#920: Moraes manda prender ex-ministro da Justiça de Bolsonaro

#920: Moraes manda prender ex-ministro da Justiça de Bolsonaro

#920: Moraes manda prender ex-ministro da Justiça de Bolsonaro

Anderson Torres ocupava o cargo de secretário de Segurança do Distrito Federal, até ser demitido nesta semana
Anderson Torres, em 2021, quando exercia o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública / Foto: Isac Nóbrega/PR
Sabiá: Anderson Torres, em 2021, quando exercia o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública / Foto: Isac Nóbrega/PR

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta terça-feira (10.jan.2023) a prisão do ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres.

Torres foi ministro da Justiça e Segurança Pública no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele está na Flórida (Estados Unidos), assim como o ex-presidente. Disse que vai retornar de viagem para se entregar.

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(Brasília - DF, 01/03/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro durante encontro com o Secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Gustavo Torres.  Foto: Carolina Antunes/PR
Mesmo antes de ser ministro do governo Bolsonaro, Torres mostrava proximidade com o então presidente da República e aparecia com frequência para reuniões no Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo, como mostra esta foto de 1º de março de 2019 / Foto: Carolina Antunes/PR

Torres ocupava o cargo de secretário da Segurança Pública do Distrito Federal antes de ser ministro. Voltou ao mesmo cargo após deixar o ministério. No entanto, foi demitido pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) depois das manifestações terroristas do dia 8 de janeiro de 2023.

Já Ibaneis foi afastado do cargo por 90 dias, também por determinação de Alexandre de Moraes.

Aliás, Moraes ainda determinou a prisão do ex-comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal, coronel Fábio Augusto. A prisão foi cumprida nesta mesma terça-feira (10).

Augusto também havia deixado o cargo no Distrito Federal recentemente. Foi demitido na última segunda (9) pelo interventor federal na segurança pública do Distrito Federal, Ricardo Cappelli.

Isso porque, ainda no dia dos atos terroristas (8.jan), Lula decretou intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal (eis a íntegra do decreto).

O decreto foi aprovado na Câmara, na última segunda (9), e no Senado, nesta terça (10). Filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) votou contra.

Eis um resumo das decisões de Moraes:

  1. Anderson Torres – Voltou a ocupar a secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal depois de ser ministro da Justiça e Segurança Pública no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, foi demitido pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) por ocasião das manifestações terroristas de 8 de janeiro de 2023. Em seguida, Moraes determinou a prisão do agora ex-secretário, que terá que voltar de viagem para que a decisão seja cumprida.
  2. Coronel Fábio Augusto – Era comandante-geral da PM (Polícia Militar) do Distrito Federal, mas foi demitido pelo interventor na segurança pública do DF, Ricardo Capelli. Moraes também determinou a prisão de Augusto. A decisão já foi cumprida.
  3. Ibaneis Rocha – Governador do Distrito Federal afastado do cargo por 90 dias por decisão de Moraes.

Ao determinar as prisões, Moraes entendeu que houve omissão dos agentes públicos para conter os atos terroristas de 8 de janeiro. Entendeu ainda que a conduta desses agentes públicos colocou em risco a vida de outros servidores e de autoridades.

Entre os fatos que indicam omissão, de acordo com o ministro, estão:

  1. Autorização para entrada de diversos ônibus (cujos tripulantes participaram dos atos terroristas) vindos de outras regiões;
  2. Permissão de acampamento de radicais na frente do QG do Exército;
  3. Falta de policiamento adequado nas áreas onde houve a manifestação.

O MPF (Ministério Público Federal) também pediu a apuração das condutas de Ibaneis Rocha e Anderson Torres. O órgão ainda apresentou um inquérito ao STF (eis a íntegra em PDF) para apuração de fatos relacionados aos atos antidemocráticos. Já o governo federal teria acionado o STF na noite desta terça (10) após detectar uma nova ameaça golpista.

Por fim, o ministro da Defesa, José Múcio, declarou que as informações que circulam nas redes sociais sobre sua demissão são falsas. Mostramos em nosso Twitter (@correiosabia).

http://correiosabia.com.br/15-fotos-vandalismo-bolsonarista/

Correio Sabiá explica a invasão de bolsonaristas ao Congresso, STF e Planalto

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