Inundações devastam Juiz de Fora: já são 46 mortos, enquanto equipes de resgate procuram os desaparecidos

As chuvas continuam a causar risco de deslizamentos de terra. Ainda há cerca de 21 pessoas desaparecidas.

Inundações devastam Juiz de Fora: já são 46 mortos, enquanto equipes de resgate procuram os desaparecidos
Bombeiros recuperam um corpo do local onde casas desabaram durante fortes chuvas e inundações no bairro Parque Burnier, em Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil, na terça-feira, 24 de fevereiro de 2026 / Imagem: AP/Silvia Izquierdo

*Por Diarlei Rodrigues e Eléonore Hughes

Ao menos 46 pessoas morreram em decorrência das inundações em Juiz de Fora e Ubá, municípios no estado de Minas Gerais, a cerca de 310 quilômetros (192 milhas) ao norte do Rio de Janeiro. As famílias das vítimas começaram a enterrar os corpos nesta quarta-feira (25.fev.2026).

Cerca de 21 pessoas ainda estão desaparecidas e mais de 3.000 moradores foram obrigados a deixar suas casas até a tarde desta quarta-feira (25), segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

Entre os mortos está Bernardo Lopes Dutra, de 11 anos, que morreu após a chuva provocar o desabamento de sua casa.

“É uma tragédia que ninguém esperava”, disse seu pai, Ricardo Dutra, no funeral em Juiz de Fora. Ele descreveu Bernardo como “um menino de grande coração que, à sua maneira, tocou a todos ao seu redor”. A esposa e a filha de Dutra permanecem hospitalizadas.

O padre Ananias Simões, pároco da igreja que Dutra e sua família frequentavam em Juiz de Fora, disse que o prédio foi transformado em abrigo temporário.

“Estamos fazendo o que podemos, coletando comida e água. Estamos em situação de guerra”, disse Simões.

Dário Tibério, um caminhoneiro de 41 anos, decidiu deixar sua casa com a família por medo de desabamento. Ele encontrou refúgio na igreja, enquanto aguarda que as autoridades declarem que sua casa está segura.

“Há o perigo de a lama e a terra virem e nos soterrarem junto com os escombros. Temos essa sensação de insegurança”, disse ele.

As ruas de Juiz de Fora, cidade com 560 mil habitantes, ficaram cobertas de lama. As autoridades temem novos deslizamentos de terra. A vida na vizinha Uba, com seus 107 mil habitantes, parou. As aulas foram suspensas em ambas as cidades, disseram os prefeitos.

A Prefeitura de Juiz de Fora informou em comunicado que cerca de 600 famílias que vivem em áreas de risco estavam prestes a ser realocadas para escolas improvisadas como abrigos e que a cidade recebeu o dobro da quantidade de chuva esperada para fevereiro.

A prefeita Margarida Salomão (PT) afirmou que ao menos 20 deslizamentos de terra foram registrados desde o início das chuvas torrenciais na noite de segunda-feira (23).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou em suas redes sociais na terça-feira (24) que as forças de segurança foram mobilizadas em missões de resgate e estão prestando assistência imediata à população afetada pelas chuvas.


Cientistas afirmam que eventos climáticos extremos estão ocorrendo com mais frequência devido às mudanças climáticas causadas pela ação humana.

As enchentes no estado do Rio Grande do Sul, no sul do Brasil, em maio de 2024, causaram a morte de pelo menos 185 pessoas e devastaram quase tudo o que é necessário à atividade econômica, de comércios locais a fábricas, fazendas a ranchos. Os prejuízos financeiros ultrapassaram 10 bilhões de reais (US$ 1,9 bilhão).


De volta a Minas Gerais, Flávio Clemente Rodrigues, de 46 anos, morador de Juiz de Fora, cuja casa desabou parcialmente devido às fortes chuvas, lamentou a falta de assistência das autoridades públicas para evitar as consequências do desastre, como a construção de barreiras de contenção.

“Nunca tivemos apoio das autoridades públicas para nos ajudar com nada”, disse Rodrigues, que mora no bairro Parque Burnier, em Juiz de Fora, uma das áreas mais afetadas.

Seu enteado, Samuel Gonçalves, de 17 anos, se preparava para tomar banho quando ouviu um estrondo causado pela queda de pedras. Ele conseguiu escapar, mas seu quarto agora está cheio de escombros.

“Quando cheguei para ver, tudo tinha desabado: a encosta lá atrás, a árvore rachando, o barranco desmoronando, a lama deslizando”, disse Gonçalves. “É muito triste e preocupante.”

*Hughes reportou do Rio de Janeiro.

Autor

Associated Press
Associated Press

Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

Participe para se juntar à discussão.

Por favor, crie uma conta gratuita para se tornar membro e participar da discussão.

Já tem uma conta? Entrar

Inscreva-se nas newsletters do Correio Sabiá.

Mantenha-se atualizado com nossa coleção selecionada das principais matérias.

Por favor, verifique sua caixa de entrada e confirme. Algo deu errado. Tente novamente.