#882: Moraes manda PRF desobstruir rodovias

#882: Moraes manda PRF desobstruir rodovias

#882: Caminhoneiros fazem bloqueios com apoio de aliados de Bolsonaro e silêncio do presidente

Enquanto isso, chefes de Estado do mundo inteiro já reconheceram vitória de Lula nas urnas
O presidente do TSE, Alexandre de Moraes / Foto: LR Moreira/Secom/TSE
Sabiá: O presidente do TSE, Alexandre de Moraes / Foto: LR Moreira/Secom/TSE
Assobio: antecipamos no site a curadoria de notícias a ser enviada na manhã desta terça-feira (1.nov).

O resumo do resumo:

  • Com apoio explícito de autoridades bolsonaristas e silêncio do presidente, caminhoneiros bloqueiam vias;
  • STF forma maioria para determinar desbloqueio das vias por policiais;
  • Flávio Bolsonaro admite derrota, enquanto pai mantém silêncio;
  • Transição de governo será feita independentemente de Bolsonaro;
  • Lula é parabenizado por líderes mundiais

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Com apoio explícito de autoridades bolsonaristas e silêncio do presidente, caminhoneiros bloqueiam vias

Estamos caminhando para o 2º dia desde a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o seu 3º mandato como presidente da República, e o presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda nem sequer se manifestou para reconhecer o resultado das urnas, ao contrário do que já fizeram chefes de Estado do mundo inteiro.

Enquanto isso, um grupo de caminhoneiros –categoria que tradicionalmente faz parte da sustentação do governo Bolsonaro– paralisa vias em diversos estados do Brasil.

Esses caminhoneiros têm o apoio explícito de aliados do presidente da República, como o deputado federal eleito Nikolas Ferreira (PL-MG), o mais votado do Brasil nesta eleição, e a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), aquela mesma que correu armada atrás de um homem em São Paulo no sábado (29.out), véspera da eleição.

O presidente devia ser o maior interessado em desfazer a paralisação. Logo ele, que fala tanto em “liberdade”, não deveria silenciar diante da obstrução das vias, afinal elas dificultam o ir e vir dos cidadãos de bem. Tem gente que não consegue chegar em seu destino final há horas; gente passando mal; idosos, crianças, pais e mães de família.

Além disso, o Correio Sabiá lembra que lá atrás, quando os caminhoneiros ameaçavam fazer paralisações contra a alta dos combustíveis, o próprio presidente Jair Bolsonaro entrou em ação para demovê-los dessa ideia, porque essa pausa tinha potencial de encarecer ainda mais os produtos, o que atingiria a imagem do seu combalido governo, que lutava contra a inflação.

Na ponta da linha, essas paralisações atingem o próprio povo brasileiro.

E devemos levar em consideração, ainda, que o motivo dos bloqueios atualmente é outro. Não é a alta dos preços. Desta vez, os caminhoneiros não aceitam o resultado eleitoral e querem levar adiante a ideia de um golpe de Estado.

Andamos recebendo nesta segunda-feira (31.out) uma pergunta: “Os bloqueios são ilegais?” Respondemos com certa ironia: “Não, é super legal bloquear as vias do país para não aceitar um resultado eleitoral e pedir um golpe de Estado”.

Tenha bom senso: o que você acha?

STF forma maioria para determinar desbloqueio das vias por policiais

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o imediato desbloqueio das vias obstruídas. Quem deve fazer esse desbloqueio, disse o Moraes, é a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e as Polícias Militares de cada estado.

Na mesma decisão, o ministro também estipulou uma multa de R$ 100 mil por hora contra o diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, e até o afastamento do cargo ou prisão em caso de descumprimento da ordem.

O plenário do STF (formado pelos 11 ministros da Corte) começou a analisar virtualmente o caso na madrugada desta terça-feira (1º.nov.2022) e, no momento de publicação desta reportagem, já tinha formado maioria a favor do mesmo entendimento de Moraes.

Flávio Bolsonaro admite derrota, enquanto pai mantém silêncio

Durante o dia, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi um dos poucos que admitiram a derrota do presidente da República nas urnas. Uma boa parte dos aliados eleitos mantiveram o silêncio.

O próprio Bolsonaro, que não se manifestou, deixou o Palácio da Alvorada, sua residência oficial, por volta das 9h30 e retornou em torno das 16h. Cerca de 6h de expediente de trabalho nesta segunda-feira (31).

A expectativa até o momento, no entanto, é de que o presidente não conteste o resultado eleitoral, embora deva fazer críticas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e não deva parabenizar diretamente o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

Transição de governo será feita independentemente de Bolsonaro

Já a transição de governo deve ser feita independentemente do reconhecimento de Bolsonaro. Segundo a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), essa transição começa em até 48h, com garantia da lei. O diálogo, aliás, já começou a ser feito com o ministro Ciro Nogueira (Casa Civil), que é senador licenciado pelo PP do Piauí.

Já o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) conversou por telefone com o vice-presidente e senador eleito Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

A lei define que o presidente eleito pode criar 50 cargos em comissão. São chamados Cargos Especiais de Transição Governamental. Essas pessoas têm acesso às informações das contas públicas, aos programas e projetos do governo federal, de forma a preparar o governo que virá no ano que vem.

Lula é parabenizado por líderes mundiais

No mundo, Lula foi parabenizado por chefes de Estado de vários países. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que já tinha publicado uma mensagem de parabéns pela eleição pouco depois da confirmação no domingo (30), ligou para Lula nesta segunda-feira (31).

O petista ainda encontrou com o presidente da Argentina, Alberto Fernández, num hotel em São Paulo. No entanto, Lula também recebeu os cumprimentos por sua eleição do adversário de Fernández na Argentina, Mauricio Macri, que era mais próximo de Bolsonaro.

Por que isso importa? Porque isso mostra como Lula é forte no país vizinho, já que líderes de diferentes campos, eleitos ou não, fazem questão de cumprimentá-lo formalmente logo após o pleito.

O petista também fez uma ligação com o presidente da França, Emmanuel Macron. O próprio francês publicou um trecho na sua conta no Twitter.

É relevante notar ainda que a comunidade internacional agiu rápido. O jornal O Globo mostrou que os chefes de Estado do mundo todo foram ágeis ao cumprimentar, rapidamente, Lula pela eleição.

Essa resposta rápida, segundo o jornal, teria sido coordenada junto aos embaixadores com a finalidade de esvaziar quaisquer narrativas de fraude na eleição brasileira.

Dólar despenca no 1º dia após Lula ser eleito

Um dia depois de Lula ser eleito, o Ibovespa fechou em alta de 1,31% (aos 116.037 pontos). Em outubro, o índice acumulou alta de 5,45%. Já o dólar despencou nesta segunda (31): – 2,54%. Fechou o mês numa queda de 4,2%.

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