O que os americanos pensam sobre a guerra no Irã, de acordo com pesquisas recentes

Até mesmo os eleitores republicanos acreditam que o valor da gasolina deve continuar subindo, o que indica um desafio para Trump

O que os americanos pensam sobre a guerra no Irã, de acordo com pesquisas recentes
O presidente Donald Trump discursa em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, 9 de março de 2026, no Trump National Doral Miami em Doral, Flórida / Imagem: AP/Mark Schiefelbein
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*Por Linley Sanders

O fato principal

A maior parte das pesquisas nos Estados Unidos mostra que a população está dividida sobre a ação militar contra o Irã, com tendência de rejeição ao ataque liderado pelo presidente norte-americano Donald Trump (até mesmo entre republicanos). Os levantamentos vêm sendo realizados desde o início da guerra (28 de fevereiro de 2026).

Pesquisas sugerem que muitos norte-americanos estão preocupados que a ação militar esteja tornando os EUA "menos seguros". Há também sinais de alerta para Trump, que enfrenta a possibilidade de passar por uma turbulência econômica significativa enquanto o conflito se prolonga mais do que o esperado.

Trump fez sinalizações contraditórias na última segunda-feira (9.mar) sobre o cronograma da guerra, sugerindo que ela poderia estar perto do fim. Por outro lado, ele mesmo ameaça usar força adicional contra o Irã caso o país interrompa ou prejudique o fluxo global de petróleo.

Os preços mais altos do petróleo já estão alarmando os eleitores, conforme indicam as pesquisas. A vasta maioria dos norte-americanos espera que a ação dos EUA contra o Irã dure pelo menos "meses", senão mais, e acreditam que os valores da gasolina vão continuar subindo.

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O aumento do valor da gasolina para o eleitorado é um desafio para Trump, principalmente porque os EUA terão eleição legislativa neste ano, 2026. Portanto, os efeitos da guerra podem impactar positiva ou negativamente no desempenho republicano.

Maioria se opõe à ação militar dos EUA

Pouco mais da metade dos eleitores registrados (53%) se opõe à ação militar dos EUA contra o Irã, de acordo com uma nova pesquisa Quinnipiac realizada no fim de semana. Apenas 4 em 10 eleitores apoiam a iniciativa militar –e cerca de 1 em 10 não tem certeza se apoia ou não.

Realizada pelo Ipsos, uma nova pesquisa também indicou que mais norte-americanos desaprovam do que aprovam os ataques. O resultado é semelhante ao de pesquisas rápidas por mensagem de texto do The Washington Post e da CNN, ambas feitas logo após o início dos ataques. Naquela ocasião, as pesquisas também indicaram que mais norte-americanos rejeitaram a ação militar do que a abraçaram.

Uma pesquisa da Fox News, emissora conhecida pelo alinhamento ao governo Trump, encontrou opiniões mais equilibradas: metade dos eleitores registrados aprovou a ação militar dos EUA, enquanto metade desaprovou.

Várias das pesquisas recentes mostram que uma maioria de norte-americanos acredita que a administração Trump não forneceu uma explicação clara dos motivos dos ataques militares.

A população norte-americana também está dividida no seguinte entendimento: se o Irã realmente representava uma "ameaça iminente e direta" aos Estados Unidos, como disse a Casa Branca.

A maioria dos eleitores na pesquisa Quinnipiac (55%) disse que não acreditava que o Irã representava uma "ameaça militar iminente" aos EUA antes da ação militar atual.

Por outro lado, cerca de 6 em 10 eleitores registrados na pesquisa da Fox News disseram que o Irã representa uma "ameaça real à segurança nacional".

Já uma recente pesquisa AP-NORC descobriu que cerca de metade dos adultos norte-americanos estava altamente preocupada que o programa nuclear do Irã representasse uma ameaça direta aos EUA.

Eleitores preocupados com preços de gasolina

À medida que os preços do petróleo oscilam, a vasta maioria dos eleitores tem "muita" ou "alguma" preocupação com o aumento dos preços da gasolina nos EUA, de acordo com a pesquisa Quinnipiac. Apenas cerca de 1/4 dos eleitores está "pouco preocupado" ou "não está preocupado de jeito nenhum".

