Irã fecha seu espaço aéreo a aeronaves comerciais

Decisão ocorreu num momento de tensão em bases militares dos EUA no Catar e no Kuwait. Por outro lado, Trump disse que planos de execução do Irã foram interrompidos, sem dar detalhes.

Irã fecha seu espaço aéreo a aeronaves comerciais
Um homem distribui cartazes do Líder Supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, durante uma cerimônia fúnebre para um grupo de membros das forças de segurança mortos em protestos antigovernamentais, em Teerã, Irã, na quarta-feira, 14 de janeiro de 2026 / Imagem: AP/Vahid Salemi

*Por Jon Gambrell / Associated Press

O Irã fechou seu espaço aéreo para voos comerciais sem dar maiores explicações na madrugada de quinta-feira (15.jan.2025). A determinação ocorre num momento de crescente tensão com os Estados Unidos, que ameaçou atacar a República Islâmica caso o governo iraniano não parasse de reprimir e matar manifestantes.

O Irã já havia fechado seu espaço aéreo durante a guerra de 12 dias contra Israel em junho de 2025 e também quando trocou disparos com Israel durante a guerra entre Israel e o Hamas.

No entanto, desta vez, não havia sinais de hostilidades entre diferentes países em andamento. Apenas trocas de ameaças.

O fechamento teve impacto imediato na aviação global, já que o Irã está localizado numa rota relevante Leste-Oeste usada por companhias aéreas.

“Várias companhias aéreas já reduziram ou suspenderam seus serviços, e a maioria está evitando o espaço aéreo iraniano”, afirmou o site SafeAirspace, que fornece informações sobre áreas de conflito e segurança aérea.

A empresa acrescentou:

“A situação pode indicar mais atividade de segurança ou militar, incluindo risco de lançamentos de mísseis ou intensificação da defesa aérea, o que aumenta a possibilidade de confusão entre aeronaves civis e alvos militares.”

No passado, o Irã já confundiu uma aeronave comercial com um alvo inimigo. Em 2020, a defesa aérea iraniana derrubou o voo PS752 da Ukraine International Airlines com 2 mísseis terra-ar, matando as 176 pessoas a bordo.

Durante dias que se seguiram ao abate da aeronave, o Irã negou veementemente as acusações de ter abatido o avião, chamando-as de propaganda ocidental, antes de finalmente admitir o erro.

O fechamento do espaço aéreo ocorreu ao mesmo tempo em que parte do pessoal de uma importante base militar dos Estados Unidos no Catar foi orientado a evacuar.

A Embaixada dos EUA no Kuwait também ordenou que seus funcionários suspendessem temporariamente as visitas a várias bases militares no pequeno país árabe do Golfo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, fez na quarta-feira (14) uma série de declarações vagas, sem deixar claro se alguma ação norte-americana contra o Irã seria tomada.

Em conversa com repórteres, Trump disse que foi informado que os planos de execução no Irã haviam sido interrompidos, sem fornecer muitos detalhes.

A mudança ocorre 1 dia após o presidente afirmar a manifestantes iranianos que “a ajuda está a caminho” e que seu governo “agiria de forma apropriada” em resposta à repressão do regime islâmico.

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O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, também tentou reduzir a tensão, pedindo que os EUA busquem uma solução por meio da negociação. Questionado pela Fox News sobre o que diria a Trump, Araghchi respondeu:

“Minha mensagem é: entre guerra e diplomacia, a diplomacia é o melhor caminho, embora não tenhamos experiências positivas com os Estados Unidos. Ainda assim, a diplomacia é muito melhor que a guerra.”

A mudança de tom entre os EUA e o Irã veio poucas horas depois de o chefe do Judiciário iraniano afirmar que o governo deve agir rapidamente para punir as milhares de pessoas detidas.

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Ativistas alertaram que as execuções de prisioneiros poderiam ocorrer em breve. A repressão das forças de segurança aos protestos já deixou ao menos 2.615 mortos, segundo a Human Rights Activists News Agency, sediada nos Estados Unidos. 

O número de mortos supera o de qualquer outro episódio de protestos ou distúrbios no Irã em décadas e remete ao caos que marcou a Revolução Islâmica de 1979.

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Associated Press
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