'O Agente Secreto' iguala recorde brasileiro com 4 indicações ao Oscar
Cerimônia de premiação ocorre no dia 15 de março de 2026
*Por Eléonore Hughes
O fato principal
Indicado a 4 categorias do Oscar (melhor filme, melhor ator, melhor filme internacional e melhor elenco), o filme “O Agente Secreto” igualou o recorde de indicações do Brasil nesta quinta-feira (22.jan.2026), ao lado do famoso “Cidade de Deus”, de 2002, ambientado em uma favela do Rio de Janeiro.
O filme
Interpretado pelo ator Wagner Moura, o longa acompanha um professor e pai viúvo que se torna alvo da ditadura militar brasileira nos anos 1970 simplesmente por enfrentar um empresário ligado ao regime.

O diretor Kleber Mendonça Filho afirmou que mais de 1 milhão de espectadores já tinham visto o filme, em vídeo publicado nas redes sociais após o anúncio das indicações.
No ano passado, 2025, o longa brasileiro “Ainda Estou Aqui” também foi um sucesso de bilheteria. Levou milhões de pessoas aos cinemas. A produção foi indicada em 3 categorias e venceu o Oscar de melhor filme internacional, dando ao Brasil sua 1ª estatueta.
Após o sucesso em 2 anos consecutivos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a indústria audiovisual nacional vive “um dos melhores momentos de sua história”.
As indicações são “reconhecimento da nossa cultura e da capacidade do Brasil de contar histórias que emocionam o mundo”, escreveu ele nas redes. sociais
“Ainda Estou Aqui” também se passa durante a ditadura, e observadores afirmam que ambos os filmes têm contribuído para um debate nacional sobre o período sombrio da História do país, de 1964 a 1985, quando pessoas foram torturadas e desapareceram.
Depoimentos sobre a ditadura
Lúcia Espírito Santo, advogada aposentada de 78 anos, disse que precisou vigiar o que falava quando estudava Direito, com medo de desaparecer.
“O que vemos no filme acontecia muito. As pessoas desapareciam e você não sabia por quê. Amigos meus da faculdade desapareceram porque se manifestaram, defendiam a liberdade e a democracia”, relatou, ao sair da sessão.
Sabrina Guimarães, estudante de 20 anos de uma universidade do Rio de Janeiro que assistiu ao filme na quinta-feira (22), disse que conhecer a História do país é essencial.
“Mesmo que a gente aprenda isso na escola, não é algo em que passamos muito tempo e não é muito específico. Ter a sensação de estar no lugar da pessoa, sabendo o que acontecia naquela época, é muito interessante”, afirmou.
“É bom entender o que aconteceu no passado para que a gente não repita essas coisas no futuro", acrescentou.
Mendonça Filho disse que o filme é uma reação à turbulência política do Brasil na última década, incluindo o governo de extrema direita do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe.
O diretor declarou que o longa também dialoga com o clima político em outros lugares do mundo em entrevista na quinta-feira (22).
“O filme é muito brasileiro, mas também é universal, então pode ser usado para discutir questões nos Estados Unidos, na Europa ou no Brasil. O tema do poder sendo usado para esmagar pessoas e classes sociais é atual, não apenas histórico”, disse o diretor.
Apoio ao cinema brasileiro
O diretor de casting Gabriel Domingues, indicado na nova categoria de melhor elenco, disse que a onda de apoio ao filme reflete um entusiasmo mais amplo com o cinema brasileiro.
“O cinema brasileiro está realmente em um momento de emoção intensa, para além da animação. As pessoas ficam muito comovidas com essa participação em eventos e prêmios internacionais”, afirmou Domingues, comparando o clima ao que se vê no país em torno do futebol.
Ana Paula Sousa, especialista em cinema e professora da ESPM em São Paulo, disse que as conquistas de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” estão mudando a relação dos brasileiros com a indústria cinematográfica em um país onde a frequência a salas de cinema é historicamente baixa.
“As pessoas estão falando de cinema brasileiro e achando legal falar sobre isso. (…) Isso é algo que não víamos antes, e é muito bom”, afirmou.
Sousa disse esperar que esses sucessos estimulem uma ida ainda mais constante dos brasileiros ao cinema.
Espírito Santo, a espectadora idosa no Rio, disse estar extremamente orgulhosa do cinema brasileiro após as indicações ao Oscar.
“Estamos aparecendo, pisando no tapete vermelho lá fora. O Brasil está começando a se mostrar como produtor de filmes, de histórias bem contadas”, disse.
*Tatiana Pollastri colaborou com esta reportagem de São Paulo.
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