Luciana Déda, do PDT, quer ser vice em chapa com PSD

Luciana Déda, do PDT, quer ser vice em chapa com PSD

Sobrinha de ex-governador de Sergipe, Luciana Déda, do PDT, quer ser vice em chapa com PSD

Sobrinha de governador do PT, advogada disse ao Correio Sabiá que ‘chegou a hora’ de concorrer na eleição
A advogada Luciana Déda (PDT) filiou-se ao PDT perto do prazo final permitido pela Justiça Eleitoral para disputar cargos públicos / Foto: Divulgação
A advogada Luciana Déda (PDT) filiou-se ao PDT perto do prazo final permitido pela Justiça Eleitoral para disputar cargos públicos / Foto: Divulgação

Sobrinha do ex-governador de Sergipe Marcelo Déda (PT), a advogada Luciana Déda (PDT), 43 anos recém-completos (fez aniversário no último dia 16), afirmou em entrevista exclusiva ao Correio Sabiá que pretende se lançar na política neste ano. Uma opção: vice na chapa com o deputado federal Fábio Mitidieri (PSD) para concorrer ao governo do estado.

Déda concedeu a entrevista ao Correio Sabiá no dia 9 de maio deste ano, e Mitidieri lança nesta segunda-feira (23.mai.2022) a sua pré-candidatura ao governo de Sergipe para tentar suceder o seu correligionário e governador do estado Belivaldo Chagas (PSD).

Já a filiação de Luciana Déda ao PDT ocorreu perto do prazo final dado pela Justiça Eleitoral para que interessados em disputar as eleições de outubro pudessem se filiar aos partidos políticos. O convite de ingresso na sigla partiu do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT), que deve ser o responsável pela indicação a vice na chapa de Mitidieri. Daí os rumores de Déda ser a vice.

Até a decisão de entrar na política, Luciana Déda presidiu a FSPH (Fundação de Saúde Parreiras Horta), instituição ligada à Secretaria Estadual de Saúde; foi diretora de Atendimento do Detran (Departamento Estadual de Trânsito); e atuou como secretária-adjunta na Secretaria de Justiça do Estado. 

“Acho que chegou o momento, depois desses 9 anos, de me filar ao partido [PDT] e colocar meu nome à disposição do grupo para que eu seja indicada a um cargo que possa concorrer e prestar serviços à população”, declarou ao Correio Sabiá.

A estratégia de colar o nome de Marcelo Déda, figura do PT, ao escolhido do PSD para disputar o Palácio Augusto Franco, sede do governo de Sergipe –assim como a indicação de Luciana Déda, ora no PDT–, não foram bem vistos pela família do ex-governador sergipano e, principalmente, por petistas ligados ao senador Rogério Carvalho (PT-SE), que pretende concorrer ao governo do estado. 

Em resposta, o nome da jornalista Yasmin Déda, filha de Marcelo, passou a ser cotado para a vice de Carvalho, numa tentativa de captar a herança política do ex-governador. Perguntada pela reportagem sobre esse movimento, Luciana Déda declarou que não existe nenhum tipo de rivalidade familiar e que sua prima tem o direito de ser respeitada pelas posições que defende, assim como ela. 

“Da minha parte não existe rivalidade nenhuma, até porque vivemos em uma democracia, as pessoas têm direitos de se filiarem e se candidatarem aos cargos que acham que coadunam com suas ideologias. Familiarmente não há qualquer tipo de problema”, disse.

Mesmo que a indicação a vice não vingue, a ex-presidente da FSPH admite que seu futuro nas eleições deste ano está nas mãos do grupo, que decidirá se ela disputa ou não uma por uma vaga na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) ou até mesmo na Câmara dos Deputados. 

“Eu tenho esse desejo de servir à população, não importa de qual forma for, em um cargo eletivo ou no serviço público, mas é aquilo que me realiza. Porém, existe uma liderança partidária, que a gente respeita as decisões. Então, estou aguardando a manifestação do prefeito Edvaldo Nogueira para que a gente possa conversar”, comentou.

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Principais trechos da entrevista de Luciana Déda ao Correio Sabiá

Veja abaixo a entrevista completa de Luciana Déda ao Correio Sabiá, concedida no dia 9 de maio de 2022 ao repórter colaborador Wendal Carmo:

Correio Sabiá: A senhora ostenta um nome reconhecido em Sergipe pela atuação na Fundação Parreira Horta. Por que deixar este campo pelo qual transita com facilidade e ir para a política?

Luciana Déda: Na verdade, eu acho que todos nós vivemos a política diariamente nas nossas relações cotidianas. O serviço público me deu uma bagagem diferenciada no sentido de que eu me realizei e me encontrei nesta questão de estar junto à população, na questão de prestar o serviço ao povo. Naturalmente, eu acho que é uma via natural quando você se sente realizada no sentido do bem comum, porque a política é instrumento que traz essa proximidade com o povo.

