Operação militar dos EUA na Venezuela interrompe viagens de férias no Caribe, centenas de voos cancelados
Nenhum voo comercial cruzou o espaço aéreo da Venezuela no dia de captura do presidente Nicolás Maduro, segundo o site especializado FlightRadar24.com
*Por Matt O'Brien, Josh Funk e Audrey Mcavoy / Associated Press
A operação militar dos Estados Unidos que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro e o retirou do país na madrugada de sábado (3.jan) também interrompeu as viagens no Caribe em um período de alta temporada para a região.
Este conteúdo é resultado de uma parceria anual entre o Correio Sabiá e a Associated Press (AP) –uma das maiores agências globais de notícias, com correspondentes no mundo todo, à sua disposição, traduzido para o português.
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Nenhum voo comercial cruzou o espaço aéreo da Venezuela naquele dia, segundo o FlightRadar24.com. Grandes companhias aéreas cancelaram centenas de voos na região leste do Caribe e alertaram passageiros de que as interrupções poderiam durar dias, após a Administração Federal de Aviação (FAA) impor restrições.
Voos foram cancelados para e a partir de Porto Rico, Ilhas Virgens, Aruba e mais de uma dúzia de outros destinos no arquipélago das Antilhas Menores, ao norte da Venezuela. As companhias aéreas isentaram taxas de remarcação para passageiros que precisaram reagendar seus voos.
Mas o secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, disse na noite de sábado que as restrições terminariam à meia-noite (horário do leste dos EUA) e que as companhias aéreas poderiam retomar as operações normais no domingo.
A Southwest Airlines informou, em comunicado, que adicionou seis voos extras de ida e volta para Porto Rico na programação de domingo e mais oito na segunda-feira para ajudar viajantes a retornarem de suas férias. A companhia também incluiu dois voos adicionais para Aruba no domingo.
No aeroporto Queen Beatrix, em Aruba –destino de férias popular entre norte-americanos, a apenas 24 km da costa venezuelana–, autoridades disseram esperar o retorno à normalidade no domingo, após um dia de cancelamentos que deixou viajantes retidos ou impedidos de chegar à ilha.
Em Barbados, a primeira-ministra Mia Mottley afirmou, em coletiva de imprensa, que “as consequências do conflito têm sido extremamente disruptivas para ambos os nossos portos de entrada”, referindo-se ao aeroporto e ao porto marítimo de onde partem navios de cruzeiro.
Em Porto Rico, Lou Levine, sua esposa e seus três filhos deveriam retornar à região de Washington, D.C., na manhã de sábado, mas ele acordou com a esposa informando que o voo havia sido cancelado. Ele descobriu o motivo ao checar o celular.
Eles primeiro tentaram ligar para a JetBlue para reagendar. A companhia retornou a chamada cerca de duas horas depois, mas o agente não conseguiu ajudá-los. Levine e sua esposa viram outros passageiros mensagens para a JetBlue nas redes sociais e fizeram o mesmo. A companhia respondeu e os colocou em um voo no sábado, transformando suas férias de Ano-Novo de uma semana em uma estada de duas semanas.
Levine, gerente de uma empresa de software, disse ter a sorte de contar com um empregador flexível e compreensivo. Mas sua filha perderá uma semana de ensino médio. E há também os gastos inesperados.
“Adoro aqui. Mas temos cuidador de cachorro, cuidador de gato e aluguel de carro. Tudo bem. Só dói no bolso”, disse Levine.
Os Levines esperavam conseguir um voo de retorno mais cedo, se possível.
O fim de semana já estava após o pico do período de 13 dias de feriados, quando a AAA projetou que 122,4 milhões de norte-americanos viajariam pelo menos 80 km desde casa, mas ainda havia muitos turistas tentando aproveitar mais tempo nas praias tropicais antes de retornar às temperaturas frias.
“O Caribe é um dos principais destinos nesta época do ano. Temos muitas pessoas tentando voltar para casa neste fim de semana, antes do trabalho e da escola na segunda-feira”, disse a porta-voz da AAA, Aixa Diaz.
Diaz afirmou que “é compreensível que queiramos desconectar”, mas recomendou que os viajantes acompanhem as notícias e permitam que as companhias aéreas enviem alertas por telefone.
Um comunicado do Aeroporto Internacional Luis Muñoz Marín, em San Juan, Porto Rico, publicado na plataforma X, informou que as restrições foram impostas devido à “situação de segurança relacionada à atividade militar” na Venezuela.
Como resultado, quase 60% de todos os voos para e a partir desse aeroporto foram cancelados no sábado, segundo o FlightAware.com.
Companhias aéreas estrangeiras e aeronaves militares não estavam incluídas na restrição, informou o comunicado. A Air Canada disse que seus voos para o Caribe operavam normalmente, embora tenha dado aos passageiros a opção de remarcar. Outra companhia canadense, a WestJet, afirmou que cancelou voos para Aruba “por excesso de cautela”.
Todas as grandes companhias aéreas dos EUA cancelaram voos no Caribe Oriental no sábado devido às restrições e ajustaram suas programações.
Quase duas dúzias de destinos insulares foram afetados pelos cancelamentos, incluindo Anguilla, Antigua, Curaçao, Santa Lúcia e as Ilhas Virgens americanas e britânicas. Mas destinos mais a oeste, como República Dominicana e Jamaica, geralmente não foram afetados.
A JetBlue, sediada em Nova York, disse ter cancelado cerca de 215 voos “devido ao fechamento de espaço aéreo no Caribe relacionado à atividade militar”.
A companhia holandesa KLM informou que também cancelou voos afetando milhares de passageiros, mas planejava retomar o serviço no domingo para e a partir de Curaçao, Aruba, Bonaire e outras ilhas.
As interrupções de voos também afetaram alguns viajantes com cruzeiros pelo Caribe agendados. A operadora de cruzeiros Virgin Voyages disse que viajantes aéreos impossibilitados de chegar a San Juan a tempo para uma partida receberiam crédito total para uma viagem futura.
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