Resumo de notícias #758 do Sabiá (12.abr)

Resumo de notícias #758 do Sabiá (12.abr)

Resumo de notícias #758 do Sabiá (12.abr) – Comece o dia voando

Rússia intensifica ataques ao leste para tomar Donbass; Entorno de Bolsonaro questiona Ciro Nogueira
Foto divulgada pelas Forças Armadas da Ucrânia no Facebook / Foto: Reprodução/Facebook
Foto divulgada pelas Forças Armadas da Ucrânia no Facebook / Foto: Reprodução / Facebook

Neste resumo você encontrará alguns desses tópicos:

  • Bombardeio em Kharkiv deixa ‘várias vítimas’, segundo Ucrânia; Rússia intensifica ataques ao leste, com vistas a tomar a região de Donbass; controlar ferrovias é fundamental;
  • Entorno de Bolsonaro questiona Ciro Nogueira, que indicou o presidente do FNDE, fundo suspeito de irregularidades na aplicação de recursos; MDB diz que ‘maioria’ da sigla quer cabeça de chapa; Lula encontra lideranças emedebistas;
  • Greve de servidores do Banco Central continua; Boletim Focus, mais uma vez, não é divulgado; Reunião de servidores com Campos Neto é adiada.

Este resumo foi enviado por volta das 7h para mais de 3,5 mil leitores do Correio Sabiá no WhatsApp. Clique aqui para receber.

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Para ficar de olho hoje:

Agora, pegue seu café e vamos ao resumo de notícias:

Guerra. A Rússia promoveu ontem, ao leste, na região de Kharkiv, um bombardeio que, segundo autoridades ucranianas, “deixou várias vítimas, incluindo uma criança”. A quantidade de vítimas não foi especificada até o fechamento deste resumo.

Já em Mariupol, que está em ruínas. Fica no sudeste. O Exército da Ucrânia alocado na cidade está cercado há 40 dias pelas tropas russas e já está com suas últimas munições. 

Em nota, as Forças Armadas da Ucrânia disseram que ontem, segunda-feira, “provavelmente” seria “a última batalha” desses oficiais. Quem deu esse aviso foi 36ª brigada da Marinha no Facebook. Disseram que seria “a morte para alguns” e o “cativeiro para os demais”.  

Contexto. As tropas russas fizeram um significativo redirecionamento ao leste ucraniano após algumas negociações há cerca de duas semanas, quando anunciaram a redução “radical” dos ataques em Kiev e Chernihiv. Na realidade, os russos também encontraram muitas dificuldades na capital ucraniana.

Com o redirecionamento ao leste, passaram a se concentrar em áreas onde há grupos separatistas pró-Moscou, casos de Luhansk e Donetsk, que foram reconhecidas independentes pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Essas duas cidades, Luhansk e Donetsk, ficam na região de Donbass. Mas os ataques russos não se limitam a essas duas áreas específicas.

Mais. Já em Dnipro, onde um ataque russo com mísseis deixou o aeroporto completamente destruído, as autoridades russas disseram que o local guardava um poderoso sistema antiaéreo.

Donbass. Uma reportagem da BBC Brasil explica por que a Rússia quer tanto dominar essa região, onde há grupos separatistas pró-Moscou. O link dessa reportagem estará na versão da nossa curadoria no site: www.correiosabia.com.br.

A BBC Brasil diz que essa região pode “causar” um prolongamento da guerra na Ucrânia. E, quando falamos de Donbass, estamos falando, é bom lembrar, de uma área que engloba Luhansk e Donetsk, uma antiga região produtora de carvão e aço da Ucrânia.

Desde 2014, as forças ucranianas mais bem treinadas ocupam o leste do país, quando a região da Crimeia foi anexada pelos russos. 

Quando a guerra começou, dois terços dessas regiões ao leste estavam nas mãos da Ucrânia. O restante era controlado pelos separatistas, que criaram pequenos Estados autônomos apoiados pela Rússia durante outra guerra.

Agora, Putin vem repetindo que a Ucrânia é responsável por genocídio no leste do país, essa área que tem conflitos entre o governo ucraniano e separatistas apoiados pelos russos. 

E conquistar a região de Donbass seria a consolidação de algum tipo de êxito na guerra –ainda mais se conquista vier antes do 9 de maio, data do Dia da Vitória, quando as forças armadas da Rússia comemoram a vitória sobre a Alemanha nazista em 1945.

Parte importante para o controle territorial é dominar os meios de transporte. As rodovias são importantes, mas o trem é o mecanismo mais eficaz para as tropas e a artilharia pesada, além de ser também o caminho mais rápido para os civis em fuga. Controlar a rede ferroviária garantiria às forças russas a movimentação de suas tropas e suprimentos.

Diplomacia. Ontem houve uma reunião com aproximadamente 75 minutos de duração entre o chanceler austríaco Karl Nehammer e o presidente russo Vladimir Putin. 

Esse foi o 1º encontro de Putin com um líder da União Europeia desde que a guerra começou no dia 24 de fevereiro. E a conversa não foi amistosa, como o próprio chanceler informou em nota. Inclusive, 75 minutos é um tempo relativamente baixo para os padrões de Putin em reuniões desse tipo.

Contexto. De acordo com o austríaco, a conversa “não foi amigável”. Foi “muito direta, aberta e dura”, apesar de a Áustria ser um país neutro em relação a guerras. O país não faz parte, por exemplo, da Otan, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança militar liderada pelos Estados Unidos. 

Nehammer disse a Putin que a guerra deve “finalmente terminar”, porque só faz “perdedores de ambos os lados”. O encontro entre os 2 constava na Agenda da Semana que publicamos no site do Correio Sabiá. Todos os eventos políticos e econômicos esperados para os próximos dias estão lá.

MEC. O ministro Ciro Nogueira (Casa Civil), senador licenciado pelo PP do Piauí, tem feito o entorno do presidente Jair Bolsonaro (PL) se questionar sobre possíveis danos à imagem de Bolsonaro perto da reeleição por causa das suspeitas sobre o o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), presidido por Marcelo da Ponte, que foi chefe de gabinete de Ciro Nogueira.

Contexto. Nos resumos anteriores, noticiamos a questão todas as suspeitas de irregularidades que envolvem a destinação de recursos do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), vinculado ao MEC (Ministério da Educação).

O FNDE é presidido por Marcelo da Ponte, que foi chefe de gabinete do ministro Ciro Nogueira. Portanto, Nogueira é um dos maiores expoentes do grupo de partidos denominado “Centrão”: legendas mais alinhadas pelo interesse em cargos e verbas do que propriamente por uma afinidade ideológica.

Nogueira é um dos coordenadores da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) à reeleição. O nome dele, na verdade, causa estranhamento em duas espécies de “alas” do governo. Os militares não são simpáticos ao Centrão. Da mesma forma, os bolsonaristas –grupo mais ideológico de suporte ao presidente– também não o são.

Sendo assim, todo esse desgaste que atinge o MEC, o FNDE e, consequentemente, o ministro Ciro Nogueira, faz questionar a presença e influência do chefe da Casa Civil e eventuais danos à imagem de Bolsonaro num momento eleitoral. Por outro lado, existe também a avaliação de que entrar em atrito com o Centrão neste momento seria dar um tiro no pé do próprio governo. Então, segundo reportagem do jornal O Globo, tudo permanece como está neste momento, e Nogueira segue firme no cargo.

Mais. No domingo, o jornal O Globo mostrou que 75% dos recursos destinados pelo FNDE para a compra de caminhões frigoríficos foram para 14 cidades comandadas por prefeitos, justamente, do PP de Nogueira. Dessas cidades, 9 ficam no Piauí, estado pelo qual o ministro foi eleito senador, reduto eleitoral dele. 

Além disso, parte dos prefeitos que foram agraciados com as verbas do FNDE se reuniu com o ministro pouco tempo antes de suas cidades receberem os veículos.

Eleições. O ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), que é cotado como vice numa chapa com a pré-candidata à Presidência Simone Tebet (MDB-MS), afirmou no domingo (10) que está “na pista para negócio”, numa referência à sua possível participação na eleição. Já o ex-governador de São Paulo, João Doria (PSDB), indicou que não abre mão de ser candidato e falou em ”consenso” na 3ª via.

Por outro lado, o presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), escreveu em sua conta no Twitter que “o MDB é um partido democrático” e que “toma as decisões por maioria”. Ele disse que “há meses, mesmo com diferenças regionais, há uma ampla maioria formada a favor da candidatura própria.”

Contexto. O detalhe é que MDB, União Brasil, PSDB e Cidadania anunciaram que vão fazer uma candidatura de consenso da 3ª via, única. Sendo que Doria e Tebet já são pré-candidatos. Algum dos dois teria que abrir mão da cabeça de chapa. No PSDB, Eduardo Leite ainda faz força contra a campanha de Doria. E o União Brasil disse que anunciaria nesta semana um nome para servir de opção.

Mais. Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse ontem que há 90% de chance de que seu vice seja o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e atual assessor da Presidência (sim, após deixar o cargo de ministro, Braga Netto passou a ser assessor da Presidência). 

Bolsonaro ainda declarou ontem que as redes sociais, onde costuma engajar sua militância, “não devem ter limite”. O presidente também voltou a criticar o STF (Supremo Tribunal Federal) e afirmou que a Corte “interfere em tudo o que se possa imaginar”.

Por fim, Bolsonaro também disse que a Petrobras precisava de um presidente “profissional”. Ele teve uma série de atritos com a estatal e seus reajustes de preço com base na cotação do barril de petróleo no mercado internacional, que se traduziram em mais inflação no Brasil. 

Bolsonaro reclama que os problemas das altas de preços da gasolina, do diesel e de outros combustíveis são sempre associados a ele. É uma disputa que o presidente trava há bastante tempo com governadores. E fica cada vez mais delicada à medida em que a eleição se aproxima. 

Bolsonaro queria que a estatal se comunicasse melhor, institucionalmente falando, para explicar como é formada a composição dos preços dos combustíveis.

PT. O Partido dos Trabalhadores (PT) adiou para o dia 7 de maio o lançamento da chapa entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB). O evento seria no dia 30 de abril. 

Para tentar atrair o MDB, Lula jantou ontem em Brasília com lideranças da sigla. Entre elas, o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB-CE). Mais cedo, Lula se reuniu por 1h30 com o ex-presidente José Sarney.

Mais. O PT acionou a PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o presidente Jair Bolsonaro por falas do presidente contra o sistema eleitoral. 

E a AGU (Advocacia-Geral da União) pediu que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) arquive uma representação feita pelo PT contra Bolsonaro e o ex-ministro Milton Ribeiro (Educação) por suposta prática de abuso de poder econômico e político na escolha de quais cidades seriam beneficiadas com a liberação de verbas do MEC (Ministério da Educação).

Greve. Não houve ontem a divulgação do Boletim Focus, relatório que reúne as expectativas dos principais agentes do mercado sobre indicadores econômicos, como a cotação do dólar no fim do ano, a taxa básica de juros (Selic) ou a inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

O motivo de não haver a divulgação, assim como ocorreu na semana passada e como também tem ocorrido com outros dados, é a greve dos servidores do Banco Central –algo que já dura desde 1º de abril e que eu disse aqui que seria um assunto para ficarmos de olho nestes dias.

Mais. Aliás, ontem também ocorreria uma reunião do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, com os servidores para tratar de eventuais reajustes salariais. Só que o encontro foi adiado.

Falando nele, Campos Neto disse ontem que a inflação de 1,62% referente a março, a maior desde 1994, foi uma “supresa”. Ele ainda falou que a inflação “está muito alta”, mas acrescentou que o dólar mais baixo amortece os impactos desse aumento de preços. 

Obituário. Morreu nesta segunda-feira (11) o CEO da BTG Pactual Asset, Eduardo Refinetti Guardia, aos 56 anos. Ele lutava contra um câncer no cérebro e foi ministro da Fazenda nos últimos 9 meses do governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). 

Temer emitiu uma nota, que o Sabiá recebeu de uma pessoa próxima ao ex-presidente pelo WhatsApp. O texto de 3 parágrafos, que reproduzimos na íntegra no Twitter do Correio Sabiá (@correiosabia), dizia que “Eduardo Guardia emprestava aos números uma visão humanitária rara”.

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