Inquérito pós-eleitoral na Tanzânia revela que 518 pessoas morreram na violência de 2025

Número tende a ser ainda maior. Comissão instaurada após o pleito culpou os manifestantes.

Inquérito pós-eleitoral na Tanzânia revela que 518 pessoas morreram na violência de 2025
A presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, discursa durante um comício de campanha em Iringa, Tanzânia, em 5 de outubro de 2025. (Foto AP, Arquivo)

O fato principal

Ao menos 518 pessoas morreram na violência pós-eleitoral de 2025 na Tanzânia, que ocorreu em meio a um bloqueio da internet, conforme informou na última quinta-feira (23.abr.2026) uma comissão formada para investigar o derramamento de sangue.

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Além dos mortos, milhares de pessoas ficaram feridas na violência, que teve mais de 800 pessoas baleadas.

O presidente da comissão, Mohamed Chande Othman, disse que o número de mortos provavelmente é maior, porque algumas famílias enterraram seus entes queridos sem levar os corpos para o necrotério.

A Tanzânia foi palco de violência pós-eleitoral em 29 de outubro de 2025, depois que jovens foram às ruas, acusando o governo de silenciar a oposição, enquanto o líder do principal partido oposicionista do país permanecia preso por traição e o candidato presidencial do 2º maior partido de oposição foi impedido de concorrer.

A internet foi bloqueada no país por dias, uma medida pela qual a presidente Samia Suluhu Hassan posteriormente pediu desculpas à comunidade diplomática e prometeu que nunca mais se repetiria.

Hassan buscava um 2º mandato após o término do mandato de seu antecessor, John Magufuli, que faleceu durante o exercício do cargo. Hassan venceu com 97% dos votos. Observadores internacionais afirmaram que a eleição não foi livre e justa.

Othman recomendou que uma investigação mais aprofundada fosse conduzida sobre o uso de armas de fogo, visto que algumas testemunhas relataram à comissão que seus parentes foram baleados enquanto estavam dentro de suas casas.

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Desde a violência, 245 pessoas permanecem desaparecidas, e 39 famílias relataram ter visto os corpos de seus entes queridos em necrotérios antes de desaparecerem. A comissão descartou a existência de valas comuns, conforme alegado por grupos de direitos humanos.

Comissão diz que manifestações foram 'atos de violência'

A mesma comissão que negou a existência de valas comuns concluiu que as manifestações não foram pacíficas, mas sim "atos de violência".

Isso porque, segundo a comissão, houve violação às leis do país, que exigem um aviso prévio de 48 horas à polícia antes de realizar manifestações.

Outra violação teria sido a realização dos atos 1 dia antes da eleição, o que teria impedido alguns cidadãos de exercerem o direito ao voto.

Othman recomendou que uma investigação mais aprofundada fosse conduzida sobre o uso de armas de fogo. E afirmou que os protestos foram planejados e coordenados por pessoas recrutadas e treinadas.

O objetivo, segundo Othman, seria confundir a polícia a partir de atos violentos em vários locais ao mesmo tempo.

Hassan disse que as conclusões da comissão orientarão as emendas constitucionais e prometeu a criação de uma comissão de reconciliação.

A presidente também anunciou a formação de um órgão de investigação criminal para analisar os distúrbios pós-eleitorais.

Ela afirmou que o órgão identificará os responsáveis ​​pelo planejamento, financiamento e envolvimento em atos criminosos, como saques e danos à infraestrutura. Também investigará relatos de corpos desaparecidos e alegações de sequestros.

Autor

Associated Press
Associated Press

Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

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