Rubio mantém 'porta aberta' para novas ações militares na Venezuela
Enquanto isso, Trump deixa possibilidade de atacar o Irã em aberto e faz ameaça ao Iraque, onde os EUA derrubaram o governo em 2003
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O destaque

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, planeja alertar, nesta quarta-feira (28), que o governo do presidente Donald Trump está pronto para adotar novas medidas militares contra a Venezuela caso a liderança interina do país se desvie das expectativas dos EUA.
O alerta vai ocorrer dias após a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, fazer declarações críticas à interferência norte-americana na política do país, em discurso a trabalhadores do setor petrolífero no estado de Anzoátegui, no leste do país.
“Chega de ordens de Washington sobre os políticos na Venezuela. Deixemos que a política venezuelana resolva nossas diferenças e conflitos internos. Chega de potências estrangeiras”, declarou Rodríguez no domingo (25).
Em depoimento preparado para uma audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado, Rubio afirma que os EUA não estão em guerra com a Venezuela e que seus líderes interinos estão cooperando.
No entanto, o secretário de Estado observa, neste mesmo depoimento, que o governo Trump não descartaria o uso de força adicional, se considerar necessário, após a operação que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro no início deste mês.
“Estamos preparados para usar a força para garantir a máxima cooperação, caso outros métodos falhem. Esperamos que isso não se mostre necessário, mas jamais nos furtaremos ao nosso dever para com o povo americano e nossa missão neste hemisfério”, dirá Rubio, de acordo com sua declaração de abertura preparada e divulgada nesta terça-feira (27) pelo Departamento de Estado.
Ex-senador pela Flórida, Rubio deve atuar para tentar convencer seus ex-colegas no Congresso sobre prioridades controversas da administração Trump, cuja política externa vem oscilando entre o Hemisfério Ocidental, a Europa e o Oriente Médio. Ele também poderá ser chamado a acalmar o alarme que surgiu em seu próprio partido sobre a exigência de Trump em anexar a Groenlândia.

Na audiência desta quarta (28), que é focada na Venezuela, Rubio:
- Defenderá as decisões de Trump de depor Maduro para que ele responda por acusações de narcotráfico nos EUA; de continuar os ataques militares letais contra embarcações suspeitas de contrabando de drogas; e de apreender petroleiros sancionados que transportam petróleo venezuelano.
- Rejeitará novamente as alegações de que Trump está violando a Constituição ao tomar tais medidas.
“Não há guerra contra a Venezuela e não ocupamos nenhum país. Não há tropas americanas em solo venezuelano. Esta foi uma operação para auxiliar as forças da lei”, dirá ele, segundo o discurso preparado.
Reabertura da embaixada dos EUA na Venezuela

O governo Trump notificou o Congresso de que está tomando as primeiras medidas para reabrir a Embaixada dos EUA na Venezuela, que está fechada, enquanto explora a possibilidade de restabelecer relações com o país sul-americano.
Em um comunicado aos parlamentares datado de segunda-feira (26) e obtido pela Associated Press na terça-feira (27), o Departamento de Estado informou que enviará um contingente regular e crescente de funcionários temporários para desempenhar funções diplomáticas "selecionadas".
"Estamos escrevendo para notificar o comitê sobre a intenção do Departamento de Estado de implementar uma abordagem gradual para potencialmente retomar as operações da Embaixada em Caracas", afirmou o departamento em cartas separadas, mas idênticas, enviadas a 10 comissões da Câmara e do Senado.
Irã: 1 mês desde o início dos protestos; mais de 6,2 mil mortes confirmadas

