Irã sinaliza julgamentos e execuções rápidas de manifestantes

Número de mortos em repressão ultrapassa 2.500

Irã sinaliza julgamentos e execuções rápidas de manifestantes
Protestos no Reino Unido pela situação no Irã: foto do aiatolá Ali Khamenei é incendiada por manifestantes em frente à embaixada iraniana em Londres, na segunda-feira, 12 de janeiro de 2026 / Imagem: AP/Alastair Grant
Índice

O fato principal

O chefe do Judiciário do Irã, Gholamhossein Mohseni-Ejei, sinalizou nesta quarta-feira (14.jan.2026) que haverá julgamentos e execuções rápidas para os detidos nos protestos em todo o país. As declarações ocorrem num momento em que ativistas alertam que enforcamentos de detidos podem ocorrer em breve.

“Se queremos fazer algo, devemos fazer agora. Se queremos agir, temos que fazer rápido. Se demorarmos 2 ou 3 meses, o efeito não será o mesmo. Temos que agir rapidamente”, disse ele num comentário em um vídeo compartilhado pela televisão estatal iraniana.

A sangrenta repressão das forças de segurança às manifestações já matou pelo menos 2.571 pessoas, de acordo com a agência Human Rights Activists News Agency, com sede nos EUA.

Das vítimas fatais, 2.403 eram manifestantes e 147 estavam ligadas ao governo. Doze crianças foram mortas, além de nove civis que não participavam dos protestos. Mais de 18.100 pessoas foram presas, segundo o grupo.

O número supera –e muito– o total de mortos em qualquer outro ciclo de protestos ou distúrbios no Irã nas últimas décadas, evocando o caos que cercou a Revolução Islâmica de 1979.

Esta captura de tela de imagens que circulam nas redes sociais mostra manifestantes dançando e comemorando em volta de uma fogueira enquanto tomam as ruas, apesar da intensificação da repressão, enquanto a República Islâmica permanece isolada do resto do mundo, em Teerã, Irã, 9 de janeiro de 2026 / Imagem: UGC via AP, Arquivo

Funeral em massa leva milhares de pessoas à rua

O Irã realizou um funeral coletivo para 300 membros das forças de segurança mortos nas manifestações nesta quarta-feira (14). Dezenas de milhares de pessoas compareceram, carregando bandeiras iranianas e fotos do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país.

Os caixões, cobertos com bandeiras do Irã, estavam empilhados até 3 metros de altura, adornados com rosas vermelhas e brancas e fotografias emolduradas das vítimas.

Nas ruas, as pessoas continuavam com medo. Agentes à paisana ainda circulavam por alguns bairros, embora a polícia de choque e membros da força paramilitar Basij, voluntária da Guarda Revolucionária, parecessem ter sido enviados de volta aos quartéis.

“Estamos muito assustados por causa desses sons (de tiros) e dos protestos”, disse uma mãe de 2 filhos que fazia compras de frutas e vegetais na quarta-feira, sob anonimato por medo de represálias.
“Ouvimos que muitos foram mortos e outros feridos. Agora a paz foi restaurada, mas as escolas permanecem fechadas, e tenho medo de mandar meus filhos de volta.”

Ahmadreza Tavakoli, de 36 anos, disse à Associated Press que testemunhou uma manifestação em Teerã e ficou chocado com o uso de armas de fogo pelas autoridades.

“As pessoas estavam nas ruas para se expressar e protestar, mas rapidamente tudo se transformou em uma zona de guerra. As pessoas não têm armas. Apenas as forças de segurança têm armas”, disse Tavakoli.

Trump ameaça o Irã, caso execute manifestantes

As declarações sobre julgar e executar opositores contrariam ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele ameaçou repetidamente atacar o Irã.

“Tomaremos medidas muito fortes. Se fizerem algo assim, reagiremos com grande firmeza”, declarou em uma entrevista à CBS exibida na terça-feira.
“Não queremos ver o que está acontecendo no Irã continuar. Se quiserem protestar, é uma coisa; mas quando começam a matar milhares de pessoas, e agora você me fala de enforcamentos... Vamos ver como isso vai terminar para eles. Não vai acabar bem.”

As ameaças ocorrem apenas alguns meses depois do bombardeio a sítios nucleares iranianos durante uma guerra de 12 dias lançada por Israel contra a República Islâmica, em junho de 2025.

Enquanto isso, no campo da diplomacia, autoridades tentam dissuadir a administração Trump de iniciar uma guerra contra o Irã neste momento.

Sob anonimato, um diplomata árabe do Golfo explicou à AP (Associated Press) que grandes governos do Oriente Médio temem que um ataque norte-americano provoque “consequências sem precedentes” para a região, escalando as tensões.

Manifestantes participam de um protesto em apoio aos manifestantes no Irã, em frente ao Consulado dos EUA, em Milão, Itália, na terça-feira, 13 de janeiro de 2026 / Imagem: AP/Luca Bruno

Ativistas afirmaram na quarta-feira que o serviço Starlink estava oferecendo acesso gratuito no Irã. O serviço de internet via satélite tem sido essencial para contornar o bloqueio da internet imposto pela teocracia em 8 de janeiro. O Irã começou a permitir chamadas internacionais de saída na terça-feira, mas ligações do exterior para dentro do país continuam bloqueadas.

“Podemos confirmar que a assinatura gratuita para os terminais Starlink está totalmente funcional. Testamos com um terminal recém-ativado dentro do país”, disse Mehdi Yahyanejad, ativista baseado em Los Angeles que ajudou a levar os equipamentos para o Irã.

Autoridades iranianas estariam procurando antenas de Starlink por meio de batidas policiais em prédios, segundo relatos de moradores do norte de Teerã sobre

Embora o uso dessas antenas de TV via satélite seja ilegal, muitas pessoas na capital as mantêm em casa, e o governo vinha há anos deixando de aplicar essa restrição com rigor.


*As jornalistas da Associated Press Melanie Lidman, em Jerusalém, e Samy Magdy, no Cairo, contribuíram para esta reportagem.

Autor

Associated Press
Associated Press

Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

Inscreva-se nas newsletters do Correio Sabiá.

Mantenha-se atualizado com nossa coleção selecionada das principais matérias.

Por favor, verifique sua caixa de entrada e confirme. Algo deu errado. Tente novamente.

Participe para se juntar à discussão.

Por favor, crie uma conta gratuita para se tornar membro e participar da discussão.

Já tem uma conta? Entrar

Inscreva-se nas newsletters do Correio Sabiá.

Mantenha-se atualizado com nossa coleção selecionada das principais matérias.

Por favor, verifique sua caixa de entrada e confirme. Algo deu errado. Tente novamente.