Trump cancela reuniões com autoridades iranianas e diz a manifestantes que 'a ajuda está a caminho'
Mais de 2 mil pessoas teriam morrido, enquanto outras 16.700 teriam sido detidas
*Por Aamer Madhani / Associated Press
O fato principal
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (13.jan.2026) que cancelou as conversas com autoridades do Irã em meio à repressão do governo deste país aos protestos que já duram cerca de duas semanas. Trump ainda disse aos cidadãos iranianos que “a ajuda está a caminho”.
“Patriotas iranianos, CONTINUEM PROTESTANDO — ASSUMAM SUAS INSTITUIÇÕES!!!”, escreveu Trump em postagem matinal na sua rede social, a Truth Social.
“Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto. Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que a matança sem sentido de manifestantes PARE. A AJUDA ESTÁ A CAMINHO.”
Trump não deu detalhes sobre que tipo de ajuda pretende oferecer. A declaração ocorreu poucos dias depois do republicano dizer que o Irã queria negociar com Washington.
Cronologia
Inicialmente, Trump ameaçou atacar a República Islâmica. Depois, pareceu mais aberto ao diálogo. Com esta última mensagem nas redes sociais, sinaliza uma mudança abrupta de posição sobre a disposição de dialogar com o governo iraniano.

O presidente dos EUA tem ameaçado repetidamente Teerã com uma ação militar, caso seu governo "conclua" que a República Islâmica está usando força letal contra manifestantes antigoverno.
No último domingo (11), Trump disse a repórteres que acreditava que o Irã estava “começando a cruzar” essa linha e que ele e sua equipe de segurança nacional avaliavam “opções muito fortes”, mesmo enquanto dizia que os iranianos estavam tentando se aproximar.
Na segunda-feira (12), a equipe do presidente dos EUA ainda expressava certo otimismo quanto a uma possível saída diplomática.
“O que vocês estão ouvindo publicamente do regime iraniano é bem diferente das mensagens que o governo tem recebido em privado, e acho que o presidente tem interesse em explorar essas mensagens”, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, a repórteres na segunda.
“Mas, dito isso, o presidente já mostrou que não tem medo de usar opções militares quando julgar necessário, e ninguém sabe disso melhor do que o Irã”, acrescentou ela.
Também na segunda (12), Trump anunciou que imporia tarifas de 25% a países que façam negócios com Teerã, “com efeito imediato”, mas a Casa Branca não forneceu detalhes sobre a medida. China, Emirados Árabes Unidos, Turquia, Brasil e Rússia estão entre as economias que mantêm relações comerciais com o Irã.

O vice-presidente J.D. Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e membros-chave do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca começaram na sexta-feira (9) a formular opções para Trump, que variavam de uma abordagem diplomática a ataques militares.
O Irã, por meio do presidente do Parlamento, advertiu que as forças armadas dos EUA e de Israel seriam “alvos legítimos” caso Washington recorresse à força para proteger manifestantes.
Dados sobre os protestos no Irã

O número de mortos nesta onda de protestos no Irã já passou de 2.000, segundo monitores de direitos humanos.
Mais de 600 protestos já ocorreram nas 31 províncias do Irã, informou nesta terça-feira (13) a Human Rights Activists News Agency, baseada nos EUA.
O mesmo grupo de ativistas afirmou que 1.850 dos mortos eram manifestantes e 135 eram ligados ao governo. Disse ainda que mais de 16.700 pessoas foram detidas.
Entender a escala exata dos protestos tem sido difícil. A mídia estatal iraniana divulga poucas informações sobre as manifestações. Vídeos online mostram apenas vislumbres breves e tremidos de pessoas nas ruas ou o som de tiros.
Outras questões geopolíticas
A pressão de Trump para que o governo iraniano encerre a repressão ocorre enquanto ele lida com uma série de outras questões de política externa ao redor do mundo.
Faz pouco mais de uma semana que as forças militares dos EUA realizaram uma operação para prender o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e tirá-lo do poder. Os EUA continuam concentrando um número incomumente grande de tropas no Mar do Caribe.
Trump também tenta levar Israel e Hamas à 2ª fase do acordo de paz em Gaza e intermediar um acerto entre Rússia e Ucrânia para encerrar a guerra de quase 4 anos no Leste Europeu.

As atuais manifestações do Irã são as maiores em anos. O governo atual comanda o país desde a Revolução Islâmica de 1979, e os protestos foram desencadeados pelo colapso da moeda iraniana. Virou um teste à liderança do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.
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Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.
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