Eu venho de uma família que tem origem no campo político tanto da parte materna, quanto da paterna. Não a política partidária apenas, mas meu pai também foi um advogado à época que cuidava dos Direitos Humanos e hoje um julgador, mas que sempre esteve à par dessas questões sociais e políticas. Então eu, em um primeiro momento, não me sentia com bagagem para [ingressar na] seara da política partidária e não queria me filiar. 

Por que o PDT?

Durante esses 9 anos não fiz nenhum tipo de filiação, até para que as pessoas não associassem apenas à política a questão do meu sobrenome, mas que me vissem também como mulher, como uma pessoa que estava pautando seu espaço no serviço público, mas acho que chegou o momento, depois desses 9 anos, de me filiar ao partido [PDT] e colocar meu nome à disposição do grupo para que eu seja indicada a um cargo que eu possa concorrer e prestar serviços à população.

Seu tio, o ex-governador Marcelo Deda, figura até hoje como um dos quadros históricos no PT no estado. Não esteve no radar sua filiação ao Partido dos Trabalhadores?

Primeiro, nunca houve nenhum tipo de convite formal para se filiar ao Partido dos Trabalhadores, apenas algumas conversas informais com Eliane [Aquino, vice-governadora de Sergipe] no final de semana, mas nada concreto. Edvaldo [Nogueira, prefeito de Aracaju] me fez o convite para estar no PDT, é um político o qual admiro e que sempre teve essa referência com tio Marcelo [Deda, ex-governador de Sergipe], na luta pela democracia e nas lutas estudantis, um exímio gestor. Não vejo nenhuma incompatibilidade estar filiada ao PDT, até porque o PT também esteve com o governo por todo esse tempo, mas no cenário atual, por questões pessoais e foro íntimo, nem fui convidada nem estaria ao lado de Rogério Carvalho [senador, pré-candidato ao governo do Estado]. 

Qual sua expectativa em relação ao pleito deste ano?

Eu faço parte do PDT, do grupo que apoia o pré-candidato Fábio Mitidieri [deputado federal pelo PSD]. Apesar de ser jovem tem muita experiência na política, tem muito a somar, a ideologia que ele vem buscando, de participação do povo, de entender as necessidades da população sergipana, se coadunam. Eu vejo em Fábio e no grupo que eu apoio a possibilidade de fazer Sergipe [um estado] cada vez melhor. 

Seu nome é cotado para a vice do pré-candidato Fábio Mitidieri. Quem a indicaria seria o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira. A senhora foi procurada para tratar desse tema?

Eu sou do PDT, a indicação [da vice na chapa encabeçada por Mitidieri] é, sim, do prefeito Edvaldo Nogueira, meu nome está à disposição do líder do partido. Caso seja eu a escolhida ficarei muito lisonjeada porque Fábio, como disse antes, é alguém [em quem] eu acredito e acho que pode, sim, fazer um Sergipe melhor.

Este também é um momento em que as mulheres buscam um espaço maior no cenário político, então eu ficaria muito feliz, mas essa indicação cabe ao prefeito Edvaldo Nogueira, que é o líder do partido, e assim como existe o meu nome, existem outros nomes. Mesmo assim, eu me coloco à disposição do partido, e que seja escolhido o melhor nome para compor a chapa. 

Sendo indicada, está preparada para assumir esse desafio?

Eu vejo a política com olhar de amor e de vocação, isso corre em mim, é o que amo fazer, é o que gosto de fazer, porque a política é o serviço ao bem comum, é servir a população, é onde me realizo. Sou advogada de formação, também já tive a oportunidade de advogar no escritório da família, mas onde me encontro é servindo ao povo, servindo à população, porque eu acho que a política é um grande instrumento do bem comum, então eu ficarei muito lisonjeada.

Diante da bagagem que absorvi durante esses 9 anos posso me apresentar [como candidata], no sentido de ter um olhar próximo à população, como foi na Fundação Parreira Horta, no Detran, na Secretaria de Justiça, de estar na ponta e ouvir a população. Esse tempo que eu estive no serviço público meu deu essa bagagem e a política é mais um instrumento do bem comum, de servir ao próximo. Então, eu me sinto, sim, preparada, disposta a somar diante das experiências que tive.

Logo quando seu nome começou ser ventilado para a vice de Mitidieri, setores do PT passaram a defender o nome da sua prima, Yasmin Déda, para a vice de Rogério Carvalho. Seria uma forma de demarcar a verdadeira Déda e utilizar o fator familiar como forma de rivalizar. Como vê esse movimento?

Da minha parte não existe rivalidade nenhuma, até porque vivemos em uma democracia, as pessoas têm direitos de se filiarem e se candidatarem aos cargos que acham que coadunam com suas ideologias. Familiarmente não há qualquer tipo de problema. Você pode divergir politicamente e ter uma relação respeitosa, amistosa. Não tenho que emitir qualquer parecer com relação a decisões pessoais de qualquer pessoa, de minha prima ou de quem quer que seja.

