#941: Como foi a entrevista de Lula à CNN Brasil em fevereiro de 2023

#941: Como foi a entrevista de Lula à CNN Brasil em fevereiro de 2023

#941: Como foi a entrevista de Lula à CNN Brasil em fevereiro de 2023

Entre outros assuntos, presidente falou sobre a taxa de juros e autonomia do BC; listamos os principais pontos
No mesmo dia 16, de fevereiro de 2023, mas à tarde, Lula anunciou os novos valores e a expansão das bolsas CAPES, CNPq e do Programa de Bolsa Permanência (MEC) / Foto: Ricardo Stuckert/PR
Sabiá: No mesmo dia 16, de fevereiro de 2023, mas à tarde, Lula anunciou os novos valores e a expansão das bolsas CAPES, CNPq e do Programa de Bolsa Permanência (MEC) / Foto: Ricardo Stuckert/PR

À CNN Brasil, Lula fala em reavaliar autonomia do Banco Central

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu uma entrevista à CNN Brasil na noite desta quinta-feira (16.fev.2023). Na ocasião, falou mais uma vez sobre sua vontade de que haja uma revisão da taxa básica de juros, a Selic, atualmente no patamar de 13,75% ao ano, e sobre a possibilidade de revisão da autonomia do Banco Central.

“O que eu quero saber é resultado. O resultado vai ser melhor? Um Banco Central autônomo vai ser melhor? Vai melhorar a economia? [Se sim,] ótimo. Mas, se não melhorar, nós temos que mudar.”

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

Eis abaixo um trecho da entrevista, em vídeo (8min35s):

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Eis abaixo a transcrição de diversas declarações de Lula, separadas por temas:

Lula responde sobre atritos com presidente do Banco Central

“Não cabe ao presidente da República ficar brigando com o presidente do Banco Central. Eu até teria direito, porque ele não é presidente do Banco Central indicado por mim. Ele foi indicado pelo Bolsonaro. Ele foi indicado pelo Guedes. Então significa que a cabeça política dele é uma cabeça muito diferente da minha cabeça e da cabeça daqueles que votaram em mim. Mas ele está lá, tem um mandato.”

“A única coisa que eu quero é que ele cumpra aquilo que está na lei que aprovou a independência do Banco Central: ele tem que cuidar da inflação, ele tem que cuidar do crescimento, tem que cuidar do emprego. Então, eu não sou economista, mas como já governei esse país 8 anos, já discuti muito essa questão de juros, já briguei muito essa questão de juros, e acho que ele só tem um instrumento para controlar a inflação, que é o aumento de juros…”

Lula fala que no Brasil ‘não tem inflação de demanda’

“Mas aumentar os juros é importante quando você tem uma inflação de demanda. Se você tem a sociedade consumindo demais, então você aumenta o juros para você diminuir o consumo. Mas não é o caso do Brasil. Não tem inflação de demanda nesse país.”

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

Lula fala em ‘crise’ por falta de crédito no país

“Nós estamos quase vivendo uma crise de crédito, porque não tem crédito nesse país. Então, nós somos um país capitalista sem crédito. E eu fico perguntando qual é o empresário que vai fazer um investimento tendo que tomar dinheiro a 13,75% de juros? Não vai. Não vai, porque é maior do que a taxa de retorno que ele pode querer ganhar.”

“Nós somos um país capitalista sem crédito”

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

Lula responde sobre eventual reunião com Campos Neto

“Eu acho que o Haddad tem toda a disposição de conversar com o presidente do Banco Central, já conversou várias vezes e vai continuar conversando. Se for necessário o presidente da República conversar com o presidente do Banco Central sobre alguma coisa de interesse do Brasil, eu também não tenho nenhum problema de conversar com quem quer que seja. Ora, mas se eu não posso conversar com ele sobre a taxa de juros, se eu não posso influir para reduzir a taxa de juros, se eu não posso conversar com ele sobre o emprego, então sobre o que eu vou conversar? Então é importante que ele converse com o [ministro da Fazenda] Fernando Haddad todo dia, toda hora, todo mês, todo ano, e que ele apenas cumpra a meta de inflação, sabe?, e que ele, portanto, tenha noção de que a meta de inflação ela não pode ser razão pela qual você é obrigado aumentar a taxa de juros. A taxa de juros você aumenta se tiver excesso de demanda. Se você não tiver excesso de demanda, não é o juros que vai resolver a taxa de inflação.”

Lula fala em revisão da autonomia do Banco Central

Vamos ver qual é a utilidade que a independência do Banco Central teve para esse país. Ora, se a independência do Banco Central trouxe para o país uma coisa extraordinariamente positiva, não tem problema nenhum ele ser independente. Ele não é independente, ele é autônomo, mas não é independente, sabe? Ele tem compromisso com a sociedade brasileira, tem compromisso com o Congresso Nacional e compromisso com o presidente da República. Então, isso nunca foi para mim uma coisa de princípios, sabe? O que eu quero saber é resultado. O resultado vai ser melhor? Um Banco Central autônomo vai ser melhor? Vai melhorar a economia? [Se sim,] ótimo. Mas se não melhorar, nós temos que mudar.”

