Trump anuncia tarifas contra 8 países europeus, em pressão para tomar a Groenlândia

Enquanto isso, Europa fecha acordo comercial com o Mercosul e Lula critica ações norte-americanas na Venezuela, em artigo de opinião publicado no NYTimes

Trump anuncia tarifas contra 8 países europeus, em pressão para tomar a Groenlândia
Imagem: AP/Evgeniy Maloletka
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Agenda

Esta semana começa com o Fórum Econômico de Davos, na Suíça, a ser realizado de 19 a 23 de janeiro de 2026 num contexto de pressão geopolítica pelas novas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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O destaque

A Groenlândia ocupa posição estratégica no Ártico e vem sendo objeto de cobiça expansionista dos EUA / Imagem: AP/Evgeniy Maloletka

Trump anunciou, no sábado (17.jan), taxas adicionais de 10% para todos os bens importados da França, Alemanha, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia, Países Baixos e Dinamarca. As tarifas entram em vigor a partir de 1º de fevereiro.

Os 8 países enviaram soldados à Groenlândia na última semana, diante das ameaças crescentes do presidente norte-americano de possuir a ilha ártica, seja por uso da força (militar) ou poder financeiro.

Expansionismo? Trump sugere anexar Groelândia, Canal do Panamá e Canadá aos Estados Unidos; entenda
Suposto interesse na Groelândia colide com fundamentos da Otan e tem potencial de legitimar interesses expansionistas de outros países
O que dizem os groenlandeses sobre o desejo de Trump em tomar a ilha ártica
De maneira geral, população local, que não chega a 60 mil habitantes, defende sua autonomia e desacredita no presidente norte-americano
🇬🇱
A Groenlândia tem importância estratégica por sua localização no Ártico, entre a América do Norte e a Europa. Funciona como ponto-chave para rotas militares, comerciais e de vigilância. O território abriga infraestrutura relevante dos Estados Unidos, como a base aérea de Pituffik, essencial para sistemas de alerta antecipado de mísseis e monitoramento do espaço aéreo do Atlântico Norte. Além disso, o derretimento do gelo causado pelas mudanças climáticas vem abrindo novas rotas marítimas e ampliando o acesso a recursos naturais valiosos, como minerais críticos e terras raras, o que aumenta o interesse geopolítico de potências, como os EUA, a China e a Rússia.

Mercosul-União Europeia

Lula durante discurso pelo fechamento do acordo comercial com a União Europeia / Imagem: Maurício Ferro/Correio Sabiá

Num outro movimento que também reforça a posição da Europa diante do contexto de incertezas globais pelas taxas dos Estados Unidos, houve neste sábado (17) o fechamento do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

O encontro que chancelou o acordo ocorreu em Assunção, no Paraguai, país que ocupa neste momento a presidência rotativa do Mercosul. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu enviar o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) para representar o Brasil.

O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, da esquerda para a direita; o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz; o presidente do Conselho Europeu, António Costa; a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; o presidente do Paraguai, Santiago Peña; o presidente da Argentina, Javier Milei; o presidente do Uruguai, Yamandu Orsi; e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, posam para uma foto em grupo durante uma reunião para a assinatura de um acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul em Assunção, Paraguai, no sábado, 17 de janeiro de 2026 / Imagens: AP/Jorge Saenz

Na véspera, sexta-feira (16), Lula recebeu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro. Nesta ocasião, sem outros líderes, capitalizou politicamente pelo fechamento do acordo. O Correio Sabiá participou presencialmente da cobertura.

Em encontro com presidente da Comissão Europeia, Lula celebra acordo comercial Mercosul-União Europeia
Agenda das duas autoridades antecede em 1 dia o fechamento oficial do acordo, em Assunção, no Paraguai

Lula escreve no New York Times e no El País

Em artigo de opinião publicado no sábado (17) no New York Times, Lula defendeu que o hemisfério ocidental pertence a todos. O texto não cita Trump diretamente, mas critica as ações norte-americanas na Venezuela.

"Os ataques dos EUA em território venezuelano e a captura de seu presidente em 3 de janeiro representam mais um capítulo lamentável na contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial", escreveu.
Sem citar Trump, Lula critica ataque à Venezuela em artigo no NY Times: ‘não seremos subservientes’ - BBC News Brasil
No artigo, Lula critica a política externa americana mas não cita o nome do presidente Donald Trump.