As pessoas têm direito de se filiar, assim como eu tenho de entender que o melhor caminho foi o que eu escolhi, que foi me filiar ao PDT, de existir uma impossibilidade pessoal de estar com Rogério Carvalho, e não se pode entender diferente. Então, o respeito deve pautar as relações e da minha parte não há nenhum tipo de rivalidade pessoal. Há diferenças de pensamentos que merecem ser respeitadas. 

Por que a senhora se considera uma “Déda raiz”, como tem dito?

Porque eu não tenho como fugir. Minha irmã, minha mãe é Maria do Carmo Déda, que nasceu irmã de Marcelo Déda Chagas, filha de Zilda e Manoel Celestino e neta de Zeca Déda. Eu não tenho como rasgar minha identidade, nem tenho pelo quê fazer isso, porque eu tenho o maior orgulho não só de Marcelo Déda, mas de Artur Oscar de Oliveira Déda, que foi um grande jurista, um catedrático da área jurídica, meu bisavô Zeca Déda, então eu não tenho como fugir. É a minha raiz.

Por que eu teria que esconder as minhas raízes, as quais tanto me orgulham? Eu tenho orgulho das minhas raízes que se fazem de diversos homens públicos, homens decentes, de bem. Mas mesmo assim eu busquei a minha identidade, passei nove anos no serviço público sem qualquer apadrinhamento político, fazendo uma gestão técnica para que hoje eu pudesse me sentir como mulher, como ser humano realizado, fazendo aquilo que amava. 

Fachada do Congresso Nacional / Foto: Pedro França/Agência Senado
Luciana Déda disse que não descarta concorrer à Câmara, caso não segue escolhida como vice na chapada de Mitidieri / Foto: Pedro França/Agência Senado

Não sendo indicada a vaga de vice, há possibilidade de a senhora disputar uma cadeira na Alese ou até mesmo na Câmara dos Deputados?

Meu nome está à disposição do partido, não só existe o cargo de vice-governadora, existem também outros nomes no partido, essa é uma decisão de agrupamento, a indicação é do líder Edvaldo Nogueira. Caso não seja indicada, diante da posição democrática que ele tem, nós sentaremos e conversaremos entre os filiados do PDT para decidir o melhor caminho.

Eu tenho esse desejo de servir à população, não importa de qual forma for, em um cargo eletivo ou no serviço público, mas é aquilo que me realiza. Porém, existe uma liderança partidária, que a gente respeita as decisões. Então, estou aguardando a manifestação do prefeito Edvaldo Nogueira para que a gente possa conversar. 

O ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, tem ostentado o nome do presidente Jair Bolsonaro – e por isso vem pontuando bem nas pesquisas. Qual a avaliação que a senhora faz acerca da colocação do Mitidieri nos levantamentos de intenção de voto e, em sua opinião, em qual presidenciável o pré-candidato pretende colar sua imagem?

Eu não posso falar por [Fábio] Mitidieri. Essa pergunta ele pode responder melhor do que eu. Eu sou filiada ao PDT, e o meu partido tem um candidato a presidente. Isso acontece em vários cenários das unidades da federação, em que partidos que compõem um grupo têm um candidato à presidência [da República]. Então, acho que as pesquisas nem sempre condizem com o que realmente acontece. Às vezes é um momento que você pega somente uma parte daquele percentual de análise.

Eu vivi a política, vivi dentro da política. Meu tio [Marcelo Déda] já teve situações em que ele era o 3º [colocado na disputa pelo governo de Sergipe] e ganhou no 1º turno. É muito recente [falar em desempenho da pré-campanha pelas pesquisas]. Acho que Fábio é um nome robusto, que tem muito apoio das lideranças, é um pré-candidato de peso, então, eu não faço julgamentos antecipados, até porque, como diria meu tio Marcelo, política só se ganha quando o último voto da urna é contado.

O seu partido, o PDT, tem candidato próprio à presidência da República, e o PSD, do pré-candidato Fábio Mitidieri, também busca um nome para lançar na disputa pelo Planalto. Como fica essa equação aqui em Sergipe?

Da mesma forma que fica em diversos outros Estados, com vários partidos que têm candidato à presidente apoiando um nome no seu estado. Não há nenhuma incongruência nem incompatibilidade do meu partido [PDT] que apoia Ciro [Gomes] apoiar Fábio [Mitidieri], [cujo partido] tenha outro candidato à presidência [da República]. Isso não ocorre só aqui, como ocorre em outros lugares. Então não há nenhuma incompatibilidade em relação a isso. Agora eu, enquanto PDT, tenho um candidato à presidência chamado Ciro Gomes. 

Ídolo: Jesus Cristo

Um livro de cabeceira: O Evangelho

Um sonho: Continuar servindo ao povo de Sergipe

Uma frase: “Quando fores colher sorrisos, lembre-se de mim” – Marcelo Déda

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