Israel anuncia que vai reabrir passagem de fronteira de Gaza com o Egito
Reabertura começa a valer a partir de domingo (1.fev.2026), com limitações. Cerca de 20 mil palestinos precisam de tratamento fora de Gaza.
O destaque

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Israel anunciou nesta sexta-feira (30.jan.2026) que vai reabrir a passagem de pedestres de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, em seus 2 sentidos, a partir de domingo (1.fev). É um avanço relevante para a implementação do plano de cessar-fogo na região.
O COGAT, órgão militar israelense responsável pela coordenação da ajuda humanitária a Gaza, afirmou em comunicado que, a partir de domingo, será permitida uma “circulação limitada de pessoas” pela passagem de Rafah, principal porta de entrada de Gaza para o mundo exterior.
O anúncio seguiu-se a declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e de Ali Shaath, recém-nomeado para chefiar o comitê tecnocrático administrativo palestino que governa os assuntos cotidianos de Gaza, de que a passagem provavelmente seria reaberta em breve.
O Correio Sabiá mencionou em seu resumo de notícias de segunda-feira (26) que havia expectativa para esta semana de reabertura da passagem.

O COGAT informou que tanto Israel quanto o Egito farão a triagem de indivíduos que entrarem e saírem pela passagem, que será supervisionada por agentes da patrulha de fronteira da União Europeia.
Além das triagens na passagem, os palestinos que saírem e retornarem serão revistados por Israel no corredor adjacente, que permanece sob controle militar israelense.
Israel resistiu à reabertura da passagem, mas a recuperação dos restos mortais do último refém em Gaza, na segunda-feira (26), abriu caminho para o avanço. Um dia depois (27), Netanyahu afirmou que a passagem seria reaberta em breve, de forma limitada e controlada.
Um funcionário israelense, que falou sob condição de anonimato, conforme a política da instituição, disse à Associated Press que dezenas de palestinos seriam inicialmente autorizados a passar em cada sentido, começando pelos evacuados médicos e pelos palestinos que fugiram durante a guerra.
Ele afirmou que 50 evacuados médicos teriam permissão para sair e 50 retornados para casa teriam permissão para entrar. Ainda não está claro se os evacuados médicos serão acompanhados por escoltas, como cuidadores, como ocorreu em outras ocasiões durante a guerra.
Cerca de 20 mil palestinos precisam de tratamento fora de Gaza

Milhares de palestinos dentro da Faixa de Gaza estão tentando deixar o território devastado pela guerra, enquanto muitos outros que fugiram durante os combates mais intensos afirmam querer retornar para casa. O Egito, por exemplo, abriga dezenas de milhares de palestinos de Gaza.
Aproximadamente 20.000 palestinos doentes e feridos precisam de tratamento fora de Gaza, segundo o Ministério da Saúde do território. O sistema de saúde de Gaza foi devastado pela guerra, tornando procedimentos cirúrgicos avançados inacessíveis.
No passado, quem tinha prioridade na evacuação eram principalmente crianças, pacientes com câncer e pessoas com traumas físicos. A maioria recebeu tratamento no Egito.
Pelo menos 30.000 palestinos se registraram na Embaixada da Palestina no Cairo para retornar a Gaza, de acordo com um funcionário da embaixada, que falou sob condição de anonimato porque os detalhes da reabertura ainda estão sendo discutidos.
A reabertura é um dos primeiros passos da 2ª fase do acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA no ano passado, que inclui questões complexas que vão desde a desmilitarização de Gaza até a formação de um governo alternativo para supervisionar a reconstrução do enclave, em grande parte destruído.
Antes da guerra, Rafah enfrentava severas restrições, mas ainda era a principal passagem para pessoas que entravam e saíam de Gaza, além de ser um importante ponto de comércio entre o Egito e o território.
Em 2022, as Nações Unidas registraram mais de 133.000 entradas e 144.000 saídas por Rafah, embora muitas envolvessem as mesmas pessoas cruzando a fronteira várias vezes. As autoridades egípcias permitiam importações em 150 dias do ano, e mais de 32.000 caminhões com mercadorias entraram na fronteira.
Embora Gaza tenha outras 4 passagens de fronteira, as demais são compartilhadas com Israel, e apenas Rafah liga o território a outro país.
Israel entrega corpos de 15 reféns palestinos

