Zâmbia vota em uma eleição presidencial que põe à prova as reformas econômicas do atual presidente
Eleição é acompanhada por países estrangeiros já que a Zâmbia atrai interesse por sua produção de cobre
*Por Jacob Zimba e Michelle Gumede
O fato principal
A apuração dos votos começou na noite de quinta-feira (13.ago.2026) na Zâmbia, após o encerramento da votação em uma eleição presidencial muito acompanhada, que testa se as reformas econômicas do presidente Hakainde Hichilema foram suficientes para superar a frustração generalizada com o custo de vida.
Cerca de 8 milhões de pessoas no país da África Austral, que tem uma população de 22 milhões de habitantes, estavam registradas para votar em mais de 13.500 seções eleitorais nesta eleição de turno único. Os eleitores também escolhiam membros do Parlamento e vereadores locais. A Comissão Eleitoral da Zâmbia informou que a previsão é de que os resultados sejam divulgados na segunda-feira (17.ago).
A eleição

Eleitores agasalhados com jaquetas grossas formaram longas filas antes do amanhecer em frente às seções eleitorais por toda Lusaka; alguns se reuniam em torno de fogueiras improvisadas enquanto os funcionários eleitorais preparavam a votação.
Observadores da União Europeia acompanharam a votação em uma seção eleitoral em Lusaka. Paralelamente, um observador eleitoral local relatou que falhas na orientação dos eleitores, confusão com as listas de votação e problemas no controle de multidões causaram atrasos e frustração em alguns locais de votação.
Mathias Ngoma disse que votou em todas as eleições que pode, pois "é a única voz que tenho".
"Enfrentei o frio para escolher líderes que, espero, melhorem as coisas em nosso distrito eleitoral", disse ele.
Visões divergentes para o futuro da Zâmbia

A eleição é amplamente vista como um referendo sobre a gestão econômica de Hichilema. Eleito em 2021, ele busca um 2º mandato após reestruturar a enorme dívida externa da Zâmbia, estabilizar a economia e atrair investimentos.
Hichilema, um dos 14 candidatos, votou pouco depois do meio-dia no bairro de Kabulonga, em Lusaka. Ele descreveu a eleição como uma escolha entre dar continuidade às reformas de seu governo ou mudar de rumo.
"Esta eleição trata, na verdade, do povo da Zâmbia e de seu futuro — progresso em oposição a retrocesso", disse ele aos repórteres.
Brian Mundubile, considerado por analistas o candidato de oposição mais forte, votou na região de Olympia. Ele garantiu aos zambianos que sua "segunda independência" estava próxima e os incentivou a votar pacificamente.
Mundubile, que lidera uma aliança de partidos de oposição, baseou sua campanha em promessas de reduzir o custo de vida, melhorar a agricultura e restaurar as liberdades democráticas, ao mesmo tempo em que acusava o governo de Hichilema de minar as instituições democráticas.
“Esta é uma revolução”, disse ele após votar. “A vontade do povo zambiano certamente prevalecerá nesta eleição.”
Muitos ainda enfrentam dificuldades, apesar do crescimento econômico

Muitos zambianos dizem não sentir os benefícios do recente crescimento econômico, uma vez que o desemprego, os preços dos alimentos e o fornecimento instável de eletricidade continuam a pressionar os orçamentos familiares.
Meki Mulota, de 40 anos, uma empreendedora, disse querer melhores condições para os empreendedores.
“O custo de vida tem estado alto”, disse ela. “Quero ver um governo que crie um ambiente onde os empreendedores possam manter seus negócios.”
Christopher Banda disse apoiar Hichilema por acreditar que o país está no caminho certo.
“Estou votando pela estabilidade”, disse ele. “O custo de vida tem sido alto... mas acho que estamos seguindo a trajetória certa.”
Um candidato à Presidência precisa obter mais de 50% dos votos para evitar um 2º turno.
Produção de cobre da Zâmbia atrai interesse internacional

A eleição está sendo acompanhada de perto no exterior, pois a Zâmbia é uma grande produtora de cobre e busca aumentar drasticamente a produção do metal, que é fundamental para veículos elétricos, energia renovável e redes elétricas.
A China é a maior investidora estrangeira na Zâmbia e tem amplos interesses de mineração no país, enquanto os Estados Unidos buscam um papel maior, à medida que Washington tenta diversificar seus fornecedores de minerais críticos e reduzir sua dependência da China.
Hichilema tem buscado investimentos tanto da China quanto de parceiros ocidentais, incluindo os EUA, em seu esforço para aumentar a produção anual de cobre para 3 milhões de toneladas métricas até 2031.
Preocupações com a segurança marcam a votação
As tensões políticas e de segurança aumentaram nos dias finais da campanha. A polícia mobilizou agentes adicionais e alertou contra a violência, perturbações nos locais de votação e a divulgação de resultados falsos.
Partidos de oposição e grupos de defesa de direitos, incluindo a Anistia Internacional, acusaram o governo de Hichilema de restringir o espaço democrático e utilizar instituições estatais para perseguir críticos e rivais políticos — alegações que o governo rejeita.
Hichilema passou quatro meses na prisão sob acusação de traição quando era líder da oposição durante o governo do ex-presidente Edgar Lungu, a quem derrotou em 2021.
Lungu permaneceu uma figura política influente até sua morte na África do Sul, no ano passado. Uma disputa prolongada entre sua família e o governo em torno de seu funeral e sepultamento contribuiu para aumentar as tensões antes da eleição.
A Zâmbia é considerada uma das democracias mais estáveis da África Austral, com um histórico de transferências pacíficas de poder. A vitória de Hichilema em 2021 marcou a 3ª transferência de poder do país para um candidato da oposição desde o retorno da democracia multipartidária, em 1991.
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Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.
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