Últimas notícias: quase 4 mil mortes verificadas nas repressões aos protestos no Irã
Hackers invadiram a transmissão da TV estatal iraniana para exibir príncipe herdeiro exilado
*Por Jon Gambrell / Associated Press
Número de mortos na repressão sobe
O número de mortos em decorrência da repressão do governo do Irã aos protestos generalizados que tomaram as ruas do país desde 28 de dezembro de 2026 aumentou para pelo menos 3.941, segundo dados atualizados nesta segunda-feira (19.jan.2026) pela agência Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA.
A quantidade se refere ao que já foi verificado até o momento. Portanto, deve subir ainda mais. Isso supera as mortes de todas as outras ondas de protestos ou distúrbios no Irã em décadas e remete ao caos da revolução de 1979.
Embora baseada nos Estados Unidos, a agência apresenta precisão ao longo dos anos de atuação em manifestações no Irã, com base em uma rede de ativistas locais que confirmam todas as mortes reportadas.
A agência também reportou mais de 25.700 prisões. Declarações de autoridades geraram temores de que alguns detidos sejam executados no Irã, um dos maiores carrascos do mundo.
Autoridades iranianas não divulgaram um saldo claro de mortos, embora o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, tenha dito no sábado (17) que os protestos deixaram “várias milhares” de vítimas.
Khamenei responsabilizou os Estados Unidos pelas mortes. Isso porque, de acordo com ele, os atos foram insuflados pelos norte-americanos. Foi a 1ª indicação de um líder iraniano sobre a extensão das baixas na onda de protestos.
“Enquanto os assassinos e terroristas sediciosos serão punidos, a misericórdia e a clemência islâmicas serão aplicadas àqueles que foram enganados e não tiveram papéis efetivos no evento terrorista”, disse um comunicado conjunto desta segunda-feira do presidente iraniano, do chefe do Judiciário e do presidente do Parlamento.
Hackers invadem transmissão via satélite da TV estatal iraniana para exibir príncipe herdeiro exilado
Hackers interromperam as transmissões via satélite da televisão estatal iraniana na madrugada desta segunda-feira para veicular imagens em apoio ao príncipe herdeiro exilado do país, Reza Pahlavi, e pedir que as forças de segurança não “apontem suas armas para o povo”.
“Esta é uma mensagem para o Exército e as forças de segurança. Não apontem suas armas para o povo. Juntem-se à nação pela liberdade do Irã”, dizia um texto na tela.
As imagens foram ao ar na noite de domingo em vários canais transmitidos por satélite pela Islamic Republic of Iran Broadcasting, a emissora estatal.
O vídeo exibiu duas sequências do príncipe herdeiro exilado, seguido de filmagens de forças de segurança e pessoas com uniformes aparentemente de policiais iranianos. Sem apresentar provas, o material alegou que outros haviam “deposto as armas e jurado lealdade ao povo”.
A agência semioficial Fars, ligada à Guarda Revolucionária paramilitar, citou um comunicado da emissora estatal admitindo que o sinal “em algumas áreas do país foi momentaneamente interrompido por uma fonte desconhecida”. A nota não mencionou o conteúdo exibido.
O gabinete de Pahlavi reconheceu a interrupção que mostrou o príncipe, mas não respondeu a perguntas da Associated Press sobre o hack.
O grau de apoio a Pahlavi dentro do Irã permanece incerto, embora haja gritos a favor dele nas manifestações e à noite desde a repressão. O príncipe herdeiro vem se apresentando internacionalmente como potencial substituto de Khamenei.
A revolução de 1979 que levou os aiatolás ao poder no Irã depôs justamente a monarquia liderada pela família de Pahlavi.
Este não é o primeiro hack a perturbar as ondas iranianas. Em 1986, o Washington Post relatou que a CIA forneceu a aliados do príncipe um transmissor miniaturizado para uma transmissão clandestina de 11 minutos feita por Pahlavi, que invadiu o sinal de duas estações da República Islâmica.
Em 2022, vários canais exibiram imagens de líderes do grupo de oposição exilado Mujahedeen-e-Khalq e um texto pedindo a morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei.
Fórum de Davos: Convite ao Irã é cancelado
Nesse contexto, o chanceler iraniano Abbas Araghchi teve seu convite para falar no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), cancelado por causa dos assassinatos. O evento começa nesta segunda-feira (19) e vai até sexta (23).
“Embora tenha sido convidado no outono passado, a trágica perda de vidas civis no Irã nas últimas semanas torna inadequada a presença do governo iraniano em Davos este ano”, disse o Fórum.
O embaixador iraniano na Suíça, Mahmoud Barimani, chamou a decisão de “ato irracional, sem dúvida sob pressão e influência de correntes anti-iranianas e americanos-sionistas radicais”.
A Conferência de Segurança de Munique retirou separadamente convites para autoridades iranianas pela repressão.
Porta-aviões americano estaria indo ao Oriente Médio
Com as tensões elevadas entre Teerã e Washington, um porta-aviões americano, que dias antes estava no Mar do Sul da China, passou por Singapura durante a noite para entrar no Estreito de Malaca, numa rota que poderia levá-lo ao Oriente Médio. Os dados são de um rastreamento de navios analisado pela AP nesta segunda-feira (19).
O porta-aviões USS Abraham Lincoln estava no Mar do Sul da China com seu grupo de ataque, como dissuasão contra a China por causa das tensões com Taiwan. Dados indicam que os destróieres guiados USS Frank E. Petersen Jr., USS Michael Murphy e USS Spruance, da classe Arleigh Burke, viajavam junto com o Lincoln.
Vários jornais norte-americanos, citando fontes anônimas, informaram que o Lincoln, com base em San Diego, segue para o Oriente Médio. Ele ainda precisaria de vários dias de navegação para que seus aviões alcancem a região.
O Oriente Médio está sem grupo de porta-aviões ou grupo anfíbio pronto, o que provavelmente complica discussões sobre uma operação militar contra o Irã, dada a ampla oposição de Estados árabes do Golfo a tal ataque.
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Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.
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