Os maiores níveis de preocupação são impulsionados por democratas e independentes, mas cerca de metade dos republicanos também está pelo menos um pouco preocupada com os impactos da guerra no aumento de preços da gasolina.

Cerca de 2/3 dos norte-americanos esperam que os preços da gasolina nos EUA "piorem" no próximo ano como resultado da ação militar dos EUA, de acordo com a pesquisa Ipsos realizada de 6 a 9 de março.

Republicanos disseram esperar que os preços da gasolina piorem como consequência da guerra: 44% disseram que piorariam, enquanto 26% esperavam que melhorassem. Cerca de 2 em 10 achavam que ficariam iguais. Quase todos os democratas e independentes esperam que os preços da gasolina piorem.

Na segunda-feira, Trump disse que os EUA tomariam ação adicional contra o Irã se eles tentassem interromper o suprimento global de petróleo.

Norte-americanos temem que ação militar tenha tornado o país menos seguro

Manifestantes agitam bandeiras iranianas e seguram um retrato do falecido Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, e de seu filho, Aiatolá Mojtaba Khamenei, em apoio à sua escolha como o novo Líder Supremo do Irã, em Bagdá, segunda-feira, 9 de março de 2026 / Imagem: AP/Hadi Mizban

Muitos norte-americanos também se preocupam que as decisões militares de Trump tenham tornado os EUA menos seguros.

Cerca de metade dos eleitores nas pesquisas Quinnipiac e Fox News disse que a ação militar dos EUA no Irã torna os EUA "menos seguros". Apenas cerca de 3 em cada 10 (de cada pesquisa) disseram que tornava o país mais seguro.

A pesquisa CNN descobriu que cerca de metade dos adultos norte-americanos achava que os ataques tornariam o Irã "maior ameaça" aos EUA, enquanto apenas cerca de 3 em 10 achava que diminuiria o perigo.

Cerca de 6 em 10 adultos americanos disseram que confiavam em Trump "pouco" ou "nada" para tomar as decisões certas sobre o uso da força dos EUA no Irã, de acordo com a pesquisa CNN. Republicanos expressaram mais confiança no presidente do que democratas ou independentes.

Uma pesquisa AP-NORC realizada antes dos ataques descobriu de forma semelhante que 56% dos adultos americanos confiavam em Trump "só um pouco" ou "nada" para tomar as decisões certas sobre o uso da força militar no exterior.

Preocupações com envio de tropas

A maioria dos eleitores está preocupada com uma possível expansão no escopo da guerra.

Cerca de 3/4 (75%) dos eleitores se opõem à ideia de enviar tropas terrestres ao Irã, de acordo com a pesquisa Quinnipiac realizada após o anúncio da morte de 6 militares norte-americanos. (*Ao todo, são 13 norte-americanos mortos no momento de publicação deste conteúdo.)

Em direção contrária a esta preocupação, está o posicionamento oficial da administração Trump, que reconheceu a probabilidade de mais baixas norte-americanas, mas não descartou enviar mais soldados ao Irã.

O secretário de Defesa Pete Hegseth disse na semana passada que era "tolice" esperar que autoridades dos EUA dissessem publicamente "exatamente até onde iremos".

Apenas cerca de 2 em 10 pessoas na pesquisa Quinnipiac apoiavam o envio de tropas ao Irã. Mesmo entre eleitores republicanos, a pesquisa descobriu que mais pessoas se opõem do que apoiam o envio de tropas terrestres, 52% contra 37%.

A nova pesquisa Ipsos descobriu preocupação bipartidária de que a ação militar dos EUA colocaria em risco a vida de pessoal militar norte-americano. Cerca de 9 em 10 adultos americanos têm "muita" ou "alguma" preocupação com isso, incluindo 86% dos republicanos e 93% dos democratas.

Autor

Associated Press
Associated Press

Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

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