Num outro texto publicado na véspera, sexta-feira (16), Lula defendeu o acordo firmado entre Mercosul e União Europeia, o qual reforça, segundo ele, o papel e a importância do multilateralismo. É outra crítica às ações norte-americanas.

El Acuerdo Mercosur-UE es la respuesta del multilateralismo al aislamiento
Ante el crecimiento del extremismo político, el Mercosur y la Unión Europea demuestran en la práctica que el multilateralismo sigue siendo actual e imprescindible

Portugal terá 2º turno da eleição presidencial

Um eleitor vota nas eleições presidenciais de Portugal em uma seção eleitoral em Lisboa, domingo, 18 de janeiro de 2026 / Imagem: AP/Armando Franca

Portugal terá 2º turno presidencial, marcado para 8 de fevereiro de 2026. O vencedor substituirá o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que já cumpriu o limite de 2 mandatos de 5 anos. O resultado do 1º turno, com 98% das urnas apuradas, foi:

  • António José Seguro, candidato socialista de centro‑esquerda, com quase 31% dos votos; e
  • André Ventura, líder de extrema direita do Chega (Basta), partido que fundou há menos de 7 anos, com 24% dos votos.

O desempenho de Ventura é mais um marco na guinada da Europa à extrema direita, com partidos populistas assumindo ou se aproximando dos centros de poder nos últimos anos. O mesmo vem ocorrendo em países como França, Alemanha, Itália e na vizinha Espanha.

A arrancada do Chega no apoio popular transformou o partido na segunda maior força no Parlamento português no ano passado, apenas 6 anos após sua criação.

Outros 9 candidatos concorreram em um campo recorde na eleição presidencial, mas nenhum chegou perto dos mais de 50% necessários para uma vitória em 1º turno.

Portugal realiza eleição presidencial sob ameaça de mais um avanço da extrema direita na Europa
Entenda a seguir o papel do presidente português e o momento de instabilidade política pelo qual o país passa

Oriente Médio

Imagem: AP Photo

Enquanto o Irã voltava a uma calma tensa após uma onda de protestos reprimida com violência, um influente clérigo linha-dura pedia nesta sexta-feira (16.jan.2026) a aplicação da pena de morte a manifestantes detidos, com críticas aos Estados Unidos e a Israel.

Sem sinais de novos protestos no Irã, enquanto um clérigo ‘linha-dura’ pede execuções
Havia mais de 3 mil mortes em decorrência da repressão do governo às manifestações, segundo dados consolidados até sexta-feira (16.jan.2026)

A agência Human Rights Activists News Agency, sediada nos Estados Unidos, fixou na sexta-feira (16) o número de mortos em 3.090. A quantidade é maior do que qualquer outra onda de protestos ou distúrbios no Irã em décadas e remete à Revolução de 1979, quando os aiatolás chegaram ao poder.

Palestinos deslocados cozinham e se aquecem ao redor de uma fogueira em um acampamento de tendas na Cidade de Gaza, domingo, 18 de janeiro de 2026 / Imagem: AP/Jehad Alshrafi

Já em Gaza, ao menos 13 países afirmam que os Estados Unidos os convidaram a integrar o Conselho da Paz do presidente norte-americano Donald Trump, um novo órgão de líderes mundiais criado para supervisionar os próximos passos no território. Dois desses países, Hungria e Vietnã, disseram que aceitaram. Para garantir um assento permanente, o valor seria de US$ 1 bilhão.

Em cartas enviadas na sexta-feira (16) a líderes mundiais, convidando-os a se tornarem “membros fundadores”, Trump afirmou que o Conselho de Paz “lançará uma nova e ousada abordagem para a resolução de conflitos globais”. O novo órgão demonstra ambições de ampliar sua participação nos assuntos mundiais.

O órgão pode se tornar um potencial rival do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), a mais relevante estrutura multilateral, criada após a Segunda Guerra Mundial.

US$ 1 bilhão garante assento permanente no Conselho da Paz para Gaza, de Trump
Ao menos 13 países já teriam sido convidados. Valor arrecadado deve ser usado para reconstrução do território.

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