Trump diz que considera ataques limitados ao Irã

Por outro lado, diplomata iraniano afirma que está próximo um acordo com os EUA sobre termos nucleares

Trump diz que considera ataques limitados ao Irã
O presidente Donald Trump discursa durante um café da manhã com a Associação Nacional de Governadores no Salão de Jantar de Estado da Casa Branca, na sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, em Washington / Imagem: AP/Evan Vucci
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*Por Farnoush Amiri e Seung Min Kim

O fato principal

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na sexta-feira (20.fev.2026) que ataques limitados contra o Irã são possíveis, mesmo após o principal diplomata iraniano ter dito que Teerã espera ter uma proposta de acordo pronta nos próximos dias, em meio às negociações nucleares com os EUA.

Quando perguntado por um repórter se os EUA poderiam tomar medidas militares limitadas enquanto os 2 países negociam, Trump disse:

"Acho que posso dizer que estou considerando isso."

Algumas horas depois, Trump disse a repórteres que o Irã "faria bem em negociar um acordo justo".

Na mesma sexta-feira (20), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse em uma entrevista na TV que seu país planejava finalizar uma minuta de acordo nos "próximos 2 ou 3 dias" para enviar a Washington.

"Não acho que demore muito, talvez em uma semana ou mais, possamos começar negociações reais e sérias sobre o texto e chegar a uma conclusão", disse Araghchi no programa "Morning Joe" da MSNOW.

As tensões entre os países aumentaram à medida que o governo Trump estabelece a maior presença militar dos EUA no Oriente Médio em décadas, com mais navios de guerra e aeronaves a caminho.

Ainda na sexta-feira (20), o grupo de ataque do porta-aviões USS Gerald R. Ford passou pelo Estreito de Gibraltar e entrou no Mar Mediterrâneo após ser enviado por Trump do Caribe.

Tanto o Irã quanto os EUA sinalizaram que estão preparados para a guerra caso as negociações sobre o programa nuclear de Teerã fracassem.

"Estamos preparados para a diplomacia e para a negociação, assim como estamos preparados para a guerra", disse Araghchi na sexta-feira.

Ali Vaez, especialista em Irã do International Crisis Group, afirmou que o Irã "trataria qualquer ação militar como uma ameaça existencial".

Vaez afirmou não acreditar que os líderes iranianos estejam blefando ao dizerem que retaliariam, embora provavelmente acreditem que poderiam manter o poder apesar de quaisquer ataques aéreos dos EUA.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, discursa durante uma reunião bilateral entre a Suíça e o Irã, em Genebra, Suíça, na terça-feira, 17 de fevereiro de 2026 Imagem: Cyril Zingaro/Keystone via AP

O que o Irã e os EUA estão negociando

Trump disse 1 dia antes que acredita que 10 a 15 dias são “tempo suficiente” para o Irã chegar a um acordo com os EUA, após rodadas de negociações indiretas, incluindo um encontro nesta semana em Genebra, onde poucos avanços visíveis foram apresentados.

As negociações nucleares entre os 2 países estão paralisadas há anos, desde a decisão do próprio Trump, em 2018, de retirar unilateralmente os EUA do acordo nuclear de 2015 com o Irã.

Desde então, o Irã se recusa a discutir as exigências mais amplas dos EUA e de Israel para que reduza seu programa de mísseis e rompa laços com grupos armados.

Araghchi também disse na sexta-feira que seus homólogos norte-americanos não pediram o enriquecimento zero de urânio como parte da última rodada de negociações, diferentemente do que as autoridades dos EUA têm afirmado publicamente.

"O que estamos discutindo agora é como garantir que o programa nuclear do Irã, incluindo o enriquecimento de urânio, seja pacífico e permaneça pacífico para sempre", disse ele.

Ele acrescentou que, em troca, o Irã implementará algumas medidas de fomento da confiança em troca do alívio das sanções econômicas.

Em resposta à declaração de Araghchi, um funcionário da Casa Branca disse que Trump deixou claro que o Irã não pode ter armas nucleares ou a capacidade de construí-las e que não pode enriquecer urânio. O funcionário não estava autorizado a comentar publicamente e falou sob condição de anonimato.

Teerã insiste há muito tempo que quaisquer negociações devem se concentrar apenas em seu programa nuclear e que não enriquece urânio desde os ataques dos EUA e de Israel em junho de 2025 contra instalações nucleares iranianas.

Trump disse na época que os ataques "obliteraram" as instalações nucleares do Irã, mas os danos exatos são desconhecidos, já que Teerã proibiu a entrada de inspetores internacionais.

Embora o Irã insista que seu programa nuclear é pacífico, os EUA e outros países suspeitam que ele visa, eventualmente, o desenvolvimento de armas nucleares.

O que o Congresso dos EUA tem a dizer

Os comentários de Trump enfrentaram resistência de alguns parlamentares que afirmam que o presidente deveria obter a aprovação do Congresso antes de qualquer ataque.

O senador democrata Tim Kaine, da Virgínia, disse na sexta-feira que apresentou uma resolução sobre poderes de guerra que exigiria essa aprovação.

Embora a proposta não tenha chances reais de se tornar lei (em parte porque o próprio Trump teria que assiná-la), um certo consenso bipartidário (entre democratas e republicanos) surgiu recentemente entre os senadores que forçaram votações em resoluções anteriores sobre ação militar na Venezuela.

Nenhuma dessas resoluções foi aprovada, mas elas foram bem-sucedidas em mostrar como os parlamentares estão preocupados com algumas das manobras agressivas de política externa de Trump.

“Se alguns dos meus colegas apoiam a guerra, então deveriam ter a coragem de votar a favor da guerra e serem responsabilizados por seus eleitores, em vez de se esconderem debaixo de suas mesas”, disse Kaine em um comunicado.

*Amiri reportou de Nova York. Os jornalistas da Associated Press Michelle L. Price, Ben Finley, Stephen Groves e Konstantin Toropin, em Washington, e Jon Gambrell, em Dubai, Emirados Árabes Unidos, contribuíram para esta reportagem.

Autor

Associated Press
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Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

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