Trump adota tom mais brando sobre repressão à imigração em Minnesota
Alguns agentes federais se preparam para deixar o estado, após assassinato de manifestante –o 2º em cerca de 15 dias
*Por Steve Karnowski e Mike Balsamo
O fato principal
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou um tom mais brando nesta segunda-feira (26.jan.2026) em relação à repressão à imigração em Minnesota, onde um manifestante foi executado por agentes federais no último sábado (24.jan). Foi a 2ª morte de um cidadão norte-americano por esta causa em cerca de 15 dias.
Trump destacou conversas produtivas com o governador de Minnesota, Tim Walz, e com o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey. Ambos são do Partido Democrata, adversário político do Partido Republicano de Trump.
"Governor Tim Walz called me with the request to work together with respect to Minnesota. It was a very good call, and we, actually, seemed to be on a similar wavelength... Crime is way down, but both Governor Walz and I want to make it better!" - President Donald J. Trump 🇺🇸 pic.twitter.com/ZjrSDU8uAz
— The White House (@WhiteHouse) January 26, 2026
O prefeito de Minneapolis afirmou que pediu a Trump, na ligação, que encerrasse o aumento de ações de fiscalização de imigração. Disse que o presidente concordou que a situação atual não pode continuar; que alguns agentes sairão em breve; e que continuará pressionando pela saída de outros envolvidos na Operação Metro Surge.
Anteriormente, Trump havia determinado a ida do comandante sênior da Patrulha de Fronteira, Gregory Bovino, para assumir o controle das operações em Minnesota. Entre os agentes que devem deixar o estado já nesta terça-feira (27) está o próprio Greg Bovino.

Bovino esteve no centro da ofensiva do governo em cidades de todo o país. Sua saída representa uma mudança relevante na postura pública da aplicação da lei federal em meio à crescente indignação com o assassinato do enfermeiro de UTI Alex Pretti, de 37 anos, baleado por agentes da Patrulha de Fronteira.

A liderança de Bovino em operações federais, incluindo ações que provocaram grandes manifestações em Los Angeles, Chicago, Charlotte e Minneapolis, provocou duras críticas de autoridades locais, defensores de direitos civis e democratas no Congresso.

O “czar da fronteira”, Tom Homan, assumirá as operações do Serviço de ICE (Imigração e Controle de Alfândega) em Minnesota. Frey disse que planeja se reunir com Homan nesta terça-feira (27).
A conversa de Trump com o governador de Minnesota

Trump e o governador democrata Tim Walz conversaram por telefone e, depois, divulgaram comentários que representaram uma mudança em relação às críticas anteriores que ambos faziam um ao outro.
Walz, em comunicado, disse que a ligação foi “produtiva” e que são necessárias investigações imparciais sobre os tiroteios.
A conversa ocorreu no mesmo dia em que uma juíza federal ouviu argumentos em um processo que busca interromper o aumento das ações federais de imigração no estado.
Enquanto isso, advogados da administração, do estado e das cidades de Minneapolis e St. Paul compareceram nesta segunda-feira (26) diante da juíza distrital Katherine Menendez, que avalia se deve conceder o pedido de suspensão temporária das operações de imigração.
Ela disse que o caso é prioritário, mas determinou, em despacho posterior, que os advogados do governo federal devem apresentar um novo memorando até as 18h de quarta-feira (28).

Menendez pediu que os advogados abordassem, entre outros pontos, a alegação do estado e das cidades de que o objetivo da Operação Metro Surge é puni-los por suas leis e políticas de “cidades-santuário”.
Os advogados do estado e das cidades argumentaram que a situação nas ruas é tão grave que exige que o tribunal interrompa as ações federais de fiscalização.
“Se isso não for interrompido aqui e agora, acho que ninguém que esteja olhando seriamente para este problema pode ter muita fé em como nossa República seguirá adiante”, disse o procurador-geral assistente de Minnesota, Brian Carter.
'Czar da fronteira' em Minnesota
Trump publicou nesta segunda-feira nas redes sociais que Homan se reportará diretamente a ele.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Homan será “o principal ponto de contato em Minneapolis” durante a continuidade das operações dos agentes federais de imigração.

