US$ 1 bilhão: valor para garantir assento permanente no 'Conselho da Paz' em Gaza, de Trump
Ao menos 13 países já teriam sido convidados. Valor arrecadado deve ser usado para reconstrução do território.
*Por Cara Anna e Josh Boak / Associated Press
O fato principal
Pelo menos 13 países afirmam que os Estados Unidos os convidaram a integrar o chamado "Conselho da Paz", do presidente norte-americano Donald Trump, novo órgão de líderes mundiais criado para supervisionar os próximos passos em Gaza. Destes 13, Hungria e Vietnã já disseram que aceitaram. O valor para garantir um assento permanente é de US$ 1 bilhão.
A outra opção para garantir um assento, sem exigência de contribuição financeira, define um mandato de 3 anos. As informações são de um funcionário dos EUA que falou sob condição de anonimato sobre uma "carta constitutiva", que ainda não foi tornada pública. O funcionário disse que o dinheiro arrecadado será destinado à reconstrução de Gaza.
Quem foi convidado?
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, aceitou o convite para integrar o conselho, informou o ministro das Relações Exteriores, Péter Szijjártó, à rádio estatal neste domingo (18.jan.2026). Orbán é um dos apoiadores mais fervorosos de Trump na Europa.
O líder do Partido Comunista do Vietnã, To Lam, também aceitou, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores.
A Índia recebeu um convite, de acordo com um alto funcionário do governo, que falou sob condição de anonimato porque a informação ainda não havia sido divulgada oficialmente.
A Austrália também foi convidada e irá discutir o tema com os EUA “para entender corretamente o que isso significa e o que está envolvido”, afirmou o vice-primeiro-ministro Richard Marles à emissora pública Australian Broadcasting Corp nesta segunda-feira (19.jan).
Jordânia, Grécia, Chipre e Paquistão disseram, no domingo (18), que receberam convites. Canadá, Turquia, Egito, Paraguai, Argentina e Albânia já haviam informado ter sido convidados. Não está claro quantos países foram convidados ao todo.
Os EUA devem anunciar sua lista oficial de membros nos próximos dias, provavelmente durante a reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, que ocorre de 19 a 23 de janeiro de 2026.
Os integrantes do conselho irão supervisionar os próximos passos em Gaza, à medida que o cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro de 2025 entra em sua 2ª fase. Esse processo inclui a criação de um novo comitê palestino em Gaza, o envio de uma força internacional de segurança, o desarmamento do Hamas e a reconstrução do território devastado pela guerra.
Conselho de Paz indica ambições maiores para governança global
Em cartas enviadas na sexta-feira (16) a líderes mundiais, convidando-os a se tornarem “membros fundadores”, Trump afirmou que o Conselho de Paz “lançará uma nova e ousada abordagem para a resolução de conflitos globais”. O novo órgão demonstra ambições de ampliar sua participação nos assuntos mundiais.
O órgão pode se tornar um potencial rival do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), a mais relevante estrutura multilateral, criada após a Segunda Guerra Mundial.
Formado por 15 membros, o Conselho de Segurança tem sido impedido, por vetos dos EUA, de adotar medidas para encerrar a guerra em Gaza, enquanto a influência da ONU foi reduzida por grandes cortes de financiamento promovidos pelo governo Trump e outros doadores.
As cartas de convite de Trump para o Conselho de Paz destacavam que o Conselho de Segurança havia endossado o plano de cessar-fogo em 20 pontos para Gaza apresentado pelos EUA, que inclui a criação do próprio conselho. As cartas foram divulgadas em redes sociais por alguns dos convidados.
Israel contesta comitê executivo de líderes
Na semana passada, a Casa Branca também anunciou a formação de um comitê executivo de líderes encarregado de implementar a visão do Conselho da Paz, mas Israel contestou no sábado (18), dizendo que o comitê “não foi coordenado com Israel e é contrário à sua política”, sem dar detalhes. O comunicado do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi uma rara crítica ao seu próximo aliado em Washington.
Entre os membros do comitê executivo estão o secretário de Estado dos EUA, Rubio, o enviado de Trump Steve Witkoff, o genro de Trump, Jared Kushner, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, e o vice-assessor de segurança nacional de Trump, Robert Gabriel, além de um empresário israelense, o bilionário Yakir Gabay.
Também integram o grupo representantes de países monitores do cessar-fogo: Catar, Egito e Turquia. A Turquia mantém relações tensas com Israel, mas boas relações com o Hamas, e pode desempenhar um papel importante na pressão para que o grupo abra mão do poder em Gaza e se desarme.
*Boak escreveu de West Palm Beach, Flórida. Os jornalistas da Associated Press Justin Spike, em Budapeste (Hungria), Rajesh Roy, em Nova Délhi (Índia), e Rod McGuirk, em Canberra (Austrália), contribuíram para esta reportagem.
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Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.
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