Por que Minas Gerais é um estado-chave na eleição presidencial?

Por que Minas Gerais é um estado-chave na eleição presidencial?
Entenda como Minas Gerais é um estado chave na vitória da eleição presidencial.. Foto: Abdias Pinheiro/TSE

Entenda por que Minas Gerais é um estado-chave na eleição presidencial

Todos os presidentes eleitos no país desde 1989 venceram no estado considerado ‘síntese do Brasil’
Entenda como Minas Gerais é um estado chave na vitória da eleição presidencial / Foto: Abdias Pinheiro/TSE.
Entenda como Minas Gerais é um estado-chave na vitória da eleição presidencial / Foto: Abdias Pinheiro/TSE.

Segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais é considerado uma “síntese do Brasil” por questões econômicas, demográficas e geográficas, entre outros fatores, que se assemelham a uma amostragem representativa do que é o Brasil e de como vota o eleitor.

Com uma área de 586.520,732 km², Minas Gerais faz fronteira com 7 estados de 3 regiões do país: Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul), Nordeste (Bahia) e todos os outros estados da região Sudeste (Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo).

“Quando [o escritor] Guimarães Rosa diz que Minas são muitas, é porque o estado de Minas Gerais é essa diversidade. Ele está bastante correto na sua visão se a gente for pensar do ponto de vista demográfico, da multiplicidade, da sua cultura e da diversidade da população mineira”, disse o coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas, Robson Sávio, ao Correio Sabiá.

Não à toa, desde a redemocratização em 1985, todos os presidentes eleitos no país também venceram em Minas Gerais: Fernando Collor (1989), Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998), Luiz Inácio Lula da Silva (2002 e 2006), Dilma Rousseff (2010 e 2014) e Jair Bolsonaro (2018). Daí a máxima “quem vence em Minas, leva o país”.

“Nós temos algumas formas dentro de Minas Gerais: uma espécie de um retrato, um espelhamento dessa diversidade que é a cultura brasileira. E, do ponto de vista demográfico e da diversidade cultural, obviamente, isso vai espelhar de alguma forma, também, as preferências políticas. Então, nesse sentido, acho que não é uma coincidência o fato do resultado de Minas Gerais espelhar um pouco do resultado nacional”, declarou Sávio.

O coordenador da PUC de Minas Gerais ainda analisou o estado mineiro a partir de recortes por regiões:

“O norte de Minas tem uma cultura que é muito próxima da cultura nordestina, não somente da Bahia. O Triângulo Mineiro está muito próximo dessa cultura do Centro-Oeste do Brasil, principalmente do agronegócio. Se você pega o Sul de Minas, tem uma cultura muito próxima de São Paulo e, principalmente, do interior de São Paulo e do espelhamento desse modo de vida. A Zona da Mata reflete muito a cultura próxima ao Rio de Janeiro e, de alguma forma, quando você pega a região de Juiz de Fora, Muriaé, entrando um pouco também alguma coisa da cultura litorânea, não somente o Rio de Janeiro, mas também do Espírito Santo”.

Apesar dessa multiplicidade e diversidade dentro de Minas Gerais, Sávio também mencionou que uma parte do estado tem suas próprias particularidades:

“O centro de Minas, a Região Metropolitana e talvez o Vale do Aço é que têm uma cultura bastante própria, uma cultura complementar a essas outras mineiridades”.

Além da representatividade do eleitorado brasileiro, o estado mineiro também concentra grande parte dos eleitores do país: 10,65% dos brasileiros que votaram na última eleição presidencial, em 2018, estavam em Minas Gerais, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Em números absolutos, foram mais de 15,7 milhões de eleitores em Minas Gerais (15.700.966) de um total de aproximadamente de 147,3 milhões de eleitores (147.306.275). 

Em 2022, Minas Gerais terá mais de 16,2 milhões de eleitores aptos a votar (exatamente 16.290.870), de um total de quase 156,5 milhões de eleitores brasileiros (156.454.011), o que representa 10,41% do eleitorado nacional, segundo dados do TSE.

Por essas e outras, o Correio Sabiá destrincha neste artigo, especificamente, Minas Gerais. Nesse sentido, conhecer o estado mineiro é uma maneira de saber mais sobre como vota e pensa o eleitor brasileiro. É também uma forma de fazer você entender melhor o noticiário eleitoral.

Eleições 2022: disputa presidencial influencia movimentos políticos em Minas Gerais

Na pesquisa Datafolha, divulgada em 1º de julho, o pré-candidato e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderava a disputa em Minas Gerais, com 48% da preferência dos votos, contra 28% do presidente e pré-candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). Essas intenções de voto na esfera nacional influenciam as movimentações políticas pelo Palácio Tiradentes, sede do governo de Minas Gerais, de acordo com o coordenador da PUC-MG.

“Inclusive, sob o ponto de vista de análise política, há uma tendência, principalmente, com esse movimento que aconteceu agora do [governador de Minas Gerais, Romeu] Zema [Novo], justamente por perceber esse movimento de Minas Gerais em apoio ao ex-presidente Lula, não querer ter esse apoio explícito ao Bolsonaro”, afirmou Sávio.

No dia 2 de agosto, Bolsonaro decidiu apoiar a candidatura do senador e pré-candidato ao governo de Minas Gerais Carlos Viana (PL-MG). Essa mesma pesquisa Datafolha mostra que:

  • o atual governador Romeu Zema, apoiado pelo pré-candidato à Presidência Felipe D’Avila (Novo), lidera a disputa com 48% dos votos;
  • o pré-candidato e ex-prefeito de Belo Horizonte (MG), Alexandre Kalil (PSD), que é apoiado por Lula (PT), tem 21%;
  • já o senador Carlos Viana (PL-MG) aparece em 3º lugar, com 4%.

Historicamente, Zema sempre foi um governador próximo de Bolsonaro. No entanto, Sávio disse acreditar que a disputa estadual deve se fragmentar com o apoio do presidente a Viana, o que tende a levar a disputa ao 2º turno:

“Apesar de [Zema] ter sido um governador bolsonarista o tempo todo, ao ter aparecido um 3º candidato, [o senador] Carlos Viana [PL, partido do presidente Jair Bolsonaro], a tendência muito forte é de ter uma divisão do eleitorado mineiro no plano estadual. No plano federal, muito provavelmente, Minas vai acompanhar um pouco a preferência do Brasil em relação ao Lula. Mas, no plano local, muito provavelmente, o que vai acontecer com essa definição de um palanque para Bolsonaro em Minas Gerais é que isto levará a um 2º turno aqui em Minas Gerais.”

Em 2022, Minas Gerais terá 16.290.870 eleitores aptos para votar na eleição, 10,41% do eleitorado nacional. Foto: Arquivo/EBC
Em 2022, Minas Gerais terá 16.290.870 eleitores aptos para votar na eleição, 10,41% do eleitorado nacional. Foto: Arquivo/EBC

Dados socioeconômicos de Minas Gerais

PIB

O PIB (Produto Interno Bruto) de Minas Gerais em 2021 foi de R$ 805,5 bilhões, sendo que a indústria e o setor de serviços foram os setores que mais avançaram na economia mineira no último ano. Os dados são da Fundação João Pinheiro, que faz o cálculo oficial do estado.

O PIB mineiro representa 9,3% do PIB de todo o Brasil, que foi de R$ 8,7 trilhões, em 2021, segundo o IBGE. Os mesmos setores que alavancaram a soma das riquezas em Minas também foram os mesmos do país.

Demografia e geografia

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2019, Minas Gerais tem mais de 21,4 milhões de habitantes (21.411.923), de um total de 213 milhões de brasileiros (213.317.639). É o estado com o maior número de municípios: 853 de 5.570.

A área total de Minas Gerais é de 586.520,732 km², sendo que o estado faz divisa com outros 7 entes da federação: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.

IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)

No último Censo, em 2010, o IDH de Minas Gerais foi de 0,731, o 9º do Brasil. O IDH analisa o progresso a longo prazo em 3 dimensões básicas do desenvolvimento humano: renda, educação e saúde.

A referência numérica do IDH varia entre 0 e 1. Quanto mais próximo de zero, menor é o indicador e, quanto mais próximo de 1, melhores são as condições para esses 3 quesitos.

Segundo o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) de 2019, da ONU (Organização das Nações Unidas), o IDH brasileiro é de 0,765, o 84ª lugar entre 189 países.  

Em 2014, os candidatos a presidência, Dilma (PT) e Aécio (PSDB) que disputaram o segundo turno, são nascidos em Minas Gerais. Foto: Montagem/Agência Brasil
Em 2014, os candidatos a presidência, Dilma (PT) e Aécio (PSDB) que disputaram o segundo turno, são nascidos em Minas Gerais / Foto: Montagem/Agência Brasil

Minas Gerais x Brasil: compare o histórico das eleições no estado e no país

A análise de eleições anteriores aproxima as votações em Minas Gerais e no Brasil. Em 1989, por exemplo, o então candidato Fernando Collor (PRN) foi eleito presidente da República no 2º turno, com 53,03% dos votos válidos. Em Minas Gerais, obteve 55,52%. Já o seu adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teve 44,48% em Minas e 46,97% no Brasil.

Desde então, todos os presidentes eleitos no país venceram em Minas Gerais, estado que fica apenas atrás de São Paulo em tamanho do colégio eleitoral.

Em 2002, as semelhanças entre a votação nacional e os votos dos mineiros voltaram a aparecer claramente. O resultado do pleito presidencial refletiu, exatamente, a preferência do eleitor de Minas Gerais, começando por Lula (PT), em 1º; passando por José Serra (PSDB), em 2º; até chegar ao último colocado, Rui Costa Pimenta (PCO).

Há ainda diversos outros exemplos de casos em que os percentuais obtidos em Minas Gerais foram muito próximos à votação nacional:

  • no 1º turno presidencial de 2002, José Serra (PSDB) teve 23,19% no país e 22,86% em Minas Gerais;
  • em 2010, no 1º turno, Dilma Rousseff (PT) foi a escolhida por 46,91% dos brasileiros e por 46,98% dos mineiros.
Entender especificidades como essa ajudam a compreender melhor o noticiário como um todo. Nossa missão no Correio Sabiá é essa: fazer com que você realmente entenda o noticiário.

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