Autoridades do Irã buscaram apoio de outros países do Oriente Médio nesta quarta-feira (28.jan.2026) devido à ameaça de ataque militar dos Estados Unidos contra o país, exatamente 1 mês após o início dos protestos que se espalharam por todo o território nacional e desencadearam uma violenta repressão.
A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos sinalizaram que não permitirão que seu espaço aéreo seja usado para qualquer ataque. Mas os Estados Unidos deslocaram o porta-aviões USS Abraham Lincoln e vários destróieres de mísseis guiados para a região, com capacidade de lançar ataques a partir do mar.
Ainda não está clara qual será a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o uso da força, embora ele tenha estabelecido duas linhas vermelhas: o assassinato de manifestantes pacíficos e a possível execução em massa de detidos.
A agência Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA, afirmou que ao menos 6.221 pessoas morreram, incluindo 5.858 manifestantes, 214 membros das forças governamentais, 100 crianças e 49 civis que não participavam dos protestos. Mais de 42.300 pessoas foram presas.
Trump adverte o Iraque contra o retorno do ex-primeiro-ministro al-Maliki ao poder

O presidente Donald Trump alertou o Iraque na terça-feira (27) que os Estados Unidos não apoiarão mais o país caso seu ex-primeiro-ministro, Nouri al-Maliki, retorne ao poder.
Trump deu a declaração dias depois do bloco político dominante conhecido como Quadro de Coordenação, uma aliança de partidos xiitas, anunciar seu apoio à nomeação de al-Maliki, a quem o governo norte-americano considera muito próximo do Irã.
“Da última vez que Maliki esteve no poder, o país mergulhou na pobreza e no caos total. Isso não deve acontecer novamente”, disse Trump em uma publicação nas redes sociais anunciando sua oposição a al-Maliki.

“Por causa de suas políticas e ideologias insanas, se eleito, os Estados Unidos da América não ajudarão mais o Iraque e, se não estivermos lá para ajudar, o Iraque terá ZERO chance de sucesso, prosperidade ou liberdade”, acrescentou Trump.
A intervenção de Trump na política iraquiana ocorre em um momento delicado no Oriente Médio. O presidente tem elevado o tom contra o Irã e mantém abertas diferentes opções de pressão sobre Teerã, ao mesmo tempo em que afirma apoiar manifestantes iranianos diante da repressão violenta aos protestos recentes no país.
Vizinho do Iraque, o Irã exerce forte influência sobre a política iraquiana desde a deposição de Saddam Hussein pelos Estados Unidos, em 2003, especialmente por meio de partidos e milícias alinhados a Teerã.

Lula em viagem ao Panamá

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em viagem oficial ao Panamá, onde participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina.
Nesta quarta-feira (28), Lula tem entre seus compromissos confirmados em agenda:
- Reunião bilateral com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz
- Reunião com o presidente do Panamá, José Raúl Mulino
- Almoço oferecido pelo presidente do Panamá aos chefes de Estado e de governo dos diferentes países que participam do Fórum
Em seguida, o presidente retorna ao Brasil.
Reunião com presidente eleito do Chile

Lula teve reunião na terça-feira (27) com o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast. O encontro durou 1 hora e meia, e ambos reiteraram a importância de manter e aprofundar as relações entre os 2 países. Eles destacaram a disposição de ampliar a cooperação em áreas como infraestrutura, energia renovável, comércio e turismo.
De acordo com nota divulgada pelo governo federal, "o presidente chileno estava acompanhado de futuros ministros do seu gabinete", enquanto Lula estava com as seguintes autoridades:
- Ministra Simone Tebet (Planejamento e Orçamento);
- Ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores);
- Ministro Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos); e
- Ministro Gustavo Feliciano (Turismo).
Ainda de acordo com a nota do governo brasileiro, Lula "enfatizou que o programa Rotas de Integração Sul-americana está estruturando 2 corredores bioceânicos que utilizarão portos chilenos para facilitar a integração entre Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Chile, fortalecendo a conectividade regional."
Os 2 líderes também trataram "da necessidade de promover a estabilidade regional, reforçar a segurança pública e intensificar ações conjuntas de combate ao crime organizado".
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*A edição desta quarta-feira (28.jan.2026) contou com apoio de diferentes conteúdos da Associated Press, agência global de notícias com a qual o Correio Sabiá firmou parceria para este ano, 2026.
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