Numa audiência nesta segunda-feira (26), um advogado do governo informou que cerca de 2.000 agentes do ICE e pelo menos 1.000 da Patrulha de Fronteira estão em Minnesota.
O processo pede que a juíza reduza o número de agentes federais de imigração no estado ao nível anterior à operação e limite o escopo das ações de fiscalização.
O caso tem implicações para outros estados que foram ou poderiam ser alvo de reforços semelhantes nas operações federais de imigração. Procuradores-gerais de 19 estados e do Distrito de Colúmbia, liderados pela Califórnia, apresentaram um documento de apoio à causa de Minnesota.
Em outro caso, um juiz federal diferente, Eric Tostrud, analisou o pedido do Departamento de Justiça para suspender uma ordem emitida no sábado (24), que impedia o governo Trump de “destruir ou alterar provas” relacionadas ao tiroteio ocorrido naquele dia.
Os advogados do Departamento de Investigação Criminal do estado disseram ao juiz que não confiam no governo federal para preservar as provas, citando a falta de cooperação após terem declarado que foram impedidos de acessar a cena do crime.
Mas os advogados do governo federal argumentaram que a ordem temporária deveria ser dissolvida porque seus investigadores já estão seguindo os procedimentos adequados de preservação e que se opõem a uma “microgestão” judicial sobre quais evidências o estado pode examinar enquanto a investigação federal estiver em andamento.
Juíza questiona os motivos do governo

A juíza questionou a motivação federal por trás da ofensiva e expressou ceticismo em relação a uma carta recente da procuradora-geral Pam Bondi enviada a Walz.
A carta pedia que o estado concedesse acesso às listas de eleitores, entregasse registros estaduais de programas de saúde e assistência alimentar e revogasse políticas de “cidades-santuário”.
“Quer dizer que não há limite para o que o Poder Executivo pode fazer sob o pretexto de aplicar a lei de imigração?”, perguntou Menendez, observando que os pedidos federais são alvo de litígio.
Brantley Mayers, advogado do Departamento de Justiça, afirmou que o objetivo do governo é cumprir a lei federal e que uma ação legal não deve ser usada para descreditar outra ação igualmente legal.
“Não vejo como o fato de também estarmos fazendo outras coisas que temos permissão constitucional para fazer possa, de alguma forma, invalidar uma parte da mesma operação, do mesmo aumento”, disse Mayers.
Menendez questionou onde está o limite entre uma violação constitucional e o Poder Executivo de fazer cumprir a lei. Também perguntou se estava sendo chamada a decidir entre políticas estaduais e federais.
“Isso começa a parecer muito como se eu estivesse decidindo qual abordagem política é melhor”, afirmou.
Ao discutir a possibilidade de agentes federais entrarem em residências sem mandado, a juíza demonstrou relutância em decidir questões que ainda não foram levantadas formalmente no processo.
Menendez declarou que está tendo dificuldade em decidir o caso por ser uma situação incomum, com poucos precedentes.
“É justamente por ser importante que estou fazendo todo o possível para acertar”, disse.
O estado de Minnesota e as cidades haviam processado o Departamento de Segurança Interna no início do mês, 5 dias depois de Renee Good ser baleada por um agente do ICE.
O assassinato de Alex Pretti por um agente da Patrulha de Fronteira no sábado acrescentou urgência ao caso.
*Balsamo informou de Washington. Os jornalistas da Associated Press Jack Brook (Minneapolis), Giovanna Dell’Orto (St. Paul, Minnesota) e Mike Catlaini (Trenton, Nova Jersey) contribuíram para este relato.
Autor
Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.