Israel entregou os corpos de 15 palestinos nesta quinta-feira (29.jan), poucos dias depois de recuperar os restos mortais do último refém israelense, de acordo com um funcionário do Ministério da Saúde de Gaza. Esta é a última troca de reféns entre Israel e o Hamas realizada como parte da 1ª fase do cessar-fogo fechado em outubro de 2025 e mediado pelos Estados Unidos.
A Cruz Vermelha afirmou ter facilitado a devolução dos corpos. Eles foram levados ao Hospital Shifa, na Cidade de Gaza, disse Zaher al-Wahidi, porta-voz do Ministério da Saúde.
Israel concordou em devolver 15 corpos de palestinos para cada refém recuperado, conforme os termos do cessar-fogo. Não está claro se os corpos liberados na quinta-feira eram de detentos palestinos que morreram sob custódia israelense ou de corpos retirados de Gaza por tropas israelenses durante a guerra.
- Israel libertou cerca de 2.000 prisioneiros palestinos em virtude do acordo de cessar-fogo, muitos dos quais foram detidos por tropas israelenses durante os 2 anos de guerra e mantidos em cárcere sem acusação formal.
- Israel também libertou os corpos de 360 palestinos de volta para Gaza, onde as autoridades têm tido dificuldades em identificá-los.
O Ministério da Saúde de Gaza divulgou fotos dos falecidos para que as famílias pudessem identificá-los. Dos corpos devolvidos por Israel, cerca de 100 foram reconhecidos pelas famílias.
Na segunda-feira (26), Israel anunciou ter encontrado e identificado os restos mortais do último refém israelense, o policial Ran Gvili, após uma extensa busca em um cemitério no norte de Gaza.


Mortes por ataques em Gaza se aproximam de 500 desde o início do cessar-fogo
Apesar desses avanços –e do anúncio do enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, sobre o início da 2ª fase do acordo de cessar-fogo no início deste mês–, os ataques e disparos israelenses continuam matando palestinos em Gaza quase diariamente.

Dois palestinos foram mortos por disparos israelenses na quinta-feira na área de Khan Younis, no sul de Gaza, de acordo com o hospital Nasser, para onde os corpos foram levados. Autoridades de saúde disseram que os dois homens foram mortos em áreas que não são controladas por Israel.
Outro ataque israelense no centro de Gaza matou um palestino e feriu outros, de acordo com o hospital dos mártires de Al-Aqsa, para onde as vítimas foram levadas.
O Ministério da Saúde de Gaza disse que cerca de 492 palestinos foram mortos desde o cessar-fogo. O ministério não distingue entre civis e combatentes em seus números. Ele mantém registros detalhados de vítimas, considerados confiáveis por agências da ONU (Organização das Nações Unidas) e especialistas independentes.
União Europeia classifica a Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista

A União Europeia concordou nesta quinta-feira (29) em incluir a Guarda Revolucionária do Irã, um grupo paramilitar, na lista de organizações terroristas devido à repressão aos protestos em todo o país, que matou ao menos 6.443 pessoas, conforme dados atuais. A medida é simbólica e intensifica a pressão internacional sobre o país.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que os ministros das Relações Exteriores do bloco de 27 nações concordaram unanimemente com a designação, que, segundo ela, colocará o regime "no mesmo patamar" que a Al-Qaeda, o Hamas e o grupo Estado Islâmico.
"Aqueles que operam por meio do terror devem ser tratados como terroristas", disse Kallas.
Enquanto isso, o Irã enfrenta a ameaça de uma ação militar do presidente dos EUA, Donald Trump. Ele deixa a possibilidade de uma incursão bélica em aberto caso o Irã avance para execuções em massa de manifestantes.