Durante a viagem que fez a Washington, nos Estados Unidos, do dia 8 ao 11 de fevereiro de 2023, Lula também concedeu entrevista exclusiva à CNN Internacional. O governo federal fez a transcrição completa da entrevista, com tradução em português. Consta neste link. E aqui também. O evento constou em nossa Agenda da Semana.

Entenda o contexto da entrevista e das declarações de Lula

A entrevista de Lula à CNN Brasil e suas declarações a respeito: 1) da taxa básica de juros, a Selic; 2) do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto; e 3) da autonomia do Banco Central ocorrem na mesma semana em que Campos Neto deu entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, com vários acenos para que haja harmonia junto ao governo federal. Saiba como foi a entrevista.

Campos Neto vinha sendo criticado por Lula e por aliados do presidente da República por causa da taxa de juros. A autonomia do Banco Central também vinha sendo criticada. Na visão das autoridades alinhadas ao governo federal, o patamar de 13,75% seria elevado e desnecessário, considerando a conjuntura econômica do país.

Além disso, Campos Neto é presidente do Banco Central indicado por Bolsonaro. Foi votar em outubro de 2022 com a camisa da seleção brasileira masculina de futebol, vestimenta que vinha sendo usada por apoiadores de Bolsonaro. Ele também participava de grupo de WhatsApp de ministros do governo, dando dicas sobre assuntos que não envolviam diretamente o Banco Central.

As condutas de Campos Neto, tanto dentro quanto fora do cargo, eram contestadas por governistas.

O presidente do Banco Central, ao Roda Viva, afirmou que assuntos que não eram diretamente ligados ao órgão, como a aquisição de vacinas da Pfizer e a política ambiental, atrapalhavam o fluxo de investimentos no Brasil. Por isso, opinava sobre essas pautas, eventualmente.

Acrescentou que, por estar no cargo há anos, naturalmente construiu amizades com integrantes do governo anterior. Disse que esperava que o mesmo ocorresse com o governo atual e ressaltou a boa convivência com os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e com a ministra do Planejamento, Simone Tebet.

Falou ainda, com otimismo, das perspectivas econômicas com o governo atual, dizendo que há fluxo de capital estrangeiro entrando no país, boa vontade do mundo com o governo Lula e boas iniciativas do próprio governo, em âmbito fiscal e tributário.

Dessa forma, Campos Neto fez críticas à gestão anterior e acenou positivamente à gestão atual.

Atualização sobre a situação Yanomami (16.fev.2023)

O governo federal atualizou a situação de emergência sanitária e médica dos indígenas Yanomami. A campanha de vacinação nas comunidades indígenas e na Casai (Casa de Apoio à Saúde Indígena) está prevista para começar no dia 25 de fevereiro. 

Até agora, houve 403 atendimentos médicos, considerando 1º de janeiro até 16 de fevereiro. Houve 157 altas até 16 de fevereiro. Os dados são do COE (Centro de Operações de Emergências) Yanomami, atualizados diariamente.

Governo nomeia embaixador extraordinário para cuidar de mudanças climáticas

Nesta sexta-feira (17.fev), o governo federal, por meio do Ministério das Relações Exteriores, anunciou a indicação do Embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado como Embaixador Extraordinário para a Mudança do Clima.

Figueiredo é ex-ministro de Relações Exteriores do governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). ele deve “complementar a representação de alto nível do Brasil em eventos internacionais, bem como contribuir para a divulgação do engajamento brasileiro no combate à mudança do clima, inclusive no contexto da candidatura do país para sediar a 30ª Conferência das Partes (COP30)”, de acordo com a nota publicada pelo Itamaraty, sede das Relações Exteriores do Brasil, em 2025.

O cargo recriado de Embaixador Extraordinário de Mudança do Clima foi ocupado, entre 2007 e 2010, pelo Embaixador Sergio Barbosa Serra.

Incluímos essa indicação do Embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado no conteúdo do Correio Sabiá que recebe atualizações frequentes sobre quais são os integrantes do governo Lula 2023. Também informamos sobre a indicação no Twitter do Correio Sabiá (@correiosabia):

Ainda mencionamos uma mudança de estrutura no Ministério das Relações Exteriores, via decreto, no conteúdo do Correio Sabiá que fala sobre as principais medidas do governo Lula em 2023. É outro material que atualizamos frequentemente, a cada anúncio de nova medida.

Aliás, mostramos em nossa curadoria de notícias anterior que Lula anunciou o aumento do salário mínimo de R$ 1.302 para R$ 1.320, o aumento da faixa de isenção do IR (Imposto de Renda) em 2023 para R$ 2.640 e o aumento de até 200% no valor das bolsas de estudos em todo país, além da expansão da quantidade de bolsas.

Leia todos os detalhes na curadoria anterior do Correio Sabiá.

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