Irã fecha seu espaço aéreo a aeronaves comerciais
Decisão ocorreu num momento de tensão em bases militares dos EUA no Catar e no Kuwait. Por outro lado, Trump disse que planos de execução do Irã foram interrompidos, sem dar detalhes.
*Por Jon Gambrell / Associated Press
O Irã fechou seu espaço aéreo para voos comerciais sem dar maiores explicações na madrugada de quinta-feira (15.jan.2025). A determinação ocorre num momento de crescente tensão com os Estados Unidos, que ameaçou atacar a República Islâmica caso o governo iraniano não parasse de reprimir e matar manifestantes.
O Irã já havia fechado seu espaço aéreo durante a guerra de 12 dias contra Israel em junho de 2025 e também quando trocou disparos com Israel durante a guerra entre Israel e o Hamas.
No entanto, desta vez, não havia sinais de hostilidades entre diferentes países em andamento. Apenas trocas de ameaças.
O fechamento teve impacto imediato na aviação global, já que o Irã está localizado numa rota relevante Leste-Oeste usada por companhias aéreas.
“Várias companhias aéreas já reduziram ou suspenderam seus serviços, e a maioria está evitando o espaço aéreo iraniano”, afirmou o site SafeAirspace, que fornece informações sobre áreas de conflito e segurança aérea.
A empresa acrescentou:
“A situação pode indicar mais atividade de segurança ou militar, incluindo risco de lançamentos de mísseis ou intensificação da defesa aérea, o que aumenta a possibilidade de confusão entre aeronaves civis e alvos militares.”
No passado, o Irã já confundiu uma aeronave comercial com um alvo inimigo. Em 2020, a defesa aérea iraniana derrubou o voo PS752 da Ukraine International Airlines com 2 mísseis terra-ar, matando as 176 pessoas a bordo.
Durante dias que se seguiram ao abate da aeronave, o Irã negou veementemente as acusações de ter abatido o avião, chamando-as de propaganda ocidental, antes de finalmente admitir o erro.
O fechamento do espaço aéreo ocorreu ao mesmo tempo em que parte do pessoal de uma importante base militar dos Estados Unidos no Catar foi orientado a evacuar.
A Embaixada dos EUA no Kuwait também ordenou que seus funcionários suspendessem temporariamente as visitas a várias bases militares no pequeno país árabe do Golfo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, fez na quarta-feira (14) uma série de declarações vagas, sem deixar claro se alguma ação norte-americana contra o Irã seria tomada.
Em conversa com repórteres, Trump disse que foi informado que os planos de execução no Irã haviam sido interrompidos, sem fornecer muitos detalhes.




Imagens: AP Photo
A mudança ocorre 1 dia após o presidente afirmar a manifestantes iranianos que “a ajuda está a caminho” e que seu governo “agiria de forma apropriada” em resposta à repressão do regime islâmico.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, também tentou reduzir a tensão, pedindo que os EUA busquem uma solução por meio da negociação. Questionado pela Fox News sobre o que diria a Trump, Araghchi respondeu:
“Minha mensagem é: entre guerra e diplomacia, a diplomacia é o melhor caminho, embora não tenhamos experiências positivas com os Estados Unidos. Ainda assim, a diplomacia é muito melhor que a guerra.”
A mudança de tom entre os EUA e o Irã veio poucas horas depois de o chefe do Judiciário iraniano afirmar que o governo deve agir rapidamente para punir as milhares de pessoas detidas.

Ativistas alertaram que as execuções de prisioneiros poderiam ocorrer em breve. A repressão das forças de segurança aos protestos já deixou ao menos 2.615 mortos, segundo a Human Rights Activists News Agency, sediada nos Estados Unidos.
O número de mortos supera o de qualquer outro episódio de protestos ou distúrbios no Irã em décadas e remete ao caos que marcou a Revolução Islâmica de 1979.

Autor
Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.
Inscreva-se nas newsletters do Correio Sabiá.
Mantenha-se atualizado com nossa coleção selecionada das principais matérias.


