O que os norte-americanos pensam da situação entre os EUA e a Venezuela, de acordo com as pesquisas
Há quase nenhum sinal de que a população dos EUA queria mais uma incursão militar, apesar de republicanos terem defendido a iniciativa do presidente Donald Trump
*Por Linley Sanders / Associated Press
O essencial
Há poucos sinais de que os apoiadores do presidente Donald Trump queriam que os Estados Unidos se envolvessem mais em conflitos externos antes de suas ações militares na Venezuela, mesmo que muitos republicanos tenham demonstrado apoio inicial ao ataque, segundo uma análise da Associated Press a partir de pesquisas recentes.
A maioria dos norte‑americanos queria que o governo dos EUA se concentrasse, em 2026, em questões internas –como saúde e altos custos– em vez de temas de política externa, apontou uma pesquisa AP‑NORC realizada em dezembro de 2025.
Ao mesmo tempo, levantamentos feitos logo após a operação militar que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro sugeriram que muitos norte‑americanos não estavam convencidos de que os EUA devam intervir para assumir o controle do país.
E, apesar de Trump sugerir que os EUA podem assumir um “papel mais amplo” no Hemisfério Ocidental, republicanos ouvidos em pesquisas no outono passado continuavam amplamente contrários a que o país se envolva mais nos problemas de outras nações.
Ainda há espaço para que a opinião pública mude à medida que o governo Trump esclarece seus próximos passos em relação à Venezuela. Mas o tema pode ser espinhoso para o presidente republicano, especialmente diante do desejo dos norte‑americanos de que o governo resolva problemas econômicos domésticos.
Política externa e combate às drogas não eram alta prioridade para muitos norte‑americanos
Ao entrar no novo ano, 2026, os norte‑americanos estavam menos propensos do que em anos recentes a querer que o governo desse prioridade à política externa.
Cerca de 1/4 dos adultos nos EUA citou temas de política externa –como o conflito Rússia‑Ucrânia, Israel ou o envolvimento internacional em geral– como algo em que gostariam que o governo focasse em 2026, segundo pergunta aberta da AP‑NORC que pedia aos entrevistados que listassem até 5 assuntos para o governo trabalhar no ano seguinte.
Essa proporção ficou abaixo dos 2 anos anteriores, quando cerca de 1/3 dos norte‑americanos via temas externos como foco importante.
Quase ninguém mencionou especificamente a Venezuela.
Maduro declarou‑se não culpado de acusações federais de tráfico de drogas na última segunda‑feira (5.jan.2026) em Nova York. Sua captura ocorreu após ataques dos EUA contra embarcações que, segundo a administração Trump, transportavam drogas da Venezuela para os Estados Unidos.
Apesar do foco da Casa Branca na questão do narcotráfico, o tema não aparece no topo da lista de preocupações dos norte‑americanos em relação ao governo. Poucos citaram questões ligadas às drogas como prioridade — e, quando o fizeram, isso ocorreu sobretudo entre republicanos: cerca de 1 em cada 10 mencionou o tema, contra quase nenhum democrata ou independente.
Em vez disso, o público se mostrou mais focado em questões internas –como saúde, temores econômicos e custo de vida– como principais prioridades para o governo.
Mais norte‑americanos dizem que os EUA não devem “governar” a Venezuela
Os norte‑americanos estão divididos sobre a captura de Maduro pelos EUA –com muitos ainda formando opinião–, segundo pesquisa feita por The Washington Post e SSRS por mensagem de texto ao longo do fim de semana.
Cerca de 4 em cada 10 aprovavam o envio de militares para capturar Maduro, enquanto proporção semelhante se opunha; aproximadamente 2 em cada 10 não tinham opinião. Republicanos, em geral, aprovaram a ação; democratas, em sua maioria, a reprovaram.
Quase metade dos norte‑americanos, 45%, disse ser contra os EUA assumirem o controle da Venezuela e escolherem um novo governo para o país, ideia que Trump vem defendendo. Cerca de 9 em cada 10 afirmaram que cabe ao povo venezuelano decidir a liderança futura do país.
Em dezembro, pesquisa do Instituto Quinnipiac apontou que cerca de 6 em cada 10 eleitores registrados se opunham a uma ação militar dos EUA na Venezuela. Entre republicanos, o grupo estava mais dividido: cerca da metade apoiava a medida, aproximadamente 1/3 era contra e 15% não tinham opinião.
Poucos republicanos queriam maior envolvimento dos EUA nos problemas do mundo
Apenas cerca de 1 em cada 10 republicanos defendia que os EUA assumissem “papel mais ativo” na solução dos problemas globais, de acordo com pesquisa AP‑NORC de setembro. Eles eram bem menos propensos do que os norte‑americanos em geral –e do que democratas e independentes– a dizer que o país deveria se envolver mais. A maioria dos republicanos, 55%, avaliou que o papel exercido pelos EUA em questões globais era “adequado”.
Isso pode ser uma posição delicada para um presidente que se elegeu com a promessa de colocar “America First” (“América em 1º lugar”) e encerrar o envolvimento do país em “guerras eternas”. Cerca de 7 em cada 10 eleitores que votaram em Trump em 2024 disseram querer que os EUA adotassem papel “menos ativo” na solução dos problemas do mundo, segundo o AP VoteCast, levantamento com eleitores registrados em todos os 50 estados.
Em dezembro, os norte‑americanos estavam amplamente divididos sobre se Trump vinha cumprindo sua promessa de “America First”, conforme pesquisa da Fox News. Cerca de metade achava que ele mantinha esse compromisso; proporção semelhante acreditava que o havia abandonado.
Mas, ao menos nessa pesquisa –realizada antes da operação militar que destituiu Maduro–, os apoiadores de Trump seguiam majoritariamente ao seu lado: cerca de 1 em cada 10 eleitores do republicano em 2024 considerava que ele havia traído a promessa de “America First”, enquanto a esmagadora maioria acreditava que ele a mantinha.
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Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.
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