Na Suíça, Trump diz que não vai usar força para tomar a Groenlândia, mas...

Presidente norte-americano manteve o tom de ameaça e disse que a OTAN deveria autorizar os EUA a controlar a ilha ártica

Na Suíça, Trump diz que não vai usar força para tomar a Groenlândia, mas...
O presidente Donald Trump discursa durante a 56ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial (WEF), em Davos, Suíça, na quarta-feira, 21 de janeiro de 2026 / Imagem: Gian Ehrenzeller/Keystone via AP
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O fato principal

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (21.jan.2026) que não vai usar a força militar para tomar a Groenlândia, território semi-autônomo que pertence ao Reino da Dinamarca. No entanto, Trump disse que a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aliança militar historicamente liderada pelos EUA e integrada por diversos países europeus, deveria autorizar os EUA a controlar a ilha ártica.

"Não preciso usar a força. Não quero usar a força. Não vou usar a força", disse ele.
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Mesmo com a negação sobre usar a força, Trump manteve o tom de ameaça:

"Provavelmente não conseguiremos nada, a menos que eu decida usar força excessiva, o que nos tornaria francamente imparáveis. Mas eu não farei isso. Ok?"

Trump fez as declarações durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Portanto, diante de uma plateia formada por líderes empresariais e políticos com os quais, majoritariamente, tem divergido.

O presidente egípcio Abdel-Fattah el-Sissi, ao centro, e o presidente finlandês Alexander Stubb, à esquerda, ouvem o discurso do presidente Donald Trump durante a Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, na quarta-feira, 21 de janeiro de 2026 / Imagem: AP/Evan Vucci

Anteriormente, mesmo antes de assumir o mandato presidencial, o próprio Trump havia deixado em aberto a possibilidade de tomar a Groenlândia com força militar. Agora, mesmo sem vias bélicas, Trump reafirmou seu interesse no território, do qual também desdenhou.

"O que estou pedindo é um pedaço de gelo, frio e mal localizado. É um pedido muito pequeno comparado ao que lhes demos por muitas e muitas décadas", falou, referindo-se ao que os EUA "deram" à OTAN.
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Apesar do desdém de Trump, a Groenlândia tem importância estratégica por sua localização no Ártico, entre a América do Norte e a Europa. Funciona como ponto-chave para rotas militares, comerciais e de vigilância. O território abriga infraestrutura relevante dos Estados Unidos, como a base aérea de Pituffik, essencial para sistemas de alerta antecipado de mísseis e monitoramento do espaço aéreo do Atlântico Norte. Além disso, o derretimento do gelo causado pelas mudanças climáticas vem abrindo novas rotas marítimas e ampliando o acesso a recursos naturais valiosos, como minerais críticos e terras raras, o que aumenta o interesse geopolítico de potências, como os EUA, a China e a Rússia.
Trump desdenhou da Groenlândia em discurso em Davos: 'pedaço de gelo, frio e mal localizado' / Imagem: Gian Ehrenzeller/Keystone via AP

O presidente norte-americano também declarou que a Groenlândia é parte da América do Norte.

“Esta enorme ilha desprotegida faz parte da América do Norte. Esse é o nosso território."

Fórum de Davos

O presidente Donald Trump, à esquerda, caminha sobre um tapete vermelho após desembarcar do helicóptero Marine One durante sua chegada para a Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, na quarta-feira, 21 de janeiro de 2026 / Imagem: AP/Evan Vucci

Bilionários e líderes empresariais disputaram lugares no Salão do Congresso do Fórum de Davos, que tinha capacidade para cerca de 1.000 pessoas, para ouvir Trump.

Quando ele começou, o local estava lotado, com pessoas em pé. Os participantes podiam usar fones de ouvido para ouvir o discurso em 6 idiomas, além do inglês.

Espera-se que Trump tenha cerca de 5 reuniões bilaterais com líderes de diferentes países. Mais de 60 outros chefes de Estado participam do fórum.

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O que dizem os groenlandeses sobre o desejo de Trump em tomar a ilha ártica
De maneira geral, população local, que não chega a 60 mil habitantes, defende sua autonomia e desacredita no presidente norte-americano
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Enquanto isso, Europa fecha acordo comercial com o Mercosul e Lula critica ações norte-americanas na Venezuela, em artigo de opinião publicado no NYTimes

*Josh Boak, Will Weissert e Aamer Madhani, da Associated Press, contribuíram para este conteúdo por meio de uma parceria entre Correio Sabiá e AP, que permite a este jornal usar os materiais disponibilizados pela agência.

Autores

Associated Press
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Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

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