Israel acompanha de perto os protestos no Irã
Especialistas consideram improvável que os 2 países entrem em conflito, ao menos neste momento, diferentemente do que ocorreu em 2025
*Por Melanie Lidman / Associated Press
O essencial
Opositor do regime iraniano, Israel está "acompanhando de perto" as consequências dos protestos generalizados no Irã, que já deixaram mais de 116 mortos.
"O povo de Israel, o mundo inteiro, está admirado com o heroísmo extraordinário dos cidadãos iranianos", afirmou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu neste domingo (11.jan.2026) no início da reunião semanal de gabinete.

Apesar dos constantes bombardeios que ordena na Faixa de Gaza, levando milhares crianças e mulheres à morte, Netanyahu criticou a morte de civis no Irã e disse esperar reconstruir as relações entre Israel e Irã, uma vez que o país esteja "livre do jugo da tirania".
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, mantém as ameaças de atacar o Irã caso o governo do país continue a reprimir os manifestantes.
Netanyahu e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, conversaram na noite de sábado (10.jan) sobre diversos temas, incluindo o Irã, segundo um oficial israelense que falou sob condição de anonimato por não estar autorizado a se manifestar à imprensa.
'Questão interna iraniana', avalia Israel
O exército israelense afirmou que os protestos no Irã são uma "questão interna iraniana", mas que as forças armadas "estarão preparadas para responder com força, se necessário".
Portanto, não há orientações do Exército de Israel para que a sua população fique próxima de abrigos antibombas por temores de ataque com mísseis iranianos.
Um ex-oficial de inteligência israelense avaliou que Israel dificilmente provocará um ataque contra o Irã, mesmo tendo um alvo fácil com a liderança iraniana enfraquecida e distraída pelos protestos que abalam o país.
"Do ponto de vista iraniano, a última coisa que o Irã quer é desviar sua atenção para Israel. A prioridade deles, antes de tudo, é recuperar a calma e a estabilidade no Irã", disse Danny Citrinowicz, pesquisador sênior no Instituto para Estudos de Segurança Nacional de Israel.
Citrinowicz já liderou pesquisas sobre o Irã em uma das divisões de inteligência do exército israelense.
Nenhum lado quer novo conflito neste momento
A situação atual no Irã é tão incerta que Israel provavelmente esperará para ver o que acontecerá em seguida, de acordo com Citrinowicz.
O pesquisador acrescentou que "nenhum dos lados tem apetite" para iniciar uma nova rodada da guerra de 12 dias, como aquela que ocorreu no verão de 2025.
Naquela ocasião, a guerra começou com Israel mirando supostas instalações nucleares e militares iranianas. O argumento central é que Israel não poderia permitir que Teerã desenvolvesse armas atômicas, sob o medo de que a República Islâmica estivesse próxima disso. O Irã sempre disse que seu programa nuclear era pacífico.
Os EUA mediaram o cessar-fogo e auxiliaram Israel durante a guerra Israel-Irã em 2025, lançando bombas perfurantes de bunker em vários sítios nucleares iranianos.
O movimento foi importante para que Netanyahu declarasse ao público israelense que o país alcançara seus objetivos contra o programa nuclear iraniano e aceitasse a trégua de Trump.
Ataque de Israel poderia ter efeito oposto nos protestos
Neste domingo (11), o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, alertou que o exército dos EUA e de Israel seriam "alvos legítimos", caso os EUA ataquem a República Islâmica. A ameaça ocorreu enquanto parlamentares subiam ao palanque no Parlamento iraniano, gritando:
"Morte à América!"
Citrinowicz disse que um ataque, seja norte-americano ou israelense, poderia ter o efeito oposto sobre os protestos, possivelmente enfraquecendo-os ao estimular um sentimento patriótico e unir o país contra um inimigo comum.
O enfraquecimento dos protestos, que contestam o regime iraniano, vai na direção contrária aos interesses israelenses e norte-americanos.
Especialista em Irã da Universidade Hebraica de Jerusalém, Menahem Merhavy declarou que "o que realmente preocupa Israel são mísseis balísticos e coisas assim, não que tipo de regime estará no Irã.
"A menos que algo realmente dramático aconteça com mísseis, não vejo Israel intervindo nisso", disse.
Merhavy disse que um ataque iraniano contra Israel seria "um bilhete de suicídio para o regime", pois haveria pouca reação se Israel respondesse com força contra a liderança iraniana, dada a indignação com a repressão dura aos protestos.
"Poucas lágrimas serão derramadas se, digamos, Israel matar o ministro das Relações Exteriores [do Irã]", exemplificou.
Ele observou que Israel poderia ajudar nas margens da situação. Exemplo: facilitando acesso à internet para certas pessoas ou líderes. No entanto, deixou claro que até isso é duvidoso:
"Israel não quer se meter nisso. É um assunto interno iraniano", concluiu Merhavy.

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