Partido de extrema-direita da Alemanha reelege seus líderes, enquanto manifestantes entram em confronto com a polícia para tentar impedi-los

Alternativa para a Alemanha (AfD) tentou demonstrar unidade ao votar pela prorrogação dos mandatos

Partido de extrema-direita da Alemanha reelege seus líderes, enquanto manifestantes entram em confronto com a polícia para tentar impedi-los
Policiais fazem a segurança enquanto manifestantes bloqueiam uma via durante um protesto contra a convenção partidária da Alternativa para a Alemanha (AfD) em Erfurt, Alemanha, no sábado, 4 de julho de 2026 / Imagem: AP/Ebrahim Noroozi
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*Por David Keyton, Pietro de Cristofaro e Ebrahim Noroozi

O fato principal

Os delegados da convenção nacional do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) reelegeram de forma expressiva, neste sábado (4.jul.2026), seus líderes — incluindo Alice Weidel —, enquanto dezenas de milhares de manifestantes tentavam interromper a reunião e alguns entravam em confronto com a polícia.

O Alternativa para a Alemanha (AfD) buscou demonstrar unidade ao votar pela prorrogação dos mandatos de Weidel e Tino Chrupalla, que lideram a legenda em conjunto há 4 anos e concorreram sem oposição neste sábado. Weidel foi reeleita com 81% dos votos, enquanto Chrupalla obteve 70%. Os partidos alemães elegem seus líderes a cada 2 anos.

As manifestações do lado de fora da convenção, realizada na cidade de Erfurt (no leste do país), refletiram como o AfD dividiu a Alemanha, ao mesmo tempo em que se tornou o maior partido de oposição em nível nacional e a força política mais poderosa na região leste alemã, anteriormente comunista.

O evento de sábado pôde começar no horário previsto, apesar dos protestos; dirigentes do partido defenderam seu "direito fundamental e legalmente garantido de realizar convenções partidárias".

"Não existem bloqueios pacíficos com pessoas sentadas. Não existem bloqueios de estradas democráticos. Nem existem gangues de arruaceiros que mereçam o rótulo inofensivo de 'sociedade civil'. Esses agitadores são o último recurso dos nossos rivais políticos", disse Chrupalla.
Alice Weidel, líder da bancada do AfD (à direita), e Tino Chrupalla, presidente do AfD, participam da convenção do partido no Centro de Exposições de Erfurt, em Erfurt, Alemanha. Sábado, 4 de julho de 2026 / Imagem: Katharina Kausche/dpa via AP

Efeméride: data da convenção é a mesma de reunião nazista

A convenção do fim de semana gerou polêmica adicional por coincidir com o centenário de uma reunião do Partido Nazista realizada nas proximidades, que consolidou o poder de Adolf Hitler sobre o movimento fascista. Historiadores e opositores políticos afirmam que a coincidência de datas carrega um forte simbolismo — uma acusação que o AfD rejeita.

AfD enfrenta "cordão sanitário" enquanto seu apoio cresce
O AfD conquistou o segundo lugar nas eleições nacionais de fevereiro de 2025, com 20,8% dos votos — o melhor desempenho de um partido de extrema-direita desde a Segunda Guerra Mundial. Desde então, o apoio ao partido cresceu, tornando-o a legenda com maior preferência no país.

Apesar do apoio crescente, há quem defenda a proibição do partido, e é provável que os manifestantes deste fim de semana reforcem esses apelos. No entanto, a Suprema Corte da Alemanha já estabeleceu critérios extremamente rigorosos para a proibição de partidos.

Embora Weidel tenha declarado recentemente que "2026 é um ano decisivo para o AfD", os partidos tradicionais afirmam que não colaborarão com a legenda — uma postura frequentemente chamada de "cordão sanitário" contra partidos de extrema-direita.

A polícia informou que cerca de 31.000 pessoas participaram dos protestos de sábado, segundo a agência de notícias alemã dpa. As manifestações foram, em grande parte, pacíficas, com manifestantes segurando cartazes como "Parem os nazistas da AfD" e "Pela diversidade, contra os nazistas".

Lena Raupach, porta-voz da widersetzen — uma aliança antifascista cujo nome significa "resistir" —, disse que o grupo esperava bloquear a convenção.

"A AfD defende políticas fascistas: quer deportações em massa e terror nas ruas. Ao mesmo tempo, porém, não resolve um único problema real", disse ela.
"Defende políticas que beneficiam os ricos, não os cidadãos comuns. E nós, da widersetzen, queremos uma sociedade em que todas as pessoas tenham oportunidades e segurança iguais. Queremos uma sociedade baseada na solidariedade", acrescentou ela.

O Departamento Federal de Proteção à Constituição, a agência de inteligência interna da Alemanha, anunciou no ano passado que havia classificado a AfD como um grupo comprovadamente extremista de direita, mas suspendeu a designação após uma contestação judicial.

Em fevereiro, um tribunal de Colônia decidiu que a agência não pode utilizar essa classificação enquanto a corte analisa a ação judicial movida pelo partido.

A AfD rejeita veementemente as acusações de extremismo e argumenta que a agência está sendo usada como instrumento político pelos partidos tradicionais.

Próxima eleição estadual pode trazer grande vitória

A AfD está capitalizando a impopularidade de um governo que tenta reformar uma economia estagnada. O partido tornou-se hábil em aproveitar o descontentamento com questões que vão muito além de sua pauta principal — o controle da imigração —, o que impulsionou sua ascensão em meados da década de 2010.

A AfD espera conquistar 40% ou mais dos votos na eleição estadual de 6 de setembro, na região de Saxônia-Anhalt, no leste do país. Isso poderia colocar o partido no caminho para obter a maioria absoluta ou deixá-lo em posição de tentar atrair dissidentes de outros partidos, abrindo caminho para eleger seu primeiro governador estadual.

"Nós vamos vencer. Talvez consigamos governar sozinhos em breve", disse Chrupalla. "Isso enviaria a mensagem certa aos inimigos da democracia que queriam impedir a realização da convenção do nosso partido."

O partido, que há muito defende o levantamento das sanções contra a Rússia e se opõe ao envio de armas para a Ucrânia, também apoiou a abordagem geral do presidente dos EUA, Donald Trump, ao mesmo tempo em que criticou a guerra no Irã iniciada pela administração Trump e por Israel.

Björn Höcke, um dos líderes regionais do partido, afirmou repetidamente em seu discurso no sábado que a AfD quer tornar a Alemanha grande novamente — uma referência à plataforma MAGA de Trump —, e pelo menos um participante usava um boné com o slogan "Make Germany Great Again".


*Os repórteres da Associated Press Stefanie Dazio e Philipp Reissfelder, em Berlim, contribuíram para esta reportagem.

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Associated Press
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