Os militares norte-americanos deslocaram o porta-aviões USS Abraham Lincoln e vários destróieres de mísseis guiados para o Oriente Médio. Ainda não está claro se Trump decidirá usar a força.
“Qualquer regime que mate milhares de seus próprios cidadãos está caminhando para a sua própria destruição”, disse Kallas.
O que isso significa na prática?
Advogado especializado em sanções do escritório Mayer Brown, Edouard Gergondet afirmou que a Guarda Revolucionária será notificada da inclusão na lista e terá a oportunidade de se manifestar antes da adoção formal da medida.
A diretora adjunta do German Marshall Fund, Kristina Kausch, disse que a inclusão na lista é “um ato simbólico” que demonstra que, para a UE, “o caminho do diálogo não levou a lugar nenhum e agora a prioridade é o isolamento e a contenção”.
“A designação de um braço militar estatal –um pilar oficial do Estado iraniano– como organização terrorista é um passo aquém do rompimento das relações diplomáticas”, afirmou.
Na quinta-feira (29), a UE também sancionou 15 altos funcionários e 6 organizações no Irã, incluindo aquelas envolvidas no monitoramento de conteúdo online, enquanto o país permanece sob um bloqueio de internet de 3 semanas imposto pelas autoridades.
As sanções significam que os bens dos funcionários e das organizações afetadas serão congelados e suas viagens para a Europa, proibidas, de acordo com Barrot.
A Guarda Revolucionária tem interesses comerciais em todo o Irã, e as sanções podem permitir a apreensão de seus bens na Europa.
O Irã já enfrenta dificuldades devido ao peso de múltiplas sanções internacionais impostas por países como os Estados Unidos e o Reino Unido.
A moeda iraniana, o rial, caiu a uma mínima histórica de 1,6 milhão por dólar nesta quinta-feira (29). Os problemas econômicos foram os principais responsáveis por desencadearam os protestos, que se ampliaram e se tornaram um desafio à teocracia como um todo.
Trump diz que os EUA vão reabrir espaço aéreo da Venezuela

O presidente Donald Trump afirmou na quinta-feira (29) que informou a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que abrirá todo o espaço aéreo comercial sobre o país e que os norte-americanos poderão visitá-lo em breve.
“Os cidadãos americanos poderão ir à Venezuela muito em breve e estarão seguros lá”, disse o presidente republicano.
Trump disse ter instruído seu secretário de Transportes, Sean Duffy, e os líderes militares dos EUA a adotarem medidas para liberar o espaço aéreo para viagens até o final do dia. O governo da Venezuela não se manifestou imediatamente.
Enquanto o Departamento de Estado continuava alertando os americanos contra viagens à Venezuela, pelo menos uma companhia aérea dos EUA anunciou sua intenção de retomar em breve os voos diretos entre os dois países.
A American Airlines foi a última companhia aérea americana a voar para a Venezuela, quando suspendeu, em 2019, os voos entre Miami e a capital, Caracas, bem como para a cidade petrolífera de Maracaibo.
A companhia aérea afirmou na quinta-feira que divulgará mais detalhes sobre a retomada das operações nos próximos meses, à medida que trabalha com as autoridades federais nas avaliações de segurança e nas permissões necessárias.
“Temos uma história de mais de 30 anos conectando venezuelanos aos EUA, e estamos prontos para renovar esse relacionamento incrível”, disse Nat Pieper, diretor comercial da American Airlines, em um comunicado.
“Ao retomar os voos para a Venezuela, a American oferecerá aos clientes a oportunidade de se reunirem com suas famílias e criarem novos negócios e relações comerciais com os Estados Unidos.”
Banco Central dos EUA suspende corte da taxa de juros

O Federal Reserve suspendeu os cortes na taxa de juros na quarta-feira (28), mantendo sua taxa básica inalterada em cerca de 3,6%, após reduzi-la 3 vezes no ano passado.
O presidente Jerome Powell afirmou em uma coletiva de imprensa após o anúncio da decisão do banco central que a perspectiva para a economia "melhorou claramente desde a última reunião" em dezembro, um desenvolvimento que, segundo ele, deve impulsionar as contratações ao longo do tempo. O Fed também afirmou, em um comunicado, que há sinais de estabilização do mercado de trabalho.
Com a economia crescendo a um ritmo saudável e a taxa de desemprego aparentemente se estabilizando, os membros do Fed provavelmente veem poucos motivos para apressar novos cortes nas taxas.
Embora a maioria dos formuladores de políticas espere reduzir ainda mais os custos de empréstimo neste ano, muitos querem ver evidências de que a inflação, persistentemente elevada, esteja se aproximando da meta de 2% do banco central.
De acordo com a métrica preferida do Fed, a inflação foi de 2,8% em novembro, ligeiramente superior à de um ano atrás.

Michael Gapen, economista-chefe para os EUA do Morgan Stanley, afirmou que Powell deixou a porta aberta para novos cortes nas taxas de juros este ano, “quando houver evidências suficientes de que a inflação está desacelerando”.
Powell sugeriu, em seu discurso, que o impacto das tarifas, que elevaram o custo de muitos produtos, como móveis, eletrodomésticos e brinquedos, atingirá o pico em meados deste ano e que a inflação cairá depois disso.
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