Trump e Xi Jinping falam sobre o Irã e Taiwan em 'conversa abrangente'
Conversa ocorreu 1 dia antes de expirar o último pacto nuclear remanescente, entre a Rússia e os Estados Unidos
*Por Aamer Madhani e Didi Tang
O fato principal
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (4.fev.2026) que ele e o presidente chinês Xi Jinping tiveram uma conversa telefônica abrangente, na qual discutiram as situações do Irã e de Taiwan, entre outros assuntos críticos na relação EUA-China, incluindo o comércio e os seus planos de visitar Pequim em abril de 2026.
“A relação com a China e minha relação pessoal com o presidente Xi são extremamente boas, e ambos reconhecemos a importância de mantê-la assim”, disse Trump em uma publicação nas redes sociais sobre a ligação.
O governo chinês, em um comunicado sobre a ligação, afirmou que os 2 líderes discutiram importantes eventos que ambos os países sediarão no próximo ano, que podem representar oportunidades para um encontro entre eles. A declaração chinesa, no entanto, não mencionou uma visita de Trump a Pequim em abril.
O que foi discutido
Eis abaixo alguns dos principais tópicos da conversa:
Irã
Trump e Xi conversaram sobre o Irã, que passou por protestos generalizados com violenta repressão do governo e milhares de manifestantes mortos. O presidente dos EUA deixa aberta a possibilidade de fazer uma ação militar contra o país do Oriente Médio.
Trump também pressiona o Irã a fazer concessões em relação ao seu programa nuclear, que, segundo seu governo republicano, já sofreu um revés devido ao bombardeio norte-americano a 3 instalações nucleares iranianas durante a guerra de 12 dias que Israel iniciou contra o Irã em junho de 2025.
Autoridades norte-americanas e iranianas disseram nesta quarta-feira (4.fev) que concordaram em realizar conversas de alto nível na sexta-feira (6) em Omã. As conversas estavam inicialmente previstas para a Turquia, mas foram transferidas para o país do Golfo a pedido do Irã.
Um funcionário da Casa Branca, que não estava autorizado a comentar publicamente e falou sob condição de anonimato, disse que o governo permanece "muito cético" quanto ao sucesso das conversas, mas concordou com a mudança de planos por respeito aos aliados na região.
Trump também anunciou no mês passado, janeiro de 2026, que os EUA imporiam uma taxa adicional de 25% sobre as importações norte-americanas de países que fazem negócios com o Irã. A China é o maior parceiro comercial do Irã, mas a decisão tem potencial para atingir outros integrantes do Brics.
Anos de sanções norte-americanas destinadas a interromper o programa nuclear iraniano deixaram o país isolado. Mas Teerã ainda movimentou quase US$ 125 bilhões em comércio internacional em 2024, incluindo US$ 32 bilhões com a China, US$ 28 bilhões com os Emirados Árabes Unidos e US$ 17 bilhões com a Turquia, segundo a OMC (Organização Mundial do Comércio).
Taiwan
A China também deixou claro que não tem intenção de abandonar seus planos de longo prazo de reunificação com Taiwan, uma ilha autônoma e democrática que opera independentemente da China continental, embora Pequim a reivindique como seu próprio território.
Em dezembro, o governo Trump anunciou um pacote maciço de venda de armas para Taiwan, avaliado em mais de US$ 10 bilhões, que inclui mísseis de médio alcance, obuses e drones. A medida irritou Pequim.
"Taiwan jamais terá permissão para se separar da China. Os EUA devem lidar com a questão da venda de armas para Taiwan com prudência", afirmou o governo chinês em comunicado.
Groenlândia
Nem Trump nem o governo chinês, em sua declaração, mencionaram se os repetidos apelos do líder norte-americano para uma anexação da Groenlândia pelos EUA, território ártico controlado pela Dinamarca, foram abordados durante a conversa.
Trump vem dizendo que a tomada da ilha pelos EUA é necessária para repelir a expansão chinesa e russa, mesmo com especialistas refutando repetidamente as alegações de Trump sobre a presença de forças militares chinesas e russas na costa da Groenlândia.
Xi Jinping também conversa com Putin
Em outra ocasião, Xi Jinping também conversou nesta quarta-feira (4) com o presidente russo, Vladimir Putin.
Trump indicou que gostaria de manter os limites para armas nucleares, mas deseja envolver a China em um possível novo tratado.
"Eu realmente acredito firmemente que, se formos fazer isso, a China deveria ser membro da extensão. A China deveria fazer parte do acordo", disse Trump ao The New York Times no mês passado.
Contexto: cadeias de suprimento globais
A ligação com Xi também coincidiu com uma reunião ministerial convocada pelo governo Trump em Washington com dezenas de nações europeias, asiáticas e africanas para discutir como reconstruir as cadeias de suprimentos globais de minerais críticos sem a participação de Pequim.
Minerais críticos são necessários para tudo, desde motores a jato até smartphones. A China domina o mercado desses ingredientes cruciais para produtos de alta tecnologia (e Taiwan é um dos principais produtores globais de semicondutores).
“O que temos diante de nós é uma oportunidade de autossuficiência, de nunca precisarmos depender de ninguém além dos outros, para os minerais críticos necessários para sustentar nossas indústrias e o crescimento”, disse o vice-presidente JD Vance no encontro.
Xi realizou recentemente uma série de reuniões com líderes ocidentais que buscam fortalecer os laços com a China em meio a crescentes preocupações com as políticas tarifárias de Trump e os apelos para que os EUA assumam o controle da Groenlândia, um território dinamarquês.
A interrupção do comércio global sob o governo Trump tornou a expansão do comércio e do investimento ainda mais imperativa para muitos parceiros econômicos dos EUA.
O Vietnã e a União Europeia elevaram suas relações a uma parceria estratégica abrangente no mês passado, 2 dias depois de UE (União Europeia) e Índia anunciarem um acordo de livre comércio.
O Canadá fechou um acordo no mês passado para reduzir sua tarifa de 100% sobre carros elétricos chineses em troca de tarifas mais baixas sobre produtos agrícolas canadenses.
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Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.
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