Desmatamento na Amazônia é o maior dos últimos 15 anos

Desmatamento na Amazônia é o maior dos últimos 15 anos

Desmatamento na Amazônia é o maior dos últimos 15 anos, diz relatório do governo

Dados do Inpe mostram que área desmatada de agosto de 2020 a julho de 2021 é de 13.235 km² –22% maior que há 1 ano
Imagem mostra desmatamento da Amazônia em Mato Grosso
Imagem mostra desmatamento da Amazônia em Mato Grosso / ? Kamikia Kisedje/WWF Brasil

O desmatamento na Amazônia de agosto de 2020 a julho de 2021 foi o maior dos últimos 15 anos (desde 2006), de acordo com relatório anual divulgado nesta 5ª feira (18.nov.2021) pelo Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Em números, a área desmatada foi de 13.235 km², o que representa um aumento de 22% na comparação com os 10.851 km² desmatados no período imediatamente anterior, de agosto de 2019 a julho de 2020. Em 2006, o desmatamento na Amazônia foi de 14.286 km².

Para efeito de comparação, a cidade do Rio de Janeiro tem uma área total de 1.225 km². Portanto, segundo este último relatório, o desmatamento da Amazônia equivale a 10,8 cidades do Rio. No período imediatamente anterior, de agosto de 2019 a julho de 2020, foram 8,85 cidades do Rio. 

Veja a evolução do desmatamento na Amazônia, desde 2004, em km²

Veja abaixo a evolução do desmatamento na Amazônia, de acordo com os relatórios do Prodes desde 2004: 

  • 2021: 13.235 km²
  • 2020: 10.851 km²
  • 2019: 10.129 km²
  • 2018: 7.536 km²
  • 2017: 6.947 km²
  • 2016: 7.893 km²
  • 2015: 6.207 km²
  • 2014: 5.012 km²
  • 2013: 5.891 km²
  • 2012: 4.571 km²
  • 2011: 6.418 km²
  • 2010: 7.000 km²
  • 2009: 7.464 km²
  • 2008: 12.911 km²
  • 2007: 11.651 km²
  • 2006: 14.286 km²
  • 2005: 19.014 km²
  • 2004: 27.772 km²
Imagem mostra desmatamento na Amazônia na área da Terra Indígena Kayapo
Imagem mostra desmatamento na Amazônia na área da Terra Indígena Kayapo / ? Simone Giovine/WWF Brasil

WWF Brasil critica governo federal pelo desmatamento na Amazônia

A ONG (organização não governamental) WWF Brasil divulgou uma nota oficial na qual critica o governo federal pelo desmatamento na Amazônia

Veja abaixo a íntegra da manifestação:

“Em 3 anos de governo Bolsonaro, foram 3 recordes consecutivos de desmatamento da Amazônia. A ciência alerta que a floresta está cada vez mais perto do ponto de ruptura de seu equilíbrio ecológico

O Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite-Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais-Inpe divulgou hoje (18) os dados de desmatamento da Amazônia Legal entre agosto de 2020 e julho de 2021. Os números, considerados oficiais pelo governo federal, confirmam a tendência já indicada pelos alertas mensais de desmatamento do sistema Deter, também do Inpe: foi o ano mais devastador desde 2019, consolidando uma série macabra de 3 recordes consecutivos sob a gestão Bolsonaro.  

Ao todo, estima-se que a Amazônia perdeu 13.235 mil km2 no período, um aumento de 22% em relação a 2020, quando foram registrados 10.852 km² de destruição da floresta, e a consolidação de 3 anos consecutivos nos quais a destruição da floresta saltou dos patamares em torno de 6-7 mil km2/ano registrados a partir de 2016 para uma preocupante estabilidade acima de 10 mil km2.

O Pará liderou as taxas de destruição, com 5.257km2 (40% do desmatamento total no período), seguido pelos estados do Amazonas e Mato Grosso. 

“Este é o Brasil real que o governo Bolsonaro tenta esconder com discursos fantasiosos e ações de greenwashing no exterior”, afirma Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil. “O que a realidade mostra é que o governo Bolsonaro acelerou a rota de destruição da Amazônia. Se não revertermos essa tendência, acabando com o desmatamento e restaurando as áreas já degradadas, a floresta amazônica poderá alcançar um ponto de não reversão e iniciar um processo de degradação acelerado. Se isso acontecer, o Brasil deixará de contar com os serviços ambientais vitais que ela presta, como o armazenamento de carbono e a regulação do regime de chuvas do país”, alerta. 

Além do risco de perda dos serviços ambientais da floresta e dos efeitos devastadores sobre o clima causados pelo desmatamento da Amazônia, os dados Prodes acendem a luz vermelha também para a economia. No começo deste mês, durante a COP 26, mais de 100 países se comprometeram a zerar o desmatamento de florestas – compromisso reiterado no acordo bi-lateral firmado entre as duas maiores economias do planeta, Estados Unidos e China, na semana passada.

Empresas do Reino Unido, com suporte de seu governo, anunciaram um arrojado manifesto contra qualquer tipo de desmatamento associado com a produção de soja, anúncio este que trata tanto de ecossistemas florestais, como os não-florestais (a exemplo de parte do Cerrado) e que não aceita sequer o desmatamento legal. Esta semana, a Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, divulgou proposta para bloquear a importação de commodities associadas ao desmatamento e à degradação florestal, definindo o ano de 2030 como o limite para o desmatamento. 

“Se o desmatamento não for interrompido imediatamente, as exportações brasileiras do agro ficarão cada vez mais restritas a um pequeno número de países que ainda não aderiram a esses acordos. São mercados marginais que, no futuro, também deverão aderir ao esforço global de combate ao desmatamento porque no caso do Brasil é de longe a principal fonte de emissões dos gases que estão alterando o clima em todo o planeta”, adverte Voivodic.

Importante considerar que o desmatamento é uma das causas mais brutais de emissões, uma vez que elimina ou coloca em risco a vida e a história natural do planeta de forma dobrada. A primeira, de imediato, ao eliminar a diversidade biológica local, favorecer epidemias e causar grandes impactos nos meios de vida. A segunda, em médio-longo prazo, por provocar o acúmulo de gases do efeito estufa, a mudança do regime hídrico, assim como impactos em diversos outros serviços ambientais chave à humanidade.

Ponto de ruptura da Amazônia cada vez mais próximo

Há uma semana, foi divulgado na COP 26, o relatório final do Painel Científico da Amazônia, que reuniu mais de 200 cientistas para avaliar o estado atual do bioma.  A principal conclusão é que a floresta já está perto de um “ponto de não reversão” a partir do qual sua estabilidade se compromete, dando início a um processo automático de degradação que já não poderá ser parado. Ainda segundo esse relatório, a região conhecida como o “Arco do Desmatamento” já se tornou uma faixa da Amazônia que emite carbono na atmosfera, em vez de absorvê-lo. Atualmente, o desmatamento da Amazônia responde por quase metade das emissões brasileiras.

“Manter a floresta em pé é essencial se quisermos atingir a meta do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura média do planeta em até 1,5°C até o fim do século”, lembra Voivodic. Ainda segundo o relatório do Painel Científico da Amazônia, a floresta retira mais de 1 bilhão de toneladas de CO2 da atmosfera todo ano, o equivalente à metade de todos os gases do efeito estufa que o Brasil emitiu no ano passado. 

O desmatamento na Amazônia já vem impactando o regime de chuvas em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, causando graves prejuízos à segurança hídrica e alimentar do país. Além disso, na esteira do desmatamento, a grilagem, garimpo e invasão de terras têm colocado cada vez mais em risco a sobrevivência de populações indígenas e comunidades tradicionais.”

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