo observações de que erros podem ocorrer (o que já está contemplado, de certa forma, na margem de erro das próprias pesquisas, embora possamos ser mais assertivos em relação a esse aspecto).

Em resumo: considerando o feedback pertinente, o Correio Sabiá se comprometeu a avaliar uma alternativa e, antes de tudo, escrever este artigo para mostrar de forma transparente como fez (e fará) sua produção jornalística, sempre com foco na audiência e considerando e estimulando feedbacks.

Para saber mais sobre as notícias e sobre as nossas iniciativas, continue acompanhando o Correio Sabiá aqui e nas redes sociais (@correiosabia). Fazemos atualizações diárias via site, newsletter e podcast. Sempre de um jeito didático e resumido, para que você realmente entenda o noticiário