Trump deve discursar na Suíça, num contexto de ameaças à Groenlândia
Presidente norte-americano afirmou que convidou Lula para integrar o Coselho da Paz que supervisionará atividades em Gaza
O destaque
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou nesta quarta-feira (21.jan.2026) a Davos, na Suíça, onde o Fórum Econômico Mundial ocorre até sexta (23.jan). A chegada do presidente norte-americano ocorre num momento de disputas políticas com líderes europeus sobre a Groenlândia.
Desde antes de assumir este mandato presidencial, Trump tem feito declarações sobre sua intenção de controlar a ilha ártica. O pretexto é garantir a segurança nacional contra as supostas influências da Rússia e da China. No entanto, sabe-se que o degelo causado pelas mudanças climáticas vem abrindo rotas marítimas e ampliando as possibilidades de exploração de minerais.

Trump deve discursar em Davos

É nesse contexto que Trump deve discursar nesta quarta-feira (21) no Fórum de Davos, que reúne quase 3 mil participantes de "alto nível" de 130 países (altos executivos das maiores empresas do mundo, chefes de Estado, autoridades em geral, além de observadores e ativistas).
Espera-se que o presidente norte-americano continue defendendo o controle dos EUA sobre a Groenlândia, que pertence ao Reino da Dinamarca.
A Dinamarca é aliada histórica dos Estados Unidos e uma das fundadoras da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aliança militar historicamente liderada pelos EUA.
Trump anunciou tarifas contra 8 países europeus, numa escalada da sua pressão para tomar a ilha ártica. Os 8 países taxados tinham enviado tropas para a Groenlâdia.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou na terça-feira (20) as novas tarifas planejadas por Trump contra os 8 países da União Europeia como um "erro" e questionou a confiabilidade de Trump.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que a União Europeia poderia retaliar os EUA com uma de suas ferramentas econômicas mais poderosas, conhecida coloquialmente como uma "bazuca" comercial.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também vem criticando as ações de Trump. O Reino Unido está entre os países taxados, e Starmer deve se reunir com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, em Londres, nesta quinta-feira (22).
'Eu gosto dele', diz Trump sobre Lula

Enquanto isso, Trump segue convidando líderes para assumir um lugar no "Conselho da Paz" que vai supervisionar as atividades em Gaza.
Em coletiva de imprensa, Trump foi questionado se convidou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para integrar o Conselho da Paz.
"Eu convidei. Sim, convidei", confirmou.
"Qual o papel que o senhor espera que ele possa desempenhar no Conselho?", perguntou a repórter em seguida.
"Um grande papel, eu gosto dele", respondeu Trump.
O Correio Sabiá reportou anteriormente que um assento permanente no Conselho da Paz custaria cerca de US$ 1 bilhão. A outra modalidade de participação, sem custos, envolve mandatos de 3 anos. O valor arrecadado seria usado para reconstruir a região, que foi devastada pelos bombardeios israelenses.

De acordo com um funcionário da Casa Branca, que falou com a Associated Press sob condição de anonimato para descrever planos internos ainda não divulgados, cerca de 50 países foram convidados a aderir ao Conselho da Paz.
O funcionário não especificou quais países adeririam, embora já se saiba que Hungria e Vietnã estejam dentro do grupo. Ele disse esperar que ao menos 30 países aceitem os convites. Israel também seria um deles.
O próprio Trump será o encarregado de presidir o Conselho da Paz, grupo recém-criado –e que já nasce com a ambição de substituir mecanismos tradicionais de governança global, como o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).
Contexto: Lula sobe críticas contra os EUA
Mesmo sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Lula vem criticando atitudes norte-americanas. Em artigos de opinião publicados nos jornais El País e New York Times nos últimos sábado (17) e domingo (18), respectivamente, Lula:
- Falou da importância de fortalecer o multilateralismo num contexto de acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (que está em atrito com os EUA); e
- Criticou a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, quando o presidente Nicolás Maduro foi capturado para ser levado a Nova York.
O presidente brasileiro vem defendendo há anos a reforma dos mecanismos do multilateralismo. O Brasil é um defensor histórico de mudanças na governança global, mas isso porque quer um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, e não o esvaziamento do órgão.
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Primeira organização de notícias do Brasil criada no WhatsApp, em 2018, para combater a desinformação.


