Preços do petróleo disparam nas negociações após ataques no Oriente Médio
Cerca de 1/5 da produção global de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, atualmente fechado pelo Irã
Os preços do petróleo subiram acentuadamente no início das negociações neste domingo (1.mar.2026), em função dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã e dos ataques retaliatórios iranianos contra Israel e instalações militares norte-americanas ao redor do Golfo Pérsico, que causaram interrupções na cadeia global de suprimentos de energia.
Os investidores apostavam que o fornecimento de petróleo do Irã e de outras partes do Oriente Médio diminuiria ou pararia completamente. Os ataques em toda a região, incluindo contra duas embarcações que navegavam pelo Estreito de Ormuz, a estreita passagem que liga o Golfo Pérsico ao continente, restringiram a capacidade dos países de exportar petróleo para o resto do mundo.
Ataques prolongados provavelmente resultariam em preços mais altos para o petróleo bruto e a gasolina, segundo especialistas em energia.
O WTI (West Texas Intermediate), o petróleo bruto leve e doce produzido nos Estados Unidos, estava sendo negociado a cerca de US$ 72 o barril na noite de domingo, um aumento de cerca de 8% em relação ao preço de negociação de cerca de US$ 67 na sexta-feira (27.fev), de acordo com dados do CME Group.

Um barril de petróleo Brent, o padrão internacional, estava sendo negociado a cerca de US$ 79 na noite de domingo, segundo a FactSet, um aumento de cerca de 8% em relação ao preço de negociação de US$ 72,87 na sexta-feira (27), que havia sido a maior cotação em sete meses até então.
A alta dos preços globais da energia pode levar os consumidores a pagar mais pela gasolina nos postos e a gastar mais com alimentos e outros produtos, em um momento em que muitos já sentem os impactos da inflação elevada.
Petroleiros que transitam pelo estreito, que faz fronteira ao norte com o Irã, transportam petróleo e gás da Arábia Saudita, Kuwait, Iraque, Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Irã.
O Irã havia fechado temporariamente partes do estreito em meados de fevereiro para o que alegou ser um exercício militar, o que levou os preços do petróleo a subirem cerca de 6% nos dias seguintes.
Nesse contexto, oito países que fazem parte do cartel de petróleo Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) anunciaram no domingo (1.mar) que aumentariam a produção de petróleo bruto.
A Opep, em reunião planejada antes do início da guerra, afirmou que aumentaria a produção em 206.000 barris por dia em abril, mais do que os analistas previam. Os países que aumentarão a produção incluem Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã.
“Aproximadamente 1/5 do fornecimento global de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, uma artéria vital para o comércio mundial, o que significa que os mercados estão mais preocupados com a possibilidade de os barris serem transportados do que com a capacidade ociosa no papel”, disse num e-mail o vice-presidente sênior e chefe de análise geopolítica da Rystad, Jorge León.
"Se o fluxo através do Golfo for restringido, o aumento da produção proporcionará um alívio imediato limitado, tornando o acesso às rotas de exportação muito mais importante do que as metas de produção anunciadas", acrescentou.
O Irã exporta cerca de 1,6 milhão de barris de petróleo por dia, principalmente para a China, que pode precisar buscar outras fontes de abastecimento caso as exportações iranianas sejam interrompidas, outro fator que poderia aumentar os preços da energia.
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Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.
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