Últimas notícias: guerra entra em sua 3ª semana
Trump pediu que países enviem navios para proteger o Estreito de Ormuz, mas não teve garantias de que isso vá ocorrer
Países do Golfo relatam novos ataques
Países do Golfo relataram novos ataques na manhã deste domingo (15.mar.2026), um dia depois de o Irã ter pedido a evacuação de 3 importantes portos nos Emirados Árabes Unidos, ameaçando pela 1ª vez ativos não-americanos de um país vizinho.
Sem apresentar provas, Teerã acusou os Estados Unidos de usarem “portos, docas e esconderijos” nos Emirados Árabes Unidos para lançar ataques contra a Ilha de Kharg, onde fica o principal terminal de exportação de petróleo do Irã.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse esperar que os aliados enviem navios de guerra para ajudar a garantir a segurança do Estreito de Ormuz.
Enquanto isso, os ataques israelenses agravaram a crise humanitária no Líbano, com mais de 800 mortos e mais de 850 mil deslocados.
Eis as últimas informações:
Trump pede que países enviem navios de guerra para proteger o Estreito de Ormuz
O apelo do presidente dos EUA, Donald Trump, à China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros países para que enviem navios de guerra a fim de manter o Estreito de Ormuz “aberto e seguro” não gerou compromissos destas nações.
O pedido ocorreu em meio à disparada dos preços do petróleo durante a guerra com o Irã.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse à NBC que tem estado “em diálogo” com alguns dos países e afirmou esperar que a China “seja uma parceira construtiva” na reabertura do estreito, por onde normalmente passa 1/5 (20%) das exportações globais de petróleo.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse à CBS que Teerã foi “abordada por diversos países” buscando passagem segura para seus navios. Ele não citou quais foram as nações.
Araghchi afirmou que um grupo de navios de “diferentes países” teve permissão para passar pelo Estreito, mas não forneceu detalhes sobre as embarcações. Ele diz que a decisão cabe às Forças Armadas iranianas.
Oficialmente, o Irã diz que o Estreito de Ormuz está aberto a todos os países, exceto aos Estados Unidos e seus aliados.
*Por Sam Metz, Samy Madgy e Julia Frankel
Número de vítimas da guerra aumenta em toda a região
No Irã, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha informou que mais de 1.300 pessoas foram mortas. O Ministério da Saúde do Irã disse que 223 mulheres e 202 crianças estão entre os mortos, segundo a Mizan, agência de notícias oficial do Judiciário.
O governo iraniano mostrou no domingo a jornalistas prédios danificados por ataques em Teerã na sexta-feira. Uma delegacia de polícia foi atingida e os prédios vizinhos sofreram danos. As paredes externas de alguns apartamentos foram completamente arrancadas.
"Deus teve misericórdia de todos nós", disse Elham Movagghari, uma moradora.
Ao menos 820 pessoas morreram no Líbano por ataques israelenses, segundo o Ministério da Saúde. Apoiado pelo Irã, o grupo paramilitar Hezbollah retaliou as forças israelenses, que enviaram ainda mais tropas para uma ocupação já existente no sul libanês.
Em apenas 10 dias, mais de 800 mil pessoas (quase uma em cada 7 pessoas no Líbano) foram deslocadas de suas casas, o que representa uma das mais graves tragédias humanitárias provocadas por esta guerra até agora.
Já os ataques iranianos mataram ao menos 12 civis nos países do Golfo, a maioria trabalhadores migrantes.
Em Israel, 12 pessoas morreram em ataques com mísseis iranianos e outras ficaram feridas, incluindo 3 neste domingo.
Ao menos 13 militares norte-americanos morreram, sendo 6 deles em um acidente de avião no Iraque na semana passada. Outros 6, num acidente aéreo anterior, no Kuwait.
Novo líder do Irã promete continuar lutando
O novo líder do Irã fez suas primeiras declarações públicas na quinta-feira, reafirmando sua determinação em continuar lutando, prometendo mais sofrimento aos estados árabes do Golfo aliados dos EUA e ameaçando abrir “outras frentes”.
As declarações do Líder Supremo, Aiatolá Mojtaba Khamenei, ocorreram enquanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmava que os ataques de seu país estavam criando as condições para que a população iraniana derrubasse o governo.
“Está em suas mãos”, disse Netanyahu em uma coletiva de imprensa, dirigindo-se ao povo iraniano. “Estamos criando as condições ideais para a queda do regime.”
Desde o início da guerra, ataques aéreos dos EUA e de Israel têm como alvo postos de controle de segurança no Irã para minar a capacidade do governo de reprimir a dissidência, de acordo com o ACLED (Armed Conflict Location and Event Data), grupo independente de monitoramento com sede nos EUA.
Agência iraquiana: foguetes atingem aeroporto de Bagdá e arredores, ferindo 5 pessoas
A Célula de Mídia de Segurança do Iraque, afiliada às forças de segurança do país, informou neste domingo que o Aeroporto Internacional de Bagdá e seus arredores foram atingidos por foguetes, ferindo 4 funcionários da segurança aeroportuária e 1 engenheiro.
