#805: Entenda a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro

#805: Entenda a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro

Curadoria de notícias #805 do Sabiá (23.jun): Entenda a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro

Além de Ribeiro, outras 4 pessoas foram presas, incluindo os ‘pastores do MEC’ Gilmar e Arilton
Sabiá: 22.jun2020 - Cerimônia de imposição de insígnias da Ordem de Rio Branco: O presidente Jair Bolsonaro condecorou o então ministro da Educação, Milton Ribeiro / Foto: Alan Santos/PR
22.jun.2020 – Cerimônia de imposição de insígnias da Ordem de Rio Branco: O presidente Jair Bolsonaro condecorou o então ministro da Educação, Milton Ribeiro / Foto: Alan Santos/PR

Neste resumo você encontrará alguns desses tópicos:

  • 3 meses depois de dizer que colocaria ‘cara no fogo’ por Milton Ribeiro, ora preso pela Polícia Federal, Bolsonaro diz que ex-ministro ‘que responda pelos atos dele’;
  • Ex-ministro da Educação tem audiência de custódia nesta quinta-feira (23); Bolsonaro fala que prisão ‘vai respingar’ nele e diz que PF ‘está agindo’;
  • Congressistas articulam CPIs do MEC e da Petrobras; governistas querem instituir auxílio de até R$ 1 mil aos caminhoneiros

Financie o nosso jornalismo independente. Assim, você nos ajuda no combate à desinformação e ganha uma experiência ainda melhor com o Sabiá.

  • Clique aqui para acessar a Agenda da Semana, onde você encontrará os principais eventos políticos e econômicos esperados para hoje e para os próximos dias.

Agora, pegue o seu café e vamos à curadoria das notícias essenciais:

3 meses depois de colocar ‘a cara no fogo’ por Milton Ribeiro, Bolsonaro se afasta de ex-ministro

“Coisa rara de eu falar aqui: eu boto a minha cara no fogo pelo Milton [Ribeiro, então ministro da Educação”, disse o presidente Jair Bolsonaro numa transmissão ao vivo nas redes sociais no dia 24 de março de 2022. Quase 3 meses depois, o pastor Milton Ribeiro, agora ex-ministro, foi preso na manhã desta quarta-feira (22) pela PF (Polícia Federal). Assista ao vídeo em nosso TikTok.

A prisão de Milton Ribeiro ocorreu por causa do escândalo sobre a suposta influência de pastores no direcionamento de verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Ele foi gravado numa conversa com prefeitos, que acabou vindo a público, dizendo que repassava verba a municípios indicados por 2 pastores a pedido de Bolsonaro. 

Na gravação, Ribeiro disse que “a prioridade” era atender aos municípios que mais precisavam e, em segundo, atender “a todos que são amigos do pastor Gilmar”. 

Milton Ribeiro, agora ex-ministro da Educação, é pastor. Bolsonaro, o presidente, tem nos evangélicos uma de suas principais bases de apoio. E Gilmar, o pastor mencionado no áudio, não tem cargo no governo, mas é presidente da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus do Brasil. 

Depois dessa gravação vir a público, vários prefeitos disseram que o pastor Gilmar, que é Gilmar Santos, e o pastor Arilton, que é Arilton de Moura, cobravam propina para agilizar junto ao MEC (Ministério da Educação) a liberação do dinheiro público. Ou seja, faziam um lobby. 

Essa propina chegou a ser cobrada até em ouro, de acordo com um dos mandatários municipais que denunciaram a dupla. Aliás, os 2 pastores agora também foram presos, assim como Helder Bartolomeu, ex-assessor da Prefeitura de Goiânia, e Luciano Freitas Musse, ex-assessor de Milton Ribeiro no MEC.

Ou seja, um total de 5 presos, que foram os seguintes:

  • Milton Ribeiro, pastor e ex-ministro da Educação
  • Gilmar Santos, pastor que supostamente fazia lobby junto ao MEC
  • Arilton de Moura, outro pastor que supostamente fazia lobby no MEC
  • Helder Bartolomeu, ex-assessor da Prefeitura de Goiânia
  • Luciano Freitas Musse, ex-assessor de Milton Ribeiro no MEC
09/06/2021 Culto Interdenominacional das Igrejas de Anápolis (Anápolis-GO, 09/06/2021) Palavras do Ministro da Educação, Milton Ribeiro. Foto: Alan Santos/PR
09/06/2021 – Culto Interdenominacional das Igrejas de Anápolis: O então ministro da Educação, Milton Ribeiro / Foto: Alan Santos/PR

Milton Ribeiro ‘que responda pelos atos dele’, diz Bolsonaro

Agora que Ribeiro foi preso, Bolsonaro disse que o ex-ministro “que responda pelos atos dele”. Antes Bolsonaro dizia que colocava a cara no fogo. Bolsonaro ainda falou que isso “vai respingar nele” e defendeu que, se houve a prisão, é porque a PF “está agindo”. O presidente foi acusado diversas vezes de interferir na PF em benefício próprio, para blindar a si e a seus filhos.

Uma outra repercussão desse caso é que, de maneira geral, a prisão de um ex-ministro a poucos meses da eleição torna mais difícil de o presidente emplacar a narrativa de que em seu governo não tem corrupção.

No Correio Sabiá, publicamos um PDF com todos os registros de entrada e saída dos “pastores do MEC” no Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo. Foram dezenas de reuniões com autoridades, incluindo o presidente da República. 

Por fim, vale ressaltar que, num dos seus episódios mais recentes, já fora do governo, Milton Ribeiro teve que prestar esclarecimentos porque uma arma de fogo que ele carregava disparou sem querer no aeroporto.

O ex-ministro tem hoje uma audiência de custódia em São Paulo, como consta na Agenda da Semana do Correio Sabiá, que é publicada aos domingos como forma de dar mais previsibilidade ao noticiário e recebe atualizações diárias ao longo da semana. 

Prisão de Ribeiro motiva articulações por CPI do MEC

A prisão do ex-ministro deu combustível para que congressistas começassem a articular, agora, uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do MEC. Enquanto isso, governistas continuam também articulando para instalar uma CPI da Petrobras, que possa investigar os lucros da empresa.

O governo também quer instituir um auxílio para os caminhoneiros, que historicamente constituem uma fiel base de apoio ao presidente Jair Bolsonaro. O valor do benefício seria de R$ 400 mensais, só que a categoria não gostou. Agora, a discussão é de valores de R$ 600 a R$ 1 mil ao mês.

Vale sempre lembrar que você pode e deve seguir o Correio Sabiá, @correiosabia, em todas as redes sociais: combatemos a desinformação, porque achamos que uma sociedade bem informada toma decisões melhores.

Este resumo foi enviado por volta das 7h para quem financia o Correio Sabiá. O financiamento é voluntário e MUITO importante para continuarmos fazendo nosso trabalho. Em seguida, por volta das 8h, foi enviado gratuitamente para mais de 3,5 mil leitores do Correio Sabiá no WhatsApp, como forma de distribuir conteúdo confiável nas redes e combater a desinformação. Clique aqui para receber.

leia mais