Grande preocupação de Netanyahu com a reeleição não são seus adversários políticos, mas sim alguns de seus maiores apoiadores

Existe um prazo (até 8 de setembro) para partidos decidirem se saem da disputa ou se vão adiante sozinhos

Grande preocupação de Netanyahu com a reeleição não são seus adversários políticos, mas sim alguns de seus maiores apoiadores
Um homem tira uma selfie com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante as eleições primárias do partido Likud, antes das eleições gerais de Israel em outubro, em Jerusalém, segunda-feira, 17 de agosto de 2026 / Imagem: AP/Ohad Zwigenberg, Pool
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*Por Josef Federman

O fato principal

Enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, busca a reeleição, sua principal preocupação atualmente não são os seus rivais políticos. São alguns de seus maiores apoiadores.

Uma série de pequenos partidos pró-Netanyahu está concorrendo na disputa que antecede a votação de 27 de outubro de 2026. Mas, em vez de fortalecer o líder israelense, esses partidos — incluindo blocos de linha-dura liderados pelos ministros do gabinete Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, figuras que geram polarização — correm o risco de enfraquecer suas chances de reeleição ao dividir os votos da base do primeiro-ministro.

A eleição é, em grande parte, um referendo sobre os quase 17 anos de governo de Netanyahu e sua gestão de um período turbulento, marcado por protestos em massa, pelos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 e por quase 3 anos de guerra, que deixaram mais de 80 mil palestinos mortos.

Uma vitória marcaria uma continuidade do líder que, atualmente, enfrenta grandes desafios. Já uma derrota, provavelmente, encerraria a trajetória de um homem que moldou a política israelense por 3 décadas.

Mandatos de Netanyahu

  • Primeiro mandato: de 1996 a 1999 (cerca de 3 anos).
  • Segundo período longo: de 2009 a 2021 (12 anos consecutivos).
  • Terceiro período (atual): de dezembro de 2022 até o momento (cerca de 3 anos e meio).

Com seu legado em jogo, Netanyahu pede a seus antigos aliados que se unam em partidos maiores, com mais chances de entrar no Parlamento.

"Quando nos unimos, vencemos. Quando nos dividimos, perdemos", disse Netanyahu ao Canal 14, uma emissora de TV que atua como porta-voz não oficial do primeiro-ministro.

Eis uma análise da situação de Netanyahu, de acordo com a Associated Press:

Formar um governo é complicado

Os eleitores israelenses escolhem partidos políticos, não candidatos individuais.

Os partidos que recebem mais votos garantem mais cadeiras no Parlamento, que conta com 120 membros.

No entanto, qualquer partido que consiga obter apenas 3,25% dos votos conquista representação. Isso significa que mais de uma dúzia de partidos podem compor um determinado Parlamento.

Nenhum partido jamais obteve a maioria parlamentar necessária para formar um governo sozinho. Em vez disso, um líder partidário — geralmente o chefe do maior partido — forma uma coalizão com parceiros menores para garantir uma maioria de 61 cadeiras.

Atualmente, Netanyahu lidera uma coalizão de partidos religiosos e ultranacionalistas.

Coalizão em fim de mandato enfrenta um desafio

Pesquisas de opinião indicam que Netanyahu e membros de sua coalizão atual enfrentam um descontentamento generalizado da população ao buscarem a reeleição.

A popularidade do governo sofreu um desgaste após os ataques do Hamas — os mais letais da história de Israel, com cerca de 1.200 mortos — e as guerras subsequentes e inconclusivas em Gaza, no Líbano e com o Irã.

Agora, as perspectivas de Netanyahu podem ser ainda mais enfraquecidas por divisões em sua base de linha-dura.

Dois partidos que concorreram juntos nas eleições de 2022 — o Sionismo Religioso, de Smotrich, e o Poder Judaico, de Ben-Gvir — rejeitaram, até o momento, os apelos de Netanyahu para uma nova fusão, devido às relações conturbadas entre os 2 líderes.

Paralelamente, partidos menores liderados por ex-integrantes do Likud (partido de Netanyahu) e outra lista formada por um general reformado de linha-dura disputam os mesmos eleitores. Esses partidos se diferenciam mais pelas personalidades de seus líderes do que por suas ideologias.

Cláusula de barreira

Se algum desses partidos menores não conseguir entrar no Parlamento, seus votos serão perdidos e as perspectivas de reeleição de Netanyahu, prejudicadas.

O fato de partidos pequenos não terem atingido a cláusula de barreira contribuiu para a derrota de Netanyahu na eleição de 2021, enquanto rivalidades entre seus oponentes levaram ao seu retorno ao poder em 2022.

Por esse motivo, Netanyahu tem instado seus aliados ideológicos a se unirem em blocos maiores. Isso exigiria alguns sacrifícios individuais, mas aumentaria as chances de superarem a cláusula de barreira e integrarem outro governo liderado por ele.

Em um pequeno impulso para Netanyahu, um dos partidos menores concordou, na quarta-feira, em ser incorporado à lista de Smotrich.

Os partidos têm até 8 de setembro para se consolidar, retirar-se da disputa ou seguir sozinhos. A decisão deles pode selar o destino de Netanyahu.

Com o tempo se esgotando, Netanyahu tem intensificado seus apelos, utilizando uma linguagem cada vez mais alarmista.

Em entrevista ao Canal 14, ele disse a uma plateia entusiasmada no estúdio que apenas ele poderia derrotar o Hamas e impedir a criação de um Estado palestino. Ele alertou que uma vitória de seus oponentes — a quem chama, de forma depreciativa, de "a esquerda" — seria desastrosa para o país.

"A esquerda está pronta", disse ele. "Se não nos unirmos, perderemos."

Autor

Associated Press
Associated Press

Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

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