Dois oficiais de segurança disseram que uma antiga base norte-americana adjacente ao aeroporto, que ainda fornece apoio logístico às operações dos EUA, foi alvo de drones e foguetes Katyusha.
Milícias apoiadas pelo Irã no Iraque lançaram uma série de ataques contra instalações norte-americanas no país desde que os EUA e Israel iniciaram ataques contra o Irã, desencadeando a guerra em curso no Oriente Médio.
A Célula de Mídia de Segurança acrescentou que a plataforma de lançamento de foguetes foi encontrada escondida dentro de um veículo em uma área a oeste da capital e apreendida.
A agência informou ainda que as autoridades afastaram vários comandantes de setor e oficiais de inteligência de suas funções e iniciaram procedimentos legais em relação ao incidente.
Porta-voz do Ministério da Justiça, Ahmed Laibi afirmou em um comunicado separado que os ataques ao aeroporto nos últimos dias atingiram as proximidades da Prisão Central de al-Karkh, “aumentando as preocupações quanto ao impacto na segurança de uma prisão que abriga detentos terroristas de alto risco”.
*Por Qassim Abdul-Zahra
Israel diz que a passagem de Rafah, em Gaza, será reaberta
Um comunicado militar israelense afirma que a passagem do território com o Egito será reaberta na próxima quarta-feira (18) para circulação “limitada” em ambas as direções: apenas pessoas, não carga. Os procedimentos serão os mesmos de antes do fechamento da passagem.
Israel fechou as passagens de Gaza no 1º fim de semana da guerra com o Irã. Entre outros motivos, Rafah é fundamental para evacuações médicas para o exterior. A passagem é a única do território de Gaza que não faz fronteira com Israel.
ONU afirma que forças de paz foram alvejadas no sul do Líbano
Um comunicado da ONU (Organização das Nações Unidas) afirma que os disparos, “provavelmente de grupos armados não estatais”, ocorreram enquanto as forças de paz patrulhavam ao redor de suas bases no domingo. Duas patrulhas revidaram e nenhum membro das forças de paz ficou ferido.
Hassett afirma que os ataques da administração Trump ao Irã custaram US$ 12 bilhões
O diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, falou no programa Face the Nation, da CBS News, no domingo, que os ataques do governo Trump contra o Irã custaram US$ 12 bilhões.
"O último número que me foi informado foi US$ 12 bilhões", disse Hassett.
Estimativas do Pentágono (nome do prédio em que fica o DOW, Department of War), fornecidas ao Congresso, indicam que a guerra custaria US$ 11,3 bilhões em sua 1ª semana. Hassett não especificou o período para o gasto de US$ 12 bilhões.
Questionado se os EUA precisarão solicitar mais verbas ao Congresso, Hassett respondeu:
"Acho que, no momento, temos o que precisamos. Se precisaremos recorrer ao Congresso para obter mais verbas, é algo que Russ Vought [Russell, ou "Russ", é diretor do Departamento de Gestão e Orçamento da Casa Branca] e o OMB [Office of Management and Budget] irão analisar."
Governo iraniano mostra a jornalistas parte de Teerã fortemente danificada por ataque EUA-Israel
Um ataque ao bairro de Javadieh, no sul de Teerã, na sexta-feira, atingiu uma delegacia de polícia e vários prédios vizinhos. Elham Movagghari, uma moradora da região que falou com jornalistas no domingo, disse estar chocada com o ataque.
“Estávamos confusos e não sabíamos o que tinha acontecido”, disse ela. “Simplesmente fugimos.”
Outro morador, Hossein Ghardashi, disse que o impacto o arremessou para o outro lado do cômodo.
“Quando me levantei e recuperei os sentidos, vi que 2 ou 3 pedaços de vidro haviam atingido meu rosto e minha cabeça”, disse ele.
Irã ataca base no Kuwait
O chefe do Estado-Maior da Defesa da Itália, general Luciano Portolano, afirma que um drone atingiu a base Ali Al Salem, no Kuwait, que abriga forças italianas e norte-americanas.
O ataque ocorreu na manhã de domingo e destruiu um drone italiano dentro de um abrigo na própria base. Nenhum militar italiano ficou ferido, afirmou ele, em comentários publicados no X.
Tropas italianas estão estacionadas na base como parte de uma força-tarefa da coalizão que combate o grupo militante Estado Islâmico.
A publicação do Chefe do Estado-Maior da Defesa afirmou que os recursos da força-tarefa italiana “foram reduzidos preventivamente” nos últimos dias devido à guerra em curso. Informou ainda que alguns militares permanecem na base para realizar atividades essenciais. Não especificou quantos italianos permanecem.
Para os moradores do norte de Israel, os disparos de mísseis continuam
Alguns israelenses no norte de Israel têm pouca fé de que suas comunidades se acalmarão em breve, após verem ruir o último cessar-fogo entre Israel e Hezbollah. Eles temem que o conflito possa continuar além da guerra com o Irã.
“Houve uma guerra, houve um acordo, e hoje novamente outra guerra e haverá outro acordo, e outra guerra, e outro acordo”, disse Ahmad Zbidat, encarregado de reformas em um hotel em Metula, do outro lado da fronteira com o Líbano.
Cerca de 100 mil soldados israelenses se concentraram ao longo da Linha Azul, estabelecida pela ONU, que divide os 2 países.
Forças de segurança israelenses foram mobilizadas para o local onde um míssil caiu em Tel Aviv, deixando uma pequena cratera no solo. Este foi um dos pelo menos 23 locais que, segundo o serviço de resgate United Hatzalah, de Israel, foram danificados neste domingo.
Chefe de operações da polícia israelense, Shlomo Shlezinger disse que alguns carros e uma motocicleta foram danificados, mas ninguém ficou ferido ou morto no local.
“Todos estavam dentro dos abrigos seguros”, disse ele. “Agradeço a todos os civis pela sua disciplina civil.”
Reservas de emergência de petróleo 'começarão em breve a fluir para os mercados globais', diz a Agência Internacional de Energia
Sediada em Paris, a AIE (Agência Internacional de Energia), que está ajudando a coordenar o esforço internacional para baixar os preços do petróleo, afirmou que seus países-membros na Ásia e Oceania planejam liberar reservas “imediatamente” e que as reservas da Europa e das Américas “serão disponibilizadas a partir do final de março”.
“Esta ação coletiva de emergência, de longe a maior de todos os tempos, fornece uma reserva significativa e bem-vinda”, disse a AIE num comunicado.
A AIE anunciou na quarta-feira (11) que disponibilizará 400 milhões de barris de petróleo das reservas de emergência de seus membros –mais do que o dobro dos 182,7 milhões de barris que os 32 países da AIE liberaram em 2022 em resposta à invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia.
A atualização da AIE neste domingo (15) informou que seus membros se comprometeram até o momento a disponibilizar um total de quase 412 milhões de barris de reservas governamentais, industriais e outras, dos quais 72% serão petróleo bruto, e o restante, derivados de petróleo.
Primeiro-ministro de Israel mostra que está vivo
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, publicou um vídeo no Facebook, aparentemente para esclarecer uma confusão causada por uma publicação anterior.
Algumas pessoas que assistiram ao vídeo anterior de Netanyahu pensaram que se tratava de uma criação de inteligência artificial, porque em determinado momento ele parecia ter mais de 10 dedos. A partir disso, especularam que o líder israelense poderia ter morrido.
Agora, em um vídeo gravado num café israelense e publicado neste domingo (15), Netanyahu pega um cappuccino com facilidade ostensiva e se vira para a câmera, falando:
“Estão dizendo na internet que o primeiro-ministro morreu? Estou morrendo de vontade de tomar um café”, disse ele.
Em seguida, ele abriu os dedos de cada mão para mostrar que tem apenas 10 e tomou um gole de seu café.
Israel afirma ter interceptores suficientes para manter a defesa aérea contra o Irã
Uma fonte militar israelense disse à Associated Press no domingo que o país tem interceptores suficientes para continuar defendendo seu espaço aéreo contra mísseis iranianos. A fonte falou sob condição de anonimato, em conformidade com o protocolo militar.
O comentário pareceu ser uma tentativa de conter as crescentes especulações de que o aclamado sistema de defesa aérea de Israel, conhecido como Domo de Ferro, estaria com capacidade reduzida. Os interceptores são os mísseis que o sistema usa para destruir foguetes antes que atinjam áreas povoadas.
*Por Julia Frankel
Presidente do Egito telefona para líderes do Golfo para discutir como pôr fim ao conflito
O presidente Abdel Fattah el-Sissi fez uma série de telefonemas no domingo, conversando com o emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad al-Thani; o rei Abdullah II da Jordânia; e o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohammed bin Zayed Al Nahyan.
O ministro das Relações Exteriores do Egito está em visita à região do Golfo.
El-Sissi afirmou em um comunicado que o Egito está intensificando os esforços para buscar uma redução das tensões na região.
Ministro das Relações Exteriores do Irã afirma que não há 'nenhum motivo' para conversar com os enviados de Trump
Abbas Araghchi disse ao programa "Face the Nation" da CBS, no domingo, que os negociadores iranianos estavam tendo conversas com enviados dos EUA no momento em que houve a decisão de atacar seu país.
Araghchi afirmou que "não vemos nenhum motivo para conversarmos com os americanos" sobre como encerrar a guerra e que o Irã não teve "nenhuma boa experiência conversando com os americanos".
Araghchi disse que o Irã está "aberto a países que queiram conversar conosco sobre a passagem segura de seus navios" pelo Estreito de Ormuz e que já foi procurado por "diversas" nações sobre o assunto. Ele não citou quais.
Questionado sobre o destino do material nuclear de seu país, o ministro disse que está sob os escombros dos ataques às instalações nucleares iranianas e que "não temos nenhum plano para recuperá-lo" de lá.
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Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.
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