#953: Relembre as notícias essenciais da semana passada

#953: Relembre as notícias essenciais da semana passada
Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) realiza reunião para apresentação do plano de trabalho para o biênio 2023-2024 / Em pronunciamento, à bancada, senador Sergio Moro (União-PR) / Foto: Pedro França/Agência Senado

#953: Plano para matar Moro e decisão sobre juros: as notícias essenciais até agora

Correio Sabiá poderá fazer atualizações nesta curadoria de notícias para te manter bem informado/a
Correio Sabiá: Atualmente, o ex-juiz Sergio Moro é senador (União-PR) / Foto: Pedro França/Agência Senado
Correio Sabiá: Atualmente, o ex-juiz Sergio Moro é senador (União-PR) / Foto: Pedro França/Agência Senado

*Esta curadoria de notícias foi publicada, originalmente, no dia 21 de março de 2023, às 3h05. Fizemos atualizações para te deixar mais bem informada/o.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (23.mar.2023) que a operação da PF (Polícia Federal) na quarta-feira (22.mar), que prendeu 9 pessoas suspeitas de participar de um plano para matar o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) e outras autoridades públicas, “é uma armação do Moro”. Eis a declaração:

“Eu acho que é mais uma armação do Moro, mas eu quero ser cauteloso. Eu vou descobrir o que aconteceu. É visível que é uma armação do Moro. Mas eu vou pesquisar, vou saber o porquê da sentença. Eu até fiquei sabendo que a juíza não estava nem em atividade quando deu o parecer para ele. Mas isso a gente vai esperar. Eu não vou ficar atacando ninguém sem ter provas. Eu acho que é mais uma armação, e se for mais uma armação ele vai ficar mais desmascarado ainda, sabe? Eu não sei o que ele vai fazer da vida se ele continuar mentindo do jeito que ele está mentindo.”

Moro rebateu:

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Contexto: A juíza federal Gabriela Hardt foi quem deu a autorização para realização da operação. Hardt é quem substituiu o próprio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba, quando o atual senador deixou o cargo para ser ministro da Justiça e Segurança Pública no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

+ Quando foi ministro da Justiça e Segurança Pública, Moro determinou a transferência de Marcola e outros integrantes da facção criminosa PCC para presídios de segurança máxima e acabou com as visitas íntimas. Esse seria o motivo de ser alvo dos criminosos. Houve um total de 24 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão em 4 estados (São Paulo, Paraná, Rondônia e Mato Grosso do Sul) e no Distrito Federal.

++ Na quarta-feira (22), em entrevista ao Brasil 247, Lula declarou que queria “foder” Moro quando estava preso. Políticos de oposição atrelaram a raiva de Lula contra o ex-juiz federal a um eventual “desejo de vingança”, inclusive relacionando-o novamente ao PCC, fake news disseminada na eleição de 2022 e motivo pelo qual o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) multou Bolsonaro durante a campanha.

+++ A oposição fez mais críticas ao presidente pela declaração contra Moro. Segundo eles, ao falar que a operação foi “armação”, Lula colocou em dúvida a credibilidade de atuação da PF e do Ministério da Justiça, órgãos de seu próprio governo. Alguns opositores também falaram em “crime de responsabilidade”.

Copom mantém taxa de juros em 13,75% ao ano; EUA eleva taxa

Acabaram nesta quarta-feira (22) as reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) e do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos) que começaram na terça-feira (21). Constavam na Agenda da Semana do Correio Sabiá.

  • No caso do Brasil, o Copom decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, no mesmo patamar: 13,75% ao ano. Eis o comunicado oficial do Banco Central. O órgão disse que pode aumentar a taxa, caso a inflação não ceda. Observou que, no cenário externo, houve “deterioração” (você entenderá mais abaixo) e aumento das “incertezas”. No cenário interno, confirmou-se desaceleração. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a decisão é “preocupante”.
  • No caso dos Estados Unidos, houve aumento da taxa básica de juros em 25 pontos-base, o que elevou a taxa para um intervalo entre 4,75% e 5% ao ano.

Lembrando: mostramos anteriormente, na edição desta curadoria de notícias, que os resultados esperados eram esses: manutenção da taxa no Brasil e aumento em 25 pontos-base nos Estados Unidos. Agora, mostramos o contexto em que as duas reuniões ocorreram:

  • No Brasil: Lula e outras autoridades próximas do governo federal têm pressionado pela redução da taxa básica de juros, a Selic. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, foi criticado nos últimos meses. Deu até entrevista para explicar o caso. Saiba como foi a entrevista do presidente do Banco Central no Roda Viva. Além disso, há desdobramentos sobre a proposta de âncora fiscal do governo federal. Na segunda-feira (20), o PT divulgou um evento da CUT (Central Única dos Trabalhadores) crítico a Campos Neto. Chamava-se “Dia de Luta contra os juros altos”. Ocorreu em São Paulo na terça-feira (21), como informamos na Agenda da Semana.

Mais: Na terça-feira (21), Lula disse que continuaria insistindo pela redução da taxa básica de juros. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) falou na segunda-feira (20) em “bom senso” na redução de juros –ou seja, também fez sua pressão. Até o professor Joseph Stiglitz, Nobel de Economia, criticou a taxa de juros brasileira. Disse que o país tem sobrevivido a um patamar “chocante”.

  • Nos Estados Unidos, a decisão desta quarta-feira (22) ocorreu num momento em que investidores prestavam atenção na falência do banco SVB (Silicon Valley Bank), na Califórnia, e no fechamento do banco Signature Bank, em Nova York. Antes disso, a alta dos juros era dada como certa. Depois, o jogo ficou mais aberto, embora a maior parte dos agentes do mercado ainda acreditasse na alta. Foi o 8º aumento consecutivo.

Mais: maior banco da Suíça, o UBS fechou acordo para comprar o concorrente Credit Suisse, por US$ 3,25 bilhões. O Credit Suisse tem problemas de liquidez mesmo depois da abertura de o Banco Central da Suíça abrir uma linha de ajuda de US$ 54 bilhões. Após a falência dos 2 bancos norte-americanos, há uma onda de desconfiança no mercado financeiro global.

‘Arcabouço fiscal’ fica para depois da ida de Lula à China

Também já dissemos por aqui, numa das curadorias de notícias do Correio Sabiá, que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentaria na semana passada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a proposta de arcabouço fiscal, que vai substituir a regra do teto de gastos, se for aprovada. De fato, apresentou.

Haddad, nesta segunda-feira (20), falou da proposta aos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Disse que a recepção de Lira e Pacheco ao texto “foi muito boa”. Agora, faltariam detalhes para a proposta ser de conhecimento público.

“Nós expusemos as linhas gerais do arcabouço que vai ser anunciado pelo presidente da República, acho que a recepção tanto dos líderes quanto dos presidentes [da Câmara e do Congresso] foi muito boa, assim como foi dos ministros na sexta-feira, que conheceram o arcabouço na reunião com o presidente. Nós estamos confiantes que nós estamos indo para a fase final”, disse Haddad após falar com os presidentes da Câmara e do Senado.

A regra do arcabouço fiscal será uma espécie de “âncora fiscal” para evitar gastos descontrolados do governo federal. O teto de gastos impede que a maior parte das despesas do governo federal cresça acima da inflação.

Esperava-se que apresentação do texto do arcabouço fiscal ocorresse até o final desta semana, porque a ida de Lula à China estava programada para sábado (25). No entanto, o jogo mudou: a apresentação ficou para depois da viagem de Lula. O envio formal da proposta ao Congresso deve ocorrer até 15 de abril. Além disso, a ida de Lula foi adiada na sexta-feira (24) por causa de uma “pneumonia leve”, segundo a Presidência.

Agora, o presidente chega na China no dia 27. Ainda não há informações se os demais compromissos foram mudados. A princípio, Lula encontraria com o presidente chinês Xi Jinping no dia 28. Ficaria na China até o dia 31 de março. Em seguida, iria aos Emirados Árabes, de onde retorna no dia 1º de abril. Atualizamos o conteúdo que temos sobre todas as viagens internacionais de Lula em 2023.

Outros acontecimentos relevantes desta semana (20 a 26 de março)

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, já embarcou à China nesta segunda-feira (20) acompanhado de mais de 100 integrantes do agronegócio brasileiro. São pequenos, médios e grandes empresários, produtores, representantes de associações e cooperativas. Tem encontros bilaterais e reuniões com empresários.

Já o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, embarcou no domingo (19.mar) para Natal (RN), estado que passou por uma onda de violência na semana passada, com fogo em veículos e depredação de patrimônio público. O governo federal não fez uma intervenção na segurança pública estadual, mas tem dado apoio às operações contra a criminalidade. Dino discutirá essas ações.

A novidade: Dino afirmou que o governo federal deve fazer investimento de R$ 100 milhões ainda neste ano no estado. Ele garantiu que a presença da FN (Força Nacional) no Rio Grande do Norte será prorrogada para conter a onda de criminalidade.

Correio Sabiá: Lula anunciou a retomada do programa Mais Médicos ao lado da ministra da Saúde, Nísia Trindade / Foto: Ricardo Stuckert/ PR
Lula anunciou a retomada do programa Mais Médicos ao lado da ministra da Saúde, Nísia Trindade / Foto: Ricardo Stuckert/ PR

Em Brasília (DF), no Palácio do Planalto (sede do Poder Executivo), houve novidades já de olho nos 100 dias de governo:

  1. Nesta terça-feira (21), Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, o governo federal anunciou uma série de medidas para tentar ampliar a igualdade racial e o combate ao racismo. Uma delas é a decisão de destinar um “mínimo de 30% dos cargos em comissão e funções de confiança da administração federal a pessoas negras”, segundo informou o próprio governo. No total, Lula assinou 6 decretos.
  2. Outras medidas anunciadas na mesma terça (21), de acordo com o governo federal: criação do programa Aquilomba Brasil, “que retoma a promoção dos direitos da população quilombola; a concessão de títulos de terra a cinco associações quilombolas; o Novo Programa Nacional de Ações Afirmativas; o Plano Juventude Negra Viva; a criação do grupo de trabalho para o Enfrentamento ao Racismo Religioso; e o grupo de trabalho de Preservação do Cais do Valongo.”
  3. Na segunda-feira (20), Lula e a ministra da Saúde, Nísia Trindade, relançaram o programa Mais Médicos. O programa deve abrir mais 15 mil vagas. A expectativa é cobrir 96 milhões de brasileiros com atendimento médico na atenção primária, a partir de um total de 28 mil profissionais fixados em todo o país. Profissionais formados pelo Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior) que participarem do programa Mais Médicos terão benefícios no pagamento da dívida.
Lula anunciou uma série de medidas para reduzir os efeitos do racismo / Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula anunciou uma série de medidas para reduzir os efeitos do racismo / Foto: Ricardo Stuckert/PR

Na quarta-feira (22), Lula relançou o PAA (Programa de Aquisição de Alimento) no Recife (PE). O programa foi criado em 2003 no âmbito do programa Fome Zero para, segundo o governo federal, “garantir a segurança alimentar e nutricional da população brasileira, além de fortalecer a produção de alimentos da agricultura familiar.”

Lembrando: todos os eventos acima estavam/estão na Agenda da Semana do Correio Sabiá.

Eis o vídeo do evento de relançamento do Mais Médicos:

Relembre a curadoria de notícias anterior do Correio Sabiá, na qual demos um panorama de tudo o que deveria ser notícia relevante nesta semana. Em 4 minutos, ajudamos você a ficar bem informado sobre o contexto do noticiário. Veja